JESUS
BIBLIOGRAFIA
01- A caminho da luz - pág. 105, 209 02 - A divina epopéia - pág. 11,181
03 - A educação segundo o Espiritismo - pág. 100 04 - A Gênese - cap. XV, XVII
05 - A queda dos véus - pág. 84 06 - A reencarnação na Bíblia - pág. 17, 21
07 - Agenda Cristã - pág. 121 08 - Alerta - pág. 23,38, 81, 145
09 - Antologia Med. do Natal - pág. 13, 17, 38.. 10 - Aos médiuns - pág. 77
11 - Após a tempestade - pág. 118 12 - Ave luz - pág. 11
13 - Caminho, verdade e vida - pág. 123, 243, 281 14 - Catecismo Espírita - pág. 13
15 - Celeiros de bênçãos - pág. 28, 47

16 - Conduta Espírita - pág. 153

17 - Coragem - pág. 91 18 - Depois da morte - pág. 67
19 - Emmanuel - pág. 27 20 - Estude e viva - pág. 156, 188
21 - Estudos Espíritas - pág. 181 22 - Evolução em dois mundos - pág. 161
23 - Fonte viva - pág. 11,356 24 - História do Espiritismo - pág. 451
25 - Jesus no Lar - pág. 11 26 - Justiça Divina - pág. 171
27 - Na era do Espírito - pág. 161 28 - Nas pegadas do mestre - pág. 103, 137
29 - O Batismo - pág. 17 30 - O Consolador - pág. 167
31 - O Espiritismo - pág. 73 32 - O Evangelho S.o Espiritismo - Cap. I,3, II, 4 VI
33 - O Redentor - toda a obra 34 - O Livro dos Espíritos - q.222,275,469,625...
35 - Obrás póstumas - pág. 121 36 - Os funerais da santa sé - pág. 110,157
37 - Religião dos Espíritos - pág. 47, 91, 213 A bibliografia é muito extensa, por motivo de espaço citamos somente esses.

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

JESUS – COMPILAÇÃO

04 - A Gênese - Allan Kardec - cap. XV, XVII

CAPÍTULO XV OS MILAGRES DO EVANGELHO - SUPERIORIDADE DA NATUREZA DE JESUS
1. - Os fatos narrados no Evangelho e que foram até aqui considerados como miraculosos, pertencem, na maioria, à ordem dos fenômenos psíquicos, quer dizer, daqueles que têm por causa primeira as faculdades e os atributos da alma. Aproximando-os daqueles que estão descritos e explicados no capítulo precedente, reconhece-se, sem dificuldade, que há entre eles identidade de causa e de efeito.

A história mostra-os análogos em todos os tempos e em todos os povos, pela razão que, desde que há almas encarnadas e desencarnadas, os mesmos efeitos devem ter-se produzido. Pode-se, é verdade, contestar sobre este ponto a veracidade da história; mas hoje eles se produzem sob os nossos olhos, por assim dizer, à vontade, e por indivíduos que nada têm de excepcional. Só o fato da reprodução de um fenômeno, em condições idênticas, basta para provar que é possível e submetido a uma lei, e que, desde então, não é mais miraculoso.

O princípio dos fenômenos psíquicos repousa, como se viu, sobre as propriedades do fluido perispiritual, que constitui o agente magnético; sobre as manifestações da vida espiritual, durante a vida e depois da morte; enfim, sobre o estado constitutivo dos Espíritos e o seu papel como força ativa da Natureza. Estes elementos conhecidos, e seus efeitos constatados, têm por consequência fazer admitir a possibilidade de certos fatos que eram rejeitados quando se lhes atribuía uma origem sobrenatural.

2.-Sem nada prejulgar sobre a natureza do Cristo, que não entra no quadro desta obra examinar, e não o considerando, por hipótese, senão um Espírito superior, não se pode impedir de reconhecer nele um daqueles de ordem mais elevada, e que está colocado, pelas suas virtudes, bem acima da Humanidade terrestre. Pelos imensos resultados que ele produziu, a sua encarnação neste mundo não poderia ser senão uma dessas missões que não são confiadas senão aos mensageiros diretos da Divindade para o cumprimento de seus desígnios. Supondo que ele não fosse o próprio Deus, mas um enviado de Deus para transmitir a sua palavra, ele seria mais do que um profeta, porque seria um Messias divino.

Como homem, tinha a organização dos seres carnais; mas como Espírito puro, desligado da matéria, deveria viver a vida espiritual mais do que a vida corpórea, da qual não tinha as fraquezas. A superioridade de Jesus sobre os homens não se prendia às particularidades de seu corpo, mas às de seu Espírito, que dominava a matéria de maneira absoluta, e à de seu perispírito, haurida na parte mais quintessenciada dos fluidos terrestres. (Cap. XIV, ne 9). Sua alma não devia prender-se ao corpo senão pelos laços estritamente indispensáveis; constantemente desligado, devia dar-lhe uma dupla vista não somente permanente, mas de uma penetração excepcional e bem de outro modo superior àquela que se vê entre os homens comuns. Deveria ser do mesmo modo em todos os fenômenos que dependem dos fluidos perispirituais ou psíquicos. A qualidade destes fluidos lhe dava uma imensa força magnética, secundada pelo desejo incessante de fazer o bem.

Nas curas que ele operava, agia como médium? Pode-se considerá-lo como um poderoso médium curador? Não; porque o médium é um intermediário, um instrumento de que se servem os Espíritos desencarnados. Ora, o Cristo não tinha necessidade de assistência, ele que assistia os outros; agia, pois, por si mesmo, em virtude de seu poder pessoal, assim como podem fazê-lo os encarnados em certos casos e na medida de suas forças. Que Espírito, aliás, ousaria insuflar-lhe seus próprios pensamentos e encarregá-lo de transmiti-los? Se recebesse um influxo estranho, este não poderia ser senão de Deus; segundo a definição dada por um Espírito, ele era médium de Deus.

SONHOS

3. -José, diz o Evangelho, foi advertido por um anjo, que lhe apareceu em sonho, e lhe disse para fugir para o Egito com o Menino. (São Mateus, cap. II. v. de 19 a 23).
As advertências pelos sonhos desempenham um grande papel nos livros sagrados de todas as religiões, em garantir a exatidão de todos os fatos narrados, e sem discuti-los, o fenômeno em si mesmo nada tem de anormal, quando se sabe que o tempo do sono é aquele em que o Espírito, se desligando dos laços da matéria, entra momentaneamente na vida espiritual, onde se encontra com aqueles que conheceu. E neste momento, frequentemente, que os Espíritos protetores escolhem para se manifestarem aos seus protegidos e dar-lhes conselhos mais diretos. Os exemplos autênticos de advertências por sonhos são numerosos, mas disso não se poderia inferir que todos os sonhos sejam advertências, e ainda menos, que tudo o que se vê em sonho tem o seu significado. É preciso classificar entre as crenças supersticiosas e absurdas a arte de interpretar os sonhos. (Cap. XIV, n9 27 e 28).

ESTRELA DOS MAGOS

4. - Diz-se que uma estrela apareceu aos magos que vieram adorara Jesus, que ela caminhava na frente deles para lhes indicar o caminho e se deteve quando chegaram. (São Mateus, cap. II, v. de 1 a 12).
A questão não é saber se o fato narrado por Sáo Mateus é real, ou se não é senão uma figura para indicar que os magos foram guiados de maneira misteriosa para o lugar onde estava o Menino, tendo em vista que não existe nenhum meio de controle, mas bem se um fato dessa natureza é possível.

Uma coisa certa é que nesta circunstância a luz não podia ser uma estrela. Podia-se acreditá-lo na época, quando se pensava que as estrelas são pontos luminosos pregados no firmamento, e que podiam cair sobre a Terra; mas não hoje que se conhece a sua natureza.
Por não ter a causa que se lhe atribui, o fato da aparição de uma luz, tendo o aspecto de uma estrela, não é menos uma coisa possível. Um Espírito pode aparecer sob uma forma luminosa, ou transformar uma parte do seu fluido perispiritual em um ponto luminoso. Vários fatos deste gênero, recentes e perfeitamente autênticos, não têm outra causa, e essa causa nada tem de sobrenatural. (Cap. XIV, n° 13 e seg.).

DUPLA VISTA ENTRADA DE JESUS EM JERUSALÉM.
5. - Quando se aproximaram de Jerusalém, e que chegaram a Betfagé, junto da montanha das Oliveiras, Jesus enviou dois de seus discípulos, - e lhes disse: Ide a essa cidade que está diante de vós, e ali chegando encontrareis uma jumenta amarrada e seu jumentinho junto dela; soltai-a e trazei-os a mim. - Se alguém vos disser qualquer coisa, dizei-lhe que o Senhor tem necessidade deles, e logo os deixará levar. - Ora, tudo isto se fez para que esta palavra do profeta se cumprisse: Dizei à filha de Sião: Eis vosso rei que vem a vos, cheio de doçura, montado sobre uma jumenta, e sobre um jumentinho daquela que está sob o jugo. (Zacarias, IX, v. 9,10).

Os discípulos se foram, pois, e fizeram o que Jesus lhes ordenara. -E tendo levado a jumenta e o jumentinho, os cobriram com as suas vestes, e o fizeram montar. (São Mateus, cap. XXI, v, de 1 a 7).

BEIJO DE JUDAS.

6. - Levantai-vos, vamos, aquele que me deve trair está perto daqui. -E não tinha ainda terminado estas palavras, quando Judas, um dos doze, chegou, e com ele uma tropa de pessoas armadas de espadas e de paus, que foram enviadas pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo. - Ora, aquele que o trairia dera-lhes um sinal para reconhecê-lo, dizendo-lhes: Aquele que eu beijar, é a ele mesmo que procurais; apoderai-vos dele. - Logo, pois, ele se aproximou de Jesus e lhe disse: Mestre, eu vos saúdo; e o beijou. -Jesus lhe respondeu: Meu amigo, que viestes fazer aqui? Ao mesmo tempo, todos os outros avançaram, lançaram-se sobre Jesus e se apoderaram dele. (São Mateus, cap. XXVI, v. de 46 a 50).

4. PESCA MIRACULOSA.

7. - Um dia em que Jesus estava na margem do lago de Genezaré, achando-se oprimido pela multidão de povo que se comprimia para ouvir a palavra de Deus, -ele viu dois barcos parados na margem do lago, cujos pescadores desceram e lavavam as suas redes. - Ele entrou, pois, num desses barcos, que era o de Simão, e pediu-lhe para se afastar um pouco da terra; e, estando sentado, ensinava o povo de cima do barco.

Quando cessou de falar, disse a Simão: Avançai em plena água e lançai as vossas redes para pescar. - Simão lhe respondeu: Mestre, trabalhamos toda a noite sem nada pegar, mas, apesar disso, sobre a vossa palavra eu lançarei a rede. - E tendo, pois, lançado, pegaram tão grande quantidade de peixes, que a sua rede se rompeu. - E eles fizeram sinal aos seus companheiros, que estavam no outro barco, para que viessem ajudá-los. Eles vieram, e encheram de tal modo seus barcos, que pouco faltou para que não afundassem. (São Lucas, cap. V, v. de 1 a 7).

VOCAÇÃO DE PEDRO, ANDRÉ, TIAGO, JOÃO E MATEUS.

8. - Ora, Jesus, andando à beira do mar da Galiléia, viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André seu irmão, que lançavam as suas redes ao mar, porque eram pescadores; - e ele lhes disse: Segui-me, e eu vos farei pescadores de homens. - Logo eles deixaram as suas redes e o seguiram.
Dali, avançando, ele viu dois outros irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João seu irmão, que estavam num barco com Zebedeu, seu pai, e que remendavam as suas redes, e os chamou. - Ao mesmo tempo eles deixaram suas redes e seu pai e o seguiram. (São Mateus, cap. IV, v. de 18 a 22).

Jesus, saindo dali, ao passar, viu um homem sentado numa mesa de impostos, chamado Mateus, ao qual disse: Segui-me; e logo ele se levantou e o seguiu. (São Mateus, cap. IV, v. 9).

9. - Estes fatos nada têm de surpreendente, quando se conhece o poder da dupla vista e a causa muito natural desta faculdade. Jesus a possuía em grau supremo, e pode-se dizer que ela era o seu estado normal, o que atesta grande número de atos de sua vida, e que é explicado hoje pelos fenômenos magnéticos e pelo Espiritismo. A pesca qualificada de maravilhosa se explica, igualmente, pela dupla vista. Jesus não produziu espontaneamente peixes ali onde eles não existiam; ele viu, como o teria podido ver um lúcido desperto, pela visão da alma, o lugar onde se encontravam e pôde dizer, com segurança, aos pescadores que ali lançassem as suas redes.

A penetração do pensamento e, por conseguinte, certas previsões, são a consequência da visão espiritual. Quando Jesus chama a si Pedro, André, Tiago, João e Mateus, seria necessário que conhecesse as suas disposições íntimas, para saber que o seguiriam e que eram capazes de cumprir a missão da qual deveria encarregá-los. Seria necessário que eles mesmos tivessem a intuição dessa missão para se abandonarem a ele. Ocorreu o mesmo no dia da Ceia, quando anunciou que um dos doze o trairia, e o designou dizendo que seria aquele que pusesse a mão no prato, e quando disse que Pedro o renegaria.

Em muitos lugares do Evangelho, diz-se: "Mas Jesus, conhecendo o seu pensamento, lhes disse...." Ora, como poderia conhecer o seu pensamento, se isso não for, ao mesmo tempo, pela irradiação fluídica que lhe levava esse pensamento, e a visão espiritual que lhe permitia ler no foro interior dos indivíduos?

Então, frequentemente, quando se crê um pensamento profundamente oculto nas dobras da alma, não se desconfia que se carrega em si um espelho que o reflete, um revelador na sua própria irradiação fluídica que dele está impregnada. Vendo-se o mecanismo do mundo invisível que nos cerca, as ramificações desses fios condutores do pensamento que religam todos os seres inteligentes, corpóreos e incorpóreos, os eflúvios fluídicos carregados com as marcas do mundo moral, e que, como correntes aéreas, atravessam o espaço, ficar-se-ia menos surpreso com certos efeitos que a ignorância atribui ao acaso. (Cap. XIV, n°s. 15, 22 e seguintes).

CURAS - PERDA DE SANGUE.
10 - Então, uma mulher, enferma com uma perda de sangue há doze anos, - que muito sofrera nas mãos de vários médicos, e que, tendo gasto todos os seu bens, com ele não recebera nenhum alivio, mas se achava cada vez pior, - tendo ouvido falar de Jesus, veio na multidão por trás, e tocou as suas vestes; porque ela dizia: Se eu puder tocar somente as suas vestes, estarei curada. - No mesmo instante, a fonte do sangue que ela perdia secou, e sentiu em seu corpo que estava curada dessa doença.

No mesmo instante Jesus, conhecendo em si mesmo a virtude que dele saíra, retornou para o meio da multidão e disse: Quem tocou as minhas vestes? - Seus discípulos lhe disseram: Vedes que a multidão vos comprime de todos os lados, e perguntais quem vos tocou? - E ele olhava tudo ao seu redor para ver aquela que o tocara.
Mas essa mulher, que sabia o que se passara com ela, tomada de medo e de pavor, veio se lançar aos seus pés, e lhe declarou toda a verdade. - E Jesus lhe disse: Minha filha, a vossa fé vos salvou; ide em paz, e sede curada de vossa doença. (São Marcos, cap. V, v. de 25 a 34).

11.- Estas palavras: "Conhecendo em si mesmo a virtude que dele saíra, são significativas; elas exprimem o movimento fluídico que se operou de Jesus para a mulher enferma; ambos sentiram a ação que acabara de se produzir. É notável que o efeito não foi provocado por nenhum ato da vontade de Jesus; ele não fez nem magnetização e nem imposição das mãos. A irradiação fluídica normal bastou para operar a cura.

Mas por que essa irradiação se dirigiu para essa mulher, antes que para os outros, uma vez que Jesus não pensava nela, e que estava cercado pela multidão? A razão disso é bem simples. O fluido, sendo dado como matéria terapêutica, deve atingir a desordem orgânica para repará-la; pode ser dirigido sobre o mal pela vontade do curador, ou atraído pelo desejo ardente, a confiança, em uma palavra, a fé do enfermo. Com relação à corrente fluídica, o primeiro fato tem o efeito de uma bomba premente e o segundo de uma bomba aspirante. Algumas vezes, a simultaneidade dos dois efeitos é necessária, outras vezes, um só basta; foi o segundo que ocorreu nesta circunstância.

Jesus tinha, pois, razão em dizer: "A vossa fé vos salvou."Compreende-se aqui que a fé não é a virtude mística, tal como certas pessoas a entendem, mas uma verdadeira força atrativa, ao passo que aquele que não a tem opõe à corrente fluídica uma força repulsiva, ou pelo menos uma força de inércia, que paralisa a ação. Segundo isto, compreende-se que dois enfermos atingidos pelo mesmo mal, estando em presença de um curador, um pode ser curado e o outro não. Está aí um dos princípios mais importantes da mediunidade curadora e que explica, por uma causa muito natural, certas anomalias aparentes. (Cap. XIV, n8 31,32,33).

CEGO DE BETSAIDA.

12. - Tendo chegado a Betsaida, levaram-lhe um cego que lhe pedia para tocá-lo.
E, tomando o cego pela mão, levou-o para fora da povoação; colocou-lhe saliva sobre os olhos, e lhe tendo imposto as mãos, perguntou-lhe se via alguma coisa.-Esse homem, olhando, lhe disse: Vejo andar homens que parecem arvores. - Jesus lhe colocou ainda uma vez mais as mãos sobre os olhos, e ele começou a ver melhor; e, enfim, foi de tal modo curado, que via distintamente todas as coisas.

Em seguida, ele o mandou para a sua casa, e lhe disse: Ide para a vossa casa; e se entrardes na povoação, não digais a ninguém o que vos ocorreu. (São Marcos, cap. VIII, v. de 22 a 26).

13.- Aqui, o efeito magnético está evidente; a cura não foi instantânea, mas gradual e em consequência de uma ação firme e reiterada, embora mais rápida do que na magnetização comum. A primeira sensação deste homem foi bem aquela que sentem os cegos em recobrando a luz; por um efeito de óptica, os objetos parecem de um tamanho desmesurado.

PARALÍTICO.
14. - Jesus, tendo subido num barco, tomou a atravessar o lago e veio para a cidade (Cafarnaum). — E como se lhe apresentassem um paralítico, deitado sobre um, leito, Jesus, vendo a sua fé, disse a esse paralítico: Meu filho, tende confiança, os vossos pecados estão perdoados.

Imediatamente, alguns dos escribas disseram para si mesmos: Este homem blasfema. - Mas Jesus, tendo conhecido o que pensavam, lhes disse: Por que tendes maus pensamentos em vossos corações? - Porque o que é mais fácil dizer: Os vossos pecados estão perdoados, ou dizer: Levantai-vos e andai? - Ora, a fim de que saibais que o Filho do homem tem sobre a Terra o poder de perdoar os pecados: Levantai-vos, disse então ao paralítico; carregai o vosso leito, e com ele ide para a vossa casa.

O paralítico se levantou imediatamente e se foi para a sua casa. - E o povo, vendo o milagre, se encheu de medo e rendeu glória a Deus por ter dado um tal poder aos homens. (São Mateus, cap. IX, v. de 1 a 8).

15. -O que poderiam significar estas palavras: "Os vossos pecados estão perdoados" e em que poderiam servir para a cura? O Espiritismo disto dá a chave, como de uma infinidade de outras palavras incompreendidas até este dia; ele nos ensina, pela lei da pluralidade das existências, que os males e as aflições da vida são, frequentemente, expiações do passado, e que sofremos, na vida presente, as consequências das faltas que cometemos numa existência anterior: sendo as diferentes existências solidárias, umas com as outras, até que se pague a dívida de suas imperfeições. (...)

06 - A reencarnação na Bíblia - Hermínio C. Miranda - pág. 17, 21

O SINÉDRIO
O termo — aliás Sanhedrim — é uma hebraização da palavra grega synedrion (junta, sessão, assembleia, conselho, senado). Fontes rabínicas, no dizer da Enciclopédia Britânica, identificam dois desses conselhos — o Grande Sinédrio, com 71 membros e o Sinédrio Menor, com 23.

O Grande Sinédrio era uma instituição permanente e funcionava como Corte Suprema em matéria legislativa e judicial. Era dirigido por uma dupla de sábios. Fontes não-rabínicas caracterizam o Sinédrio como instituição político-executiva e judicial sob a chefia do Sumo Sacerdote. Em verdade, o que parece acertado é identificar a existência de dois corpos distintos: um de natureza estritamente religiosa e outro secularizado e voltado para o exercício do poder civil.

Segundo a mesma fonte, Jesus e alguns de seus discípulos foram julgados pelo Sinédrio sacerdotal, ou seja, religioso, e a sentença teve que ser sancionada ou referendada por Pôncio Pilatos. A execução do Cristo como "Rei dos Judeus" se caracteriza, assim, juridicamente, como problema da lei romana e não do Grande Sinédrio, pois este, embora tendo condições para aplicar a pena de morte, só poderia fazê-lo no âmbito da lei religiosa.

Cabia ao Grande Sinédrio expedir decretos relativos às práticas religiosas, bem como julgar as violações cometidas, na qualidade de Corte Suprema e, ainda, supervisionar as cortes menores e controlar o cerimonial do Templo. Era, portanto, o organismo que velava pela santidade da lei tradicional, mesmo nas suas interpretações orais baseadas na lei escrita do Torá.

Como se pode observar, até nas suas funções secularizadas de natureza civil, a predominância Lei era indiscutível, o que reduzia qualquer orientação pública ou particular, bem como decisões em disputas pessoais ou coletivas ao arbítrio da lei escrita. Os homens que compunham o Sinédrio e participavam de suas discussões e deliberações tinham que ser, pois do melhor gabarito.

07 - Agenda Cristã - André Luiz - pág. 121

39. COM JESUS
A renúncia será um privilégio para você. O sofrimento glorificará sua vida. A prova dilatará seus poderes.

O trabalho constituirá título de confiança em seu caminho. O sacrifício sublimará seus impulsos. A enfermidade do corpo será remédio salutar para a sua alma.

A calúnia lhe honrará a tarefa. A perseguição será motivo para que você abençoe a muitos. A angústia purificará suas esperanças.

O mal convocará seu espírito à prática do bem. O ódio desafiar-lhe-á o coração aos testemunhos de amor.

A Terra, com os seus contrastes e renovações incessantes, representará bendita escola de aprimoramento individual, em cujas lições purificadoras deixará você o egoísmo para sempre esmagado.

08 - Alerta - Joanna de Ângelis - pág. 23,38, 81, 145

4. OBSESSÃO E JESUS
A idéia enfermiça, sem contornos definidos alcança os painéis mentais, sutilmente. Aceita, desenvolve características, apresenta-se com maior riqueza de detalhes, estabelece o contato através do qual se originam as penosas fixações, lamentáveis quão perniciosas. ..Se recusada, apaga-se em névoa diluente para repetir-se com maior intensidade até alcançar correspondente vibratório na mente receptora, que passa, a largo prazo, a submeter-se ao impositivo que termina por dominar. ..

A obsessão é enfermidade generalizada, que grassa entre os homens, em decorrência do comércio psíquico, infeliz quão desesperador.
Desde que o agente obsessivo é persistente no plano negativo a que se afervora, este muda de técnica Ioda vez que repudiado, mantendo rigoroso cerco em (orno de quem lhe padece a influência, até dobrar a vontade resistente, caso esta não se fortaleça nos valores morais e espirituais que constituem defesa e vitalidade contra essa terrível chaga devastadora.

Mentes viciadas com mais facilidade aceitam as sugestões morbíficas que lhes são insufladas dentro do campo em que melhor se expressam: desconfiança, ciúme, ódio, desvario sexual, dependência alcoólica ou toxicómana, gula, maledicência. . . Temperamentos arredios, suspeitosos, são mais acessíveis em razão de melhor agasalharem as induções equivalentes, que se lhes associam em forma de perfeita sintonia.

Caracteres violentos, apaixonados, mais fortemente se fazem maleáveis em decorrência do espírito rebelde que nesse corpo habita, dissimulando as chispas que lhes acendem as labaredas do incêndio interior, a exteriorizar-se como fogaréis destruidores. . . Personalidades ociosas são mais susceptíveis em razão da mente vazia sempre acolher o que lhe apraz, deixando-se conduzir pela personalidade dos seus afins desencarnados.

Desnecessário reafirmar que, não apenas além-da-morte, se encontram os perturbadores, desde que a obsessão campeia, igualmente, entre os transeuntes do corpo, obedecendo ao mesmo processo de sintonia mental, por cultivo das mesmas paixões inferiores.

A ação do pensamento otimista e sadiamente operante; o labor fraternal de solidariedade; a preocupação edificante em favor do próximo; os serviços humílimos ou grandiosos a benefício dos outros; o interesse honesto pelo bem-estar alheio constituem a terapia preventiva quanto curadora contra a obsessão.

A prece — o hábito de orar —, gerando um clima de paz; a leitura elevada, que cria clichês psíquicos superiores; a meditação em torno das questões enobrecedoras da vida; o diálogo edificante impedem qualquer intercâmbio perturbante, verdadeiros antídotos que se fazem à obsessão, por constituirem meios de elevação vibratória na qual não vigem as interferências maléficas, as parasitoses e as vampirizações prejudiciais que somente têm curso em faixas mentais semelhantes.

Ademais, o exercício de tais métodos libera qualquer tombado nas malhas apertadas da alienação obsessiva de perniciosos efeitos na Terra.. .

Na condição de Terapeuta Divino prescreveu Jesus, contra os flagelos da obsessão: "Fazer ao próximo somente o que desejar que este lhe faça", porquanto, assim procedendo, o amor que nos dedicamos a nós mesmos, automaticamente se dilatará em relação ao nosso próximo, desfazendo as matrizes do mal que ainda se demoram fixadas em muitos dos seres que pululam em torno da Terra, ao mesmo tempo auxiliando-os a despertarem para o bem e para a felicidade.

9. PALAVRA E JESUS
A palavra, colocada a serviço da saúde, exerce inimaginável função terapêutica, oferecendo larga pauta de benefícios. A utilização do verbo de fornia positiva faculta o otimismo, criando uma psicosfera renovadora de que se nutre o ser. Em face do fenômeno da sintonia, o conceito edificante produz empatia e atrai fatores benéficos, inclusive, a presença das Entidades Felizes, que se sentem motivadas a um intercâmbio edificante, mediante o qual se enriquecem os clichés mentais com paisagens novas e a organização físio-psíquica com estímulos benéficos.

A palavra é instrumento da vida para vestir as ideias e exteriorizá-las com clareza. Aplicada de forma edificante, levanta o mundo, sustenta o pensamento e enriquece a vida com belezas. Falando, Jesus estruturou, nas mentes e nos corações, os ideais da vida eterna, de que os fatos e os exemplos por Ele vividos constituíram corolário dos incomparáveis ensinos.

Modulando a palavra com a autoridade de que se fazia portador, impregnou os ouvintes, que jamais foram os mesmos.. .Ouvindo-O, ninguém lograva esquecê-lO. Dialogando com Ele, alicerçavam-se os ideais de enobrecimento humano, que mudaram o curso da História.

Ensinando na cátedra viva da natureza, projetou luz inapagável que passou a clarear os discípulos por todo o sempre. Sempre usou a palavra para a construção imperecível da felicidade humana. Com energia ou doçura, em suave tranquilidade ou grave admoestação, o Seu verbo sempre esteve colocado a serviço do bem e da paz.

Maria de Magdala, atenazada por obsessores cruéis, libertou-se do aturdimento a que fora atirada, sob o magnetismo salutar do Seu veftíb, desobsidiando-se. Simão Pedro, periodicamente influenciado por mentes perniciosas da Erraticidade Inferior, encontrou, na Sua palavra, a terapia da libertação, a ponto de poder oferecer-se integralmente ao ministério da doutrina, que dele fez o grande mártir do Evangelho.

O gadareno, visivelmente possesso, saiu das sombras da alienação e volveu à claridade da razão, ante a Sua voz. Lázaro, retornou do profundo transe da catalepsia, atendendo-Lhe ao chamado enérgico. Perturbador desencarnado, contumaz na ação infeliz, silenciou, em plena Sinagoga, onde desejava gerar tumulto, repreendido pela Sua palavra severa.. . .E falando, no monte, Jesus compôs o soberano código do amor, jamais igualado, que nunca será superado.

Utiliza-te da palavra a fim de inspirares imagens felizes. O que digas, como digas, gerará clichês mentais e incidirá em ondas-pensamento, produzindo resultados conforme a intensidade emocional com que vistas a expressão verbal, favorecendo ou infelicitando aquele a quem a diriges, a ti mesmo responsabilizando.

Faze da palavraum veículo da esperança, da paz, da saúde e do bem. Há demasiado verbo aplicado com o ácido da crítica, com o azedume da inveja e do pessimismo, com a labareda do ódio produzindo o mal. Seja tua a palavra de vida, de vida abundante.

26. VIOLÊNCIA E JESUS
Diante da agressividade que te vigia, impiedosa, exerce o equilíbrio, guardando serenidade. Em todos os trâmites da vida, Jesus é o modelo e guia em quem encontramos a diretriz de segurança. Acicatado pela impiedade farisaica, Ele preconizou o amor indistinto.
Perseguido pela malta irresponsável, Ele recomendou o perdão.

Instado a aceitar a justiça arbitrária, Ele propôs a resignação e a humildade. Antes, porém, em todos os Seus passos, vemos Sua vida assinalada pela total abnegação, com que estabeleceu, na Terra, o primado do Espírito Imortal. Quando a fome angustiava a multidão, Ele transformou peixes e pães em abundante repasto para todos.

Quando defrontou a mulher equivocada, que lhe foi trazida para lapidação, Ele ensinou misericórdia. Insulado, na soledade, buscou Deus. Abandonado pelos comensais do seu afeto, volveu a demonstrar fidelidade ao amor. Traído por um amigo, distendeu a Sua magnanimidade como lição de complacência. Nunca receitou a violência.

A violência, nos quadros do Cristianismo, não vige, em página alguma. Quando hoje, a Terra em aturdimento estertora sob os guantes da agressividade e da violência, que se transformam em lobos ferozes, apavorando os homens, Jesus prossegue o modelo. Não te deixes engalfinhar na luta da arbitrária justiça pelas próprias mãos.

Toda violência oculta um ser enfermo, que extrapola da sua dor para a agressão infeliz. Somente o amor em plenitude e a paz em profundidade podem constituir antídotos eficazes para minimizar a força hiante que avassala o mundo e expulsar este adversário, que se disfarça: o egoísmo! Nenhuma medida existe, a curto prazo, para deter a onda desencadeada pela invigilância desde há muito.

A tarefa que te cumpre realizar é a da educação das gerações moças pelo exemplo de total dignificação humana sob as bênçãos do Senhor. Nenhuma pena capital pode erradicar a paixão ultriz que vige no homem. A tomada de atitude arbitrária mais açula a insânia do pervertido, enquanto que a solidariedade, destruindo o caldo de cultura criminógena, que fecunda, que enlouquece, é o recurso para diminuir e neutralizar a ação do mal que se espraia pelo mundo.

Quem tem Jesus no coração não tomba nas ciladas da impiedade, pois "somente lobos caem nas armadilhas para lobos". Não te deixes atemorizar pela onda de desespero, armando-te de violência para revidar golpe por golpe. O cristão se arma de paz e de amor para atender à luta que vem sendo desencadeada, concitando à misericórdia e ao perdão, em qualquer conjuntura anárquica e perturbadora da atualidade.

Sê tu quem ama, quem confia e quem realiza a resistência pacífica, a fim de mudar a paisagem da Terra e plantar no coração humano o Triunfador Invencível da Cruz. A violência é sempre sem Jesus. Jesus nunca em clima de violência.

52. ANTE O MUNDO E JESUS
O mundo pede socorro a Jesus. Ele atende, porém, espera por nós. O mundo apresenta a larga faixa dos necessitados de pão. Jesus, entretanto, não se esquecendo destes, socorre também os que têm necessidade de luz.

O mundo roga paz, nos estertores da violência em que se debate. Jesus transmite tranquilidade, todavia, emula todos a que nos auxiliemos na fraternidade. O mundo suplica apoio, a fim de liberar-se das constrições do ódio e da loucura.

Jesus, no entanto, é recurso libertador, que propõe a paciência fraternal e o trabalho solidário entre as criaturas. O mundo promove desespero e algaravia. Jesus doa silêncio e fé.

Compara as incertezas no mundo e a segurança com Jesus. Considera os impositivos de fora, no mundo, e as forças interiores que se haurem em Jesus. Vive, no mundo; no entanto, nunca te apartes de Jesus.

Tua vida física, mesmo que se alargue por dezenas de anos-a-fio, defronta um momento em que cessa, conquanto a tua realidade espiritual com Jesus jamais terminará. O mundo te leva a conquistas, mas, Jesus, quando conquista, faz que o homem se vença por dentro. As vitórias externas esmaecem e passam, as íntimas se fortalecem e ficam.

Aprende com a luz. Após realizar o seu périplo, no Universo, depois de contornar a nossa hiperesfera, volve à fonte geradora, seu ponto de partida. . . Ninguém, mesmo que o deseje, jamais fugirá da sua nascente divina. . . Aproveita, portanto, hoje.

No duelo, mundo e Jesus, a tua será a opção da permanente angústia ou da promissora ventura. Diante da moeda que trazia a efígie de César, respondendo à colocação maliciosa e venal do adversário gratuito, Jesus definiu a situação do contributo que cada um deve dar: "a César, o que lhe pertence e a Deus o que é d'Ele". D'Ele, é a vida, e Jesus é o caminho único, mediante o qual lograrás alcançá-Lo.

13 - Caminho, verdade e vida - Emmanuel - pág. 123, 243, 281

54 - A VIDEIRA
"Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador." -Jesus. (JOÃO, 15:1.)
Deus é o Criador Eterno cujos desígnios permanecem insondáveis a nós outros. Pelo seu amor desvelado criam-se todos os seres, por sua sabedoria movem-se os mundos no Ilimitado.

Pequena e obscura, a Terra não pode perscrutar a grandeza divina. O Pai, entretanto, envolve-nos a todos nas vibrações de sua bondade gloriosa. Ele é a alma de tudo, a essência do Universo. Permanecemos no campo terrestre, de que Ele é dono e supremo dispensador.

No entanto, para que lhe sintamos a presença em nossa compreensão limitada, concedeu-nos Jesus como sua personificação máxima.
Útil seria que o homem observasse no Planeta a sua imensa escola de trabalho; e todos nós, perante a grandeza universal, devemos reconhecer a nossa condição de seres humildes, necessitados de aprimoramento e iluminação.

Dentro de nossa pequenez, sucumbiríamos de fome espiritual, estacionados na sombra da ignorância, não fosse essa videira da verdade e do amor que o Supremo Senhor nos concedeu em Jesus-Cristo. De sua seiva divina procedem todas as nossas realizações elevadas, nos serviços da Terra.

Alimentados por essa fonte sublime, compete-nos reconhecer que sem o Cristo as organizações do mundo se perderiam por falta de base. N'Ele encontramos o pão vivo das almas e, desde o princípio, o seu amor infinito no orbe terrestre é o fundamento divino de todas as verdades da vida.


114 - AS CARTAS DO CRISTO
"Porque já é manifesto que sois a carta do Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito de Deus Vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração." — Paulo. (II CORlNTIOS, 3:3.)

É singular que o Mestre não haja legado ao mundo um compêndio de princípios escritos pelas próprias mãos. As figuras notáveis da Terra sempre assinalam sua passagem no planeta, endereçando à posteridade a sua mensagem de sabedoria e amor, seja em tábuas de pedra, seja em documentos envelhecidos.

Com Jesus, porém, o processo não foi o mesmo. O Mestre como que fez questão de escrever sua doutrina aos homens, gravando-a no coração dos companheiros sinceros. Seu testamento espiritual constitui-se de ensinos aos discípulos e não foram nrafarins oor ele mesmo.

Recursos humanos seriam insuficientes para revelar a riqueza eterna de sua Mensagem. As letras e raciocínios, propriamente humanos, na maioria das vezes costumam dar margem a controvérsias. Em vista disso Jesus gravou seus ensinamentos nos corações que o rodeavam e até hoje os aprendizes que lhe conservam fiéis são as suas cartas divinas dirigidas à Humanidade.

Esses documentos vivos do Santificante amor do Cristo palpitam em todas as religiões e em todos os climas. São os vanguardeiros que conhecem a vida superior, experimentam o sublime contacto do Mestre e transformam-se em sua mensagem para os homens.

Podem surgir muitas contendas em torno das páginas mais célebres e formosas, todavia, perante a alma que se converteu em carta viva do Senhor, quando não haja vibrações superiores da compreensão, haverá sempre o divino silêncio.

115 - EMBAIXADORES DO CRISTO
"De sorte que somos embaixadores da parte do Cristo." — (II CORlNTIOS, 5:20.) -
Na catalogação dos valores sociais, todo homem de trabalho honesto é portador de determinada delegação. Se os políticos e administradores guardam responsabilidades do Estado, os operários recebem encargos naturais das oficinas a que emprestam seus esforços.

Cada homem de bem é mensageiro do centro de realizações onde atende ao movimento da vida, em atividade enobrecedora. As ruas estão cheias de emissários das repartições, das fábricas, dos institutos, dos órgãos de fiscalização, produção, amparo e ensino, cujos interesses conjugados operam a composição da harmonia social.

É necessário, contudo, não esquecermos que os valores da vida eterna não permaneceriam no mundo sem representantes. Cristo possui embaixadores permanentes em seus discípulos sinceros. Importa considerar que na presente afirmativa de Paulo de Tarso não vemos alusão ao sacerdócio presunçoso.

Todos os colaboradores leais de Jesus, em qualquer situação da vida e no lugar mais longínquo da Terra, são conhecidos na sede espiritual dos serviços divinos. É com eles, cooperadores devotados e muita vez desconhecidos dos beneficiários do mundo, que se movimenta o Mestre, cada dia, estendendo o Evangelho aplicado entre as criaturas terrestres, até à vitória final.

Entendendo esta verdade, consulta as próprias tendências, atos e pensamentos. Repara a quem serves, porque, se já recebeste a Boa Nova da Redenção, é tempo de te tornares embaixador de sua Luz.


133 - HEGEMONIA DE JESUS
- "Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que, antes que Abraão existisse, eu sou." — (JOÃO,8:58.)
É impossível localizar o Cristo na História, à maneira de qualquer personalidade humana. A divina revelação de que foi Emissário Excelso e o harmonioso conjunto de seus exemplos e ensinos falam mais alto que a mensagem instável dos mais elevados filósofos que visitaram o mundo.

Antes de Abraão, ou precedendo os grandes vultos da sabedoria e do amor na História mundial, o Cristo já era o luminoso centro das realizações humanas. De sua misericórdia partiram os missionários da luz que, lançados ao movimento da evolução terrestre, cumpriram, mais ou menos bem, a tarefa redentora que lhes competia entre as criaturas, antecedendo as eternas edificações do Evangelho.

A localização histórica de Jesus recorda a presença pessoal do Senhor da Vinha. O Enviado de Deus, o Tutor Amoroso e Sábio, veio abrir caminhos novos e estabelecer a luta salvadora para que os homens reconheçam a condição de eternidade que lhes é própria.

Os filósofos e amigos ilustres da Humanidade falaram às criaturas, revelando em si uma luz refratada, como a do satélite que ilumina as noites terrenas; os apelos desses embaixadores dignos e esclarecidos são formosos e edificantes; todavia, nunca se furtam à mescla de sombras.

A vida do Cristo, porém, é diversa. Em sua Presença Divina temos a fonte da verdade positiva, o sol que resplandece.

18 - Depois da morte - Léon Denis - pág. 67

VI - O CRISTIANISMO
Conforme a História, é no deserto que ostensivamente aparece a crença no Deus único, a idéia-mãe de onde devia sair o Cristianismo. Através das solidões pedregosas do Sinai, Moisés, o iniciado do Egito, guiava para a terra prometida o povo por cujo intermédio o pensamento monoteísta, até então confinado nos Mistérios, ia entrar no grande movimento religioso e espalhar-se pelo mundo.

Ao povo de Israel coube um papel considerável. Sua história é como um traço de união que liga o Oriente ao Ocidente, a ciência secreta dos templos à religião vulgarizada. Apesar das suas desordens e das suas máculas, a despeito desse sombrio exclusivismo que é uma das faces do seu caráter, ele tem o mérito de haver adotado, até enraizar-se em si, esse dogma da unidade de Deus, cujas consequências ultrapassaram as suas vistas, preparando a fusão dos povos em uma família universal, debaixo de um mesmo Pai e sob uma só Lei.

Essa perspectiva, grandiosa e extensa, somente foi reconhecida ou pressentida pelos profetas que precederam a vinda do Cristo. Mas esse ideal oculto, prosseguindo, transformado pelo Filho de Maria, dele recebeu radiante esplendor, também comunicado às nações pagãs pelos seus discípulos. A dispersão dos judeus ainda mais auxiliou a sua difusão. Segundo sua marcha através das civilizações decaídas e das vicissitudes dos tempos, ele ficará gravado em traços indeléveis na consciência da Humanidade.

Um pouco antes da era atual, à proporção que o poder romano cresce e se estende, vê-se a doutrina secreta recuar, perder a sua autoridade. São raros os verdadeiros iniciados. O pensamento se materializa, os espíritos se corrompem. A índia fica como adormecida num sonho: extingue-se a lâmpada dos santuários egípcios, e a Grécia, assenhoreada pelos retóricos e pelos sofistas, insulta os sábios, proscreve os filósofos, profana os Mistérios. Os oráculos ficam mudos. A superstição e a idolatria invadem os templos. E a orgia romana se desencadeia pelo mundo, com suas saturnais, sua luxúria desenfreada, seus inebriamentos bestiais. Do alto do Capitólio, a prostituta saciada domina povos e reis. César, imperador e deus, se entroniza numa apoteose ensanguentada!

Entretanto, nas margens do Mar Morto, alguns homens conservam no recesso a tradição dos profetas e o segredo da pura doutrina. Os essênios, grupo de iniciados cujas colônias se estendem até ao vale do Nilo, abertamente se entregam ao exercício da medicina, porém o seu fim real é mais elevado: consiste em ensinar, a um pequeno número de adeptos, as leis superiores do Universo e da vida. Sua doutrina é quase idêntica à de Pitágoras. Admitem a preexistência e as vidas sucessivas da alma; prestam a Deus o culto do espírito.

Nos essênios, como entre os sacerdotes de Mênfis, a iniciação é graduada e requer vários anos de preparo. Seus costumes são irrepreensíveis; passam a vida no estudo e na contemplação, longe das agitações políticas, longe dos enredos do sacerdócio ávido e invejoso.

Foi evidentemente entre eles que Jesus passou os anos que precederam o seu apostolado, anos sobre os quais os Evangelhos guardam um silêncio absoluto. Tudo o indica: a identidade dos seus intuitos com os dos essênios, o auxílio que estes lhe prestaram em várias circunstâncias, a hospitalidade gratuita que, a título de adepto, ele recebia, e a fusão final da ordem com os primeiros cristãos, fusão de que saiu o Cristianismo esotérico.

Mas, na falta de iniciação superior, o Cristo possuía uma alma bastante vasta, bem superabundante de luz e de amor, para nela sorver os elementos da sua missão. Jamais a Terra viu passar maior Espírito. Uma serenidade celeste envolvia-lhe a fronte. Nele se uniam todas as perfeições para formarem um tipo de pureza ideal, de inefável bondade.

Há em seu coração imensa piedade pelos humildes, pelos deserdados. Todas as dores humanas, todos os gemidos, todas as misérias encontram nele um eco. Para acalmar esses males, para secar essas lágrimas, para consolar, para curar, para salvar, ele irá ao sacrifício de a própria vida oferecer em holocausto a fim de reerguer a Humanidade. Quando, pálido, se dirige para o Calvário, e é pregado ao madeiro infamante, encontra ainda em
sua agonia a força de orar por seus carrascos, e de pronunciar estas palavras que nenhum impulso de ternura ultrapassará jamais:

"Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem!" Entre os grandes missionários, o Cristo, o primeiro de todos, comunicou às multidões as verdades que até então tinham sido o privilégio de pequeno número. Para ele, o ensino oculto tornava-se acessível aos mais humildes, senão pela inteligência ao menos pelo coração, e lhes oferecia esse ensino sob formas que o mundo não tinha conhecido, com uma potência de amor, uma doçura penetrante, uma fé comunicativa, que faziam fundir os gelos do cepticismo, eletrizar os ouvintes e arrastá-los após si.

O que ele chamava "pregar o Evangelho do reino dos céus aos simples" era pôr ao alcance de todos o conhecimento da imortalidade e o do Pai comum. Os tesouros intelectuais, que os adeptos avaros só distribuíam com prudência, o Cristo os espalhava pela grande família humana, por esses milhões de seres, curvados sobre a Terra, que nada sabiam do destino e que esperavam, na incerteza e no sofrimento, a palavra nova que os devia consolar e reanimar. Essa palavra, esse ensino, ele distribuiu sem contar, e lhes deu a consagração do seu suplício e da sua morte.

A cruz, esse símbolo antigo dos iniciados, que se encontra em todos os templos do Egito e da índia, tornou-se, pelo sacrifício de Jesus, o sinal da elevação da Humanidade, tirada do abismo das trevas e das paixões inferiores, para ter enfim acesso à vida eterna, à vida das almas regeneradas,

O sermão da montanha condensa e resume o ensino popular de Jesus. Aí se mostra a lei moral com todas as suas consequências; nele os homens aprendem que as qualidades brilhantes não fazem sua elevação nem sua felicidade, mas que só poderão isto conseguir pelas virtudes modestas e ocultas — a Humildade, a Bondade, a Caridade:

"Bem-aventurados os pobres de espírito, porque é para eles o reino dos céus. — Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. — Bem-aventurados os que têm fome de justiça, porque serão saciados. — Bem--aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. — Bem-aventurados os que têm o coração puro, porque verão a Deus."

Assim se exprime Jesus. Suas palavras patenteiam ao homem perspectivas inesperadas. É no mais recôndito da alma que está a origem das alegrias futuras: "O reino dos céus está dentro de vós!" E cada um consegue realizá-lo pela subjugação dos sentidos, pelo perdão das injúrias e pelo amor ao próximo. Para Jesus, no amor encerra-se toda a religião e toda a filosofia.

"Amai vossos inimigos; fazei bem àqueles que vos perseguem e caluniam, a fim de que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus, que faz com que o Sol tanto se levante para os bons como para os maus; que faz chover sobre os justos e injustos. Porque, se só amardes aqueles que vos amam, que recompensa tereis vós?" Esse amor é Deus mesmo quem no-lo exemplifica, pois os seus braços estão sempre abertos ao arrependido. É o que se depreende das parábolas do filho pródigo e da ovelha desgarrada:

"Assim vosso Pai que está nos céus não quer que pereça um só de seus filhos." Não será isto a negação do inferno, cuja idéia se atribuiu a Jesus? Se o Cristo mostra algum rigor e fala com veemência, é a esses fariseus hipócritas que torcem a lei moral, entregando-se às práticas minuciosas de devoção. A seus olhos é mais louvável o samaritano cismático do que o sacerdote e o levita que desdenham socorrer um ferido. Ele desaprova as manifestações do culto exterior, e levanta-se contra esses sacerdotes:

"Cegos condutores de cegos, homens de rapina e de corrupção que, a pretexto de longas preces, devoram os bens das viúvas e dos órfãos." Aos devotos que acreditam salvar-se pelo jejum e abstinência, diz: "Não é o que entra pela boca que mancha o homem, mas o que dela sai." Aos partidários de longas orações, responde: "Vosso Pai sabe aquilo de que tendes necessidade, antes que lho peçais."

Jesus condenava o sacerdócio, recomendando aos seus discípulos não escolherem nenhum chefe, nenhum mestre. Seu culto era íntimo, o único digno de espíritos elevados, e a respeito do qual assim se exprime: "Vai chegar o tempo em que os verdadeiros crentes adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque são estes os adoradores que o Pai procura. Deus é espírito, e cumpre que os seus filhos o adorem em espírito e verdade." O Cristo só impõe a prática do bem e da fraternidade:

"Amai vosso próximo como a vós mesmos, e sede perfeitos assim como vosso Pai celeste é perfeito. Eis toda a lei e os profetas." Em sua simplicidade eloquente, este preceito revela o fim mais elevado da iniciação — a pesquisa da perfeição, que é, ao mesmo tempo, a do conhecimento e da felicidade. Ao lado desses ensinos que se dirigem aos simples, Jesus também deixou outros, onde a doutrina oculta dos Espíritos é reproduzida em traços de luz.

Nem todos podiam subir a tais alturas, e eis por que os tradutores e intérpretes do Evangelho alteraram, através dos séculos, a sua forma e corromperam-lhe o sentido. Apesar das alterações, é fácil reconstituir esse ensino a quem se liberta da superstição da letra para ver as coisas pela razão e pelo espírito. É principalmente no Evangelho de S. João que encontraremos feição ainda mais acentuada:

"Há diversas moradas na casa de meu pai. Vou preparar o vosso lugar, e, depois que eu for e tudo houver arranjado, voltarei e vos chamarei a mim, para que onde eu estiver também vos encontreis." A casa do Pai é o céu infinito com os mundos que o povoam e a vida imensa, prodigiosa, que se espalha na sua superfície. São as inumeráveis estações na nossa jornada, e que somos chamados a conhecer se seguirmos os preceitos de Jesus. Ele descerá até nós para induzir-nos, por exemplo, à conquista dos mundos superiores à Terra. No Evangelho também se nos depara a afirmação das vidas sucessivas da alma:

"Em verdade, se o homem não renascer de novo não poderá entrar no reino de Deus. — O que nasce da carne é carne, o que nasce do espírito, é espírito. — Não vos admireis do que vos digo, pois é necessário nascerdes de novo. — O espírito sopra onde quer e entendeis a sua voz, mas não sabeis donde ela vem, nem para onde vai; também sucede o mesmo com todo homem que nasce do espírito." "Quando os seus discípulos lhe interrogam:

"Por que dizem os escribas que é preciso primeiro que Elias volte?" Ele responde: "Elias já voltou, porém não o reconheceram." E os discípulos compreendem então que Jesus se referia a João Batista. Ainda em outra ocasião diz o seguinte: "Em verdade, entre todos os filhos de mulher nenhum há maior que João Batista. E se quiserdes entender, é ele mesmo Elias que deve vir. Que ouça aquele que tem ouvidos para ouvir."

O alvo a que tende cada um de nós e a sociedade inteira está claramente indicado. É o reinado do "Filho do homem", do Cristo social, ou, em outros termos, o reinado da Verdade, da Justiça e do Amor. As vistas de Jesus dirigem-se para o futuro, para esses tempos que nos são anunciados. "Enviar-vos-ei o Consolador. — Tinha ainda muitas coisas a dizer-vos, porém ainda não poderíeis compreendê-las. — Quando vier esse Espírito de Verdade, ele vô-las ensinará e restabelecerá tudo no seu sentido verdadeiro."

Algumas vezes, o Cristo resumia as verdades eternas em imagens grandiosas, em traços brilhantes. Nem sempre os apóstolos o compreendiam, mas ele deixava aos séculos e aos acontecimentos o cuidado de fazer frutificar esses princípios na consciência da Humanidade, como a chuva e o Sol fazem germinar a semente confiada à terra. É nesse sentido que assim se exprimiu: "O céu e a Terra passarão, porém não as minhas palavras."

Jesus dirigia-se pois simultaneamente ao espírito e ao coração. Aqueles que não tivessem podido compreender Pitágoras e Platão, sentiam suas almas comoverem--se aos eloquentes apelos do Nazareno. É por aí que a doutrina cristã domina todas as outras. Para atingir a sabedoria, era preciso, nos santuários do Egito e da Grécia, franquear os degraus de uma longa e penosa iniciação, ao passo que pela caridade todos podiam tornar-se bons cristãos e irmãos em Jesus.

Mas, com o tempo, as verdades transcendentais se velaram. Aqueles que as possuíam foram suplantados pelos que acreditavam saber, e o dogma material substituiu a pura doutrina. Dilatando-se, o Cristianismo perdeu em valor o que ganhava em extensão. A ciência profunda de Jesus vinha juntar-se à potência fluídica do iniciado superior, da alma livre do jugo das paixões, cuja vontade domina a matéria e impera sobre as forças sutis da Natureza. O Cristo possuía a dupla vista; seu olhar sondava os pensamentos e as consciências; curava com uma palavra, com um sinal, ou mesmo somente bastando a sua presença.

Eflúvios benéficos se lhe escapavam do ser, e à sua ordem os maus espíritos se afastavam. Comunicava-se facilmente com as potências celestes, e, nas horas de provação, alentava desse modo a força moral que lhe era necessária em sua viagem dolorosa. No Tabor, seus discípulos, deslumbrados, o vêem conversar com Moisés e Elias. É assim mesmo que mais tarde, depois de crucificado, Jesus lhes aparece na irradiação do seu corpo fluídico, etéreo, desse corpo a que Paulo se refere nos seguintes termos: "Há em cada homem um corpo animal e um corpo espiritual." (...)

19 - Emmanuel - Emmanuel - pág. 27

A ASCENDÊNCIA DO EVANGELHO
Nenhuma expressão fornece imagem mais justa do poder d'Aquele a quem todos os espíritos da Terra rendem culto do que a de João, no seu Evangelho — "No princípio era o Verbo..." Jesus, cuja perfeição se perde na noite imperscrutável das eras, personificando a sabedoria e o amor, tem orientado todo o desenvolvimento da Humanidade terrena, enviando os seus iluminados mensageiros, em todos os tempos, aos agrupamentos humanos e, assim como presidiu à formação do orbe, dirigindo, como Divino Inspirador, a quantos colaboraram na tarefa da elaboração geológica do planeta e da disseminação da vida em todos os laboratórios da Natureza, desde que o homem conquistou a racionalidade, vem-lhe fornecendo a idéia da sua divina origem, o tesouro das concepções de Deus e da imortalidade do espírito, revelando-lhe, em cada época, aquilo que a sua compreensão pode abranger.

Em tempos remotos, quando os homens, fisicamente, pouco dessemelhavam dos antropopitecos, suas manifestações de religiosidade eram as mais bizarras, até que, transcorridos os anos, no labirinto dos séculos, vieram entre as populações do orbe os primeiros organizadores do pensamento religioso que, de acordo com a mentalidade geral, não conseguiram escapar das concepções de ferocidade que caracterizavam aqueles seres egressos do egoísmo animalesco da irracionalidade. Começaram aí os primeiros sacrifícios de sangue aos ídolos de cada facção, crueldades mais longínquas que as praticadas nos tempos de Baal, das quais tendes notícia pela História.

AS TRADIÇÕES RELIGIOSAS

Vamos encontrar, historicamente, as concepções mais remotas da organização religiosa na civilização chinesa, nas tradições da Índia védica e bramânica, de onde também se irradiaram as primeiras lições do Budismo, no antigo Egito, com os mistérios do culto dos mortos, na civilização resplandecente dos faraós, na Grécia com os ensinamentos órficos e com a simbologia mitológica, existindo já grandes mestres, isolados intelectualmente das massas, a quem ofereciam os seus ensinos exóticos, conservando o seu saber de iniciados no círculo restrito daqueles que os poderiam compreender devidamente.

OS MISSIONÁRIOS DO CRISTO

Fo-Hi, os compiladores dos Vedas, Confúcio, Hermes, Pitágoras, Gautama, os seguidores dos mestres da antiguidade, todos foram mensageiros de sabedoria que, encarnando em ambientes diversos, trouxeram ao mundo a idéia de Deus e das leis morais a que os homens se devem submeter para a obtenção de todos os primores da evolução espiritual. Todos foram mensageiros d'Aquele que era o Verbo do Princípio, emissários da sua doutrina de amor.

Em afinidade com as características da civilizacão e dos costumes de cada povo, cada um deles foi portador de uma expressão do "amai-vos uns aos outros". Compelidos, em razão do obscurantismo dos tempos, a revestir seus pensamentos com os véus misteriosos dos símbolos, como os que se conheciam dentro dos rigores iniciáticos, foram os missionários do Cristo preparadores dos seus gloriosos caminhos.

A LEI MOISAICA

A lei moisaica foi a precursora direta do Evangelho de Jesus. O protegido de Termutis, depois de se beneficiar com a cultura que o Egito lhe podia prodigalizar, foi inspirado a reunir todos os elementos úteis à sua grandiosa missão, vulgarizando o monoteísmo e estabelecendo o Decálogo, sob a inspiração divina, cujas determinações são até hoje a edificação basilar da Religião da Justiça e do Direito, se bem que as doutrinas antigas já tivessem arraigado a crença de Deus único, sendo o Politeísmo apenas uma questão simbológica, apta a satistazer à mentalidade geral.

A legislação de Moisés está cheia de lendas e de crueldades compatíveis com a época, mas, escoimada de todos os comentários fabulosos a seu Despeito, a sua figura é, de fato, a de um homem extraordinário, revestido dos mais elevados poderá espirituais. Foi o primeiro a tornar acessíveis às massas populares os ensinamentos somente conseguido, à custa de longa e penosa iniciação, com a síntese luminosa de grandes verdades.

JESUS

Com o nascimento de Jesus há corno que uma comunhão direta do Céu com a Terra. Estranhas e admiráveis revelações perfumam as almas e o Enviado oferece aos seres humanos toda a grandeza do seu amor, da sua sabedoria e da sua misericórdia. Aos corações abre-se nova torrente de esperanças e a Humanidade, na Manjedoura, no Tabor e no Calvário, sente as manifestações da vida celeste, sublime em sua gloriosa espiritualidade.

Com o tesouro dos seus exemplos e das suas palavras, deixa o Mestre entre os homens a sua Boa Nova. O Evangelho do Cristo é o transunto de todas as filosofias que procuram aprimorar o espírito, norteando-lhe a vida e as aspirações. Jesus foi a manifestação do amor de Deus, a personificação de sua bondade infinita.

O EVANGELHO E O FUTURO

Raças e povos ainda existem, que o desconhecem, porém não ignoram a lei de amor da sua doutrina, porque todos os homens receberam, nas mais remotas plagas do orbe, as irradiações do seu espírito misericordioso, através das palavras inspiradas dos seus mensageiros.

O Evangelho do Divino Mestre ainda encontrará, por algum tempo, a resistência das trevas. A ma-fé, a ignorância, a simonia, o império da força conspirarão contra ele, mas tempo virá em que a sua ascendência será reconhecida. Nos dias de flagelo e de provações coletivas, é para a sua luz eterna que a Humanidade se voltará, tomada de esperança. Então, novamente se ouvirão as palavras benditas do Sermão da Montanha e, através das planícies, dos montes e dos vales, o homem conhecerá o caminho, a verdade e a vida.


20 - Estude e viva -André Luiz e Emmanuel - pág. 156, 188

No exame do perdão
Observemos o ensinamento do Cristo, acerca do perdão. Note-se que o Senhor afirma, convincente: — «Se o vosso irmão agiu contra vós...» Isso quer dizer que Jesus principia considerando-nos na condição de pessoas ofendidas, incapazes de ofender; ensina-nos a compreender os semelhantes, crendo-nos seguros no trato fraternal.

Nas menores questões de ressentimento, sujeitemo-nos a desapaixonado auto-exame. Quem sabe a reação surgida contra nós terá nascido de ações impensadas, desenvolvidas por nós mesmos ? Se do balanço de consciência estivermos em débito para com os outros, tenhamos suficiente coragem de solicitar-lhes desculpas, diligenciando sanar a falta cometida e articulando serviço que nos evidencie o intuito de reparação.

Se nos sentimos realmente feridos ou injustiçados, esqueçamos o mal. Na hipótese de o prejuízo alcançar-nos individualmente e tão-somente a nós, reconheçamo-nos igualmente falíveis e ofertemos aos nossos inimigos imediatas possibilidades de reajuste. Se, porém, o dano em que fomos envolvidos atinge a coletividade, cabendo à justiça e não a nós o julgamento do golpe verificado, é claro que não nos compete louvar a leviandade.

Ainda assim, podemos reconciliar-nos com os nossos adversários, em espírito, orando por eles e amparando-os, por via indireta, a fim de que se valorizem para o bem geral nas tarefas que a vida lhes reservou.

De qualquer modo, evitemos estragar o pensamento com o vinagre do azedume. Nem sempre conseguimos jornadear, nas sendas terrestres, junto de todos, porquanto, até que venhamos a completar o nosso curso de autoburilamento no instituto da evolução universal, nem todos renasceremos simultaneamente numa só família e nem lograremos habitar a mesma casa.

Sigamos, assim, de nossa parte, vida afora, em harmonia com todos, embora não possamos a todos aprovar, entendendo e auxiliando, desinteressadamente, aqueles diante dos quais ainda não possuímos o dom de agradar em pessoa, e rogando a Bênção Divina para aqueles outros junto de quem não nos será lícito apoiar a delinquência ou incentivar a perturbação.

Perdão e nós
Habitualmente, consideramos a necessidade do perdão apenas quando alvejados por ofensas de caráter público, no intercurso das quais recebemos tantos testemunhos de solidariedade, na esfera dos amigos, que nos demoramos hipnotizados pelas manifestações afetivas, a deixar-nos em mérito duvidoso .

A ciência do perdão, todavia, tão indispensável ao equilíbrio, quanto o ar é imprescindível à existência, começa na compreensão e na bondade, perante os diminutos pesares do mundo íntimo.

Não apenas desculpar todos os prejuízos e desvantagens, insultos e desconsiderações maiores que nos atinjam a pessoa, mas suportar com paciência e esquecer completamente, mesmo nos comentários mais simples, todas as pequeninas injustiças do cotidiano, como sejam:

a observação maliciosa;
a referência pejorativa;
o apelo sem resposta;
a gentileza recusada;
o benefício esquecido;
o gesto áspero;
a voz agressiva;
a palavra impensada;
o sorriso escarnecedor;
o apontamento irônico;
a indiscrição comprometedora;
o conceito deprimente;
a acusação injusta;
a exigência descabida;
a omissão injustificável;
o comentário maledicente;
a desfeita inesperada;
o menosprezo em família;
a preterição sob qualquer aspecto;
o recado impiedoso...
Não nos iludamos em matérias de indulgência.

Perdão não é recurso tão-somente aplicável nas grandes dores morais, à feição do traje a rigor, unicamente usado em horas de cerimônia. Todos somos suscetíveis de erro e, por isso mesmo, perdão é serviço de todo instante, mas, assim como o compositor não obtém a sinfonia sem passar pelo solfejo, o perdão não existe, de nossa parte, ante os agravos grandes, se não aprendemos a relevar as indelicadezas pequenas.


Resignação e resistência
De fato, há que se estudar a resignação para que a paciência não venha a trazer resultados contraproducentes . Um lavrador suportará corajosamente aguaceiro e granizo na plantação, mas não se acomodará com gafanhoto e tiririca. Habitualmente, falamos em tolerância como quem procura esconderijo à própria ociosidade.

Se nos refestelamos em conforto e vantagens imediatas, no império da materialidade passageira, que nos importam desconforto e desvantagens para os outros ? Esquecemo-nos de que o incêndio vizinho é ameaça de fogo em nossa casa e, de imprevisto, irrompem chamas junto de nós, comprometendo-nos a segurança e fulminando-nos a ilusória tranquilidade.

Todos necessitamos ajustar a resignação no lugar certo. Se a Lei nos apresenta um desastre inevitável, não é justo nos desmantelemos em gritaria e inconformação. É preciso decisão para tomar os remanescentes e reentretecê-los para o bem, no tear da vida. Se as circunstâncias revelam a incursão do tifo, não é compreensível cruzar os braços e deixar campo livre aos bacilos.

Sempre aconselhável a revisão de nossas atitudes no setor da conformidade. Como reagimos diante do sofrimento e diante do mal? Se aceitamos penúria, detestando trabalho, nossa pobreza resulta de compulsório merecimento. Civilização significa trabalho contínuo contra a barbárie.

Higiene expressa atividade infinitamente repetida contra a imundície. Nos domínios da alma, todas as conquistas do ser, no rumo da sublimação, pedem harmonia com ação persistente para que se preservem. Paz pronta ao alarme. Construção do bem com dispositivo de segurança. Serenidade é constância operosa; esperança é ideal com serviço.

Ninguém cultive resignação diante do mal declarado e removível, sob pena de agravá-lo e sofrer-lhe a clava mortífera. Estudemos resignação em Jesus-Cristo. A cruz do Mestre não é um símbolo de apassivamento à frente da astúcia e da crueldade e sim mensagem de resistência contra a mentira e a criminalidade mascaradas de religião, num protesto firme que perdura até hoje.


21 - Estudos Espíritas - Joanna de Ângelis- pág. 181

25. JESUS
CIRCUNSTÂNCIAS — Após as contínuas vicissitudes experimentadas através dos tempos, a Casa de Israel se mantinha obstinada quanto ao regime de exceção que supunha merecer desfrutar entre as demais nações da Terra. Não obstante os incessantes bafejos da Misericórdia Divina, pela boca dos incontáveis profetas, os hebreus auguravam a plenitude celeste através da rígida ritualística terrena e dos preceitos humanos, granjeando, assim, supremacia para eles próprios de modo a tomarem as rédeas da hegemonia política das mãos arbitrárias dos gentios, assumindo-as depois, não menos arbitrariamente, eles mesmos...

Aqueles eram, portanto, sem dúvida dias de contrastes e paradoxos, sob quaisquer aspectos em que fossem considerados. O antigo esplendor se apagara, embora a astúcia de Heródes, que se empenhava, por todos os meios, em manter-se no trono que fora negociado, a pesado tributo, com o Império Romano dominador. Em consequência, os valores éticos, desde há muito sem oportunidade de espraiarem o conceito veneratio vitae, das antigas tradições, ora renascido, eram manipulados a bel-prazer das circunstâncias, em que o absolutismo da força trabalhava esmagando as diretrizes do direito.

O homem, reduzido à expressão mais simples, significava o que valia no jogo arriscado das posições transitórias, cujas peças mudavam de lugar, conforme sopravam os ventos que as intrigas prolongadas produziam nos ouvidos dos astutos governantes. Não apenas em Israel ocorria assim. As cidades vencidas eram disputadas por ambiciosos árbitros argentários que logo as transformavam em espólios inermes, sob as garras da rapina irreversível, até a consumação pelo desfalecimento total.

Na Capital do Império, a voz das legiões assustava o Senado e, apesar de as leis elaboradas no período do "divino" César — tão estróina e venal quanto poderoso soldado — permanecerem em vigor, Augusto assumira o poder em circunstâncias muito singulares e complexas... Amante da paz, chegara ao trono após lutas cruentas e sanguinárias.

Esteta e frágil, prometera arrancar ao Egito Antônio e arrastá-lo galé até às escadarias do Senado, ante o delírio do povo, demonstrando força e audácia, o que não conseguiu em razão do nefário suicídio duplo que aquele e Cleópatra se impuseram, em fuga espetacular à responsabilidade. Idealista, esmagara contínuas rebeliões que lavraram por toda parte.

Acoimado por enfermidades constritoras, no entanto, estimulou as Artes, a Filosofia, a Literatura, de tal forma que o seu foi o período áureo. Apesar disso, padecia no lar terríveis flagícios morais que o martirizavam, tendo lenidas somente as ulcerações íntimas, quando se empolgava ante as massas deslumbradas que o ovacionavam, na tribuna de ouro a que assomava, nos inesquecíveis espetáculos públicos...

O mundo era, então, imensurável caldeira de aflições. Os nobres ideais da Humanidade de todos os tempos vicejavam efemeramente, para logo sucumbirem. O carro da guerra dizimava cidades inteiras e a ferocidade dos homens pouco diferia das expressões selvagens das feras. Ao lado do poder externo destrutivo, o culto do prazer atingia expressões dantes não igualadas, nem sequer sonhadas.

O homem fossilizava-se, mantendo-se nos pauis da sensualidade, a repetir os espetáculos truanescos do passado com as motivações vis do presente. A ambição do poder e da glória, da fortuna e do mando engendrava as facilidades para as exteriorizações da sensação nunca amainada. Os governos tinham por motivação "dividir para imperar" e "possuir para gozar".

Aumentavam, no entanto, os desaires e frustrações, as penas e injunções da perversidade, porquanto somente as experiências decorrentes do amor e da ordem facultam paz, como propiciam entusiasmo sadio aos que lhe fazem culto de submissão e serviço. O homem, todavia, estimulado pelas conquistas ultrajantes em que predominavam as manifestações do instinto, se permitia continuar nas insanas pelejas do ódio, da astúcia, da intriga, embora os imediatos malogros nos quais sucumbia.

De um lado, as inspirações divinas, através das musas, a se manifestarem nos sábios, nos artistas e filósofos conclamando à beleza, à cultura, à fé. E, simultaneamente, o fogo-fátuo da dominação guerreira, a arder por um dia para logo se consumir em treva densa, na qual as sombras do horror chafurdam no desespero inominável. O instinto animal lutando por domínio e a inteligência sonhando pela fixação do sentimento e da razão.

O despotismo da força, no entanto, erigia os monumentos que fascinam e despertam a bajulação, o agrado e o engodo das fantasias céleres, mas anestesiantes e absorventes.... Hoje, porém, ainda é quase assim. A História se repete invariavelmente, até que os rios das lágrimas lavem todas as purulentas feridas que as paixões produzem, ensejando o nascer da saúde moral.

As grandes lições do passado não parecem ter ensinado às sucessivas gerações o indispensável à felicidade e à paz, de modo a que se evitassem contínuas, demoradas agonias, que se repetem exaustivas, demolidoras... A moderna "revolução industrial" certamente modificou a técnica da economia universal e estatuiu novos códigos de moral. Simultaneamente, estimulou o relaxamento dos valores éticos e humanos, reduzindo o homem a condição mínima ante as conquistas da máquina.

Indubitavelmente, as mudanças se fazem necessárias, sem que, contudo, sejam destruídas ou subestimadas as aquisições-alicerces da evolução. Talvez, vencido por incoercível angústia, foi que Voltaire declarou ser a História "uma coleção de crimes, loucuras e desgraças", olvidando as estruturas que arrancaram o homem, a duras penas, da animalidade à civilização.

E os exemplos de renúncia, de bondade, de abnegação e de sacrifício que salmodiam bênçãos em todos os fastos dos tempos? Também eram tormentosos aqueles dias.

Então, no fragor de mil angústias e cruentas lutas, no solstício do inverno do ano l a.C., nasceu Jesus. (As opiniões históricas e da tradição variam. Os estudiosos da cronologia calculam que tal ocorrência se deu entre 4 e 8 a.C, o que afinal não é importante, em se considerando que o essencial é que Ele veio ter conosco.J.A)

A NOVA ERA — Incompreendido desde os primeiros instantes, a Sua é a vida dos feitos heróicos, da renúncia, do sacrifício e do supremo amor. Anunciado pelos anjos e por eles assessorado, inaugurou desde o berço o período da humildade, em que a vitória do direito se faz legítima ante a prepotência da força.

Elegendo o bucolismo das paisagens verdejantes e a adusta aridez das montanhas, onde o horizonte visual se confunde a distância, entoou o hino mais estóico e nobre que jamais foi modulado na Terra, de tal modo que nenhum clamor conseguiu abafá-lo, ou qualquer tormenta logrou silenciá-lo.

Escolhendo a meditação, em profundos ensimesmamentos, nos quais mergulhava no Oceano do Pensamento Divino, alimentava-se mais da oração de que toda hora se nutria do que do repasto material. Dispondo de todos os recursos imagináveis, preferiu a simplicidade para assinalar a Sua presença e mimetizar os que dele se acercavam, sem que O pudessem esquecer jamais.

Utilizando-se das expressões comuns, Suas palavras adquiriram desconhecida vitalidade. Preferindo a solidão, mas podendo arregimentar exércitos de fiéis servidores, apenas chamou doze companheiros de frágil estrutura cultural e moral, na aparência, para o ministério, modificando os conceitos humanos da Terra e reformulando as bases sociais, culturais e artísticas da Humanidade, desde então. Jesus, o Divino Sol! Sem embargo, dialogou e conviveu com aqueles que se deixaram vencer pelos vis miasmas das iniqüidades...

Não os censurou, nem os execrou. Em momento algum os constrangeu ou os magoou. Ofereceu-lhes mãos amigas, generoso concurso.
Fê-los entender e desejar o dealbar de novos dias de sol e paz, que passaram a anelar, lutando com acendrado esforço por consegui-los. Sabia que dentre os Seus, os escolhidos, havia o barro da fragilidade humana; entretanto, não os amou menos.

Conhecia o travo que deixa n'alma as tentações e investiu os que d'Ele se acercavam com recursos poderosos, a fim de pugnarem contra elas, apesar de não ignorar que nem sempre conseguiriam permanecer imunes sob tal guante. Viveu cercado pela malícia de muitos e experimentou o acicate dos astuciosos, impertérrito, a serviço do Pai. E amou sempre, incessantemente, por ser o amor a fonte inexaurível da vida.

Diante dos aparentemente grandes da Terra jamais se apequenou e ao lado dos pequenos não os sombreou com a Sua grandeza, antes os levantou à categoria de amigos, à nobreza de irmãos. Tinha a certeza da necessidade de ser imolado... A Terra exigia holocaustos, ainda. Doou-Se com imperturbável serenidade. Nenhuma queixa. Solicitação alguma fez. Traído, perdoou. Abandonado, ligou-Se ao Pai.

Conquanto todas as acres aflições experimentadas, retornou ao seio dos amigos atoleimados, ansiosos, saudosos, atestando para eles a excelência da Imortalidade. Seus ditos, Seus feitos ora recordados e estudados, dão a eloquente dimensão da Nova Era que veio implantar, cujos alicerces são o hálito do amor e o pão da caridade.

Libertando as consciências da sombra do egoísmo, conseguiu romper a grilheta dos evos recuados, facultando às criaturas a verdadeira visão do mundo e da vida, o legítimo valor das coisas, dos objetos, das posições.Sua mensagem de fraternidade igualou todos os homens, cujas diferenças estão nas indestrutíveis e inamovíveis conquistas do espírito imortal, em que o maior se faz servo do menor e o que possui se despoja para socorrer o que não conseguiu reter...

Enquanto as crianças, as mulheres, os velhos, os mutilados e os enfermos constituíam carga inútil, pesando na economia social, Ele inaugurou os dias da misericórdia e da esperança para todos. Honrou a mulher, soerguendo-a da escravidão que padecia sob os abusos da masculinidade, sustentando-a nas suas aparentes limitações e santificando-a, graças à maternidade. As crianças foram tomadas como símbolo de pureza. A viuvez e a dor, sob qualquer disfarce, receberam o bálsamo do alento, da alegria e da oportunidade.

Não construiu um reino de mendigos — antigos potentados; de enfermos — anteriores estróinas da saúde; de atormentados — passados perseguidores; de vencidos — que vinham de vitórias mentirosas; do expurgo social — que antes ultrajava e corrompia —, mas plantou as bases da família universal legítima sem qualquer limite de fronteira, raça ou posição terrena. Os pródromos da Nova Era nele começaram e se desenvolverão pelo futuro do tempo melhor.

JESUS e ESPIRITISMO
— Em face da decadência do pensamento cristão mediante as naturais injunções humanas através do tempo, deturpações estas esperadas e compreensíveis, em considerando o estágio evolutivo em que se encontrava o homem, Jesus prometeu o Consolador, que se encarregaria de restabelecer os ensinos na sua pureza primitiva e completar as necessidades intelectuais das criatura» no período das investigações científicas e culturais.

Sob a Sua direção, as "Vozes dos Céus" voltariam à Terra a fim de consolar os homens e consolidar neles as aspirações libertadoras. Sem o perigo de novas injunções negativas, porque o advento do Espírito de Verdade facultaria mais amplas possibilidades de intercâmbio entre as duas esferas da vida a material e a espiritual, os Espíritos impediriam, no momento propício, as chãs turbações humanas que ameaçassein a sua inteireza doutrinária e moral.

O Espiritismo, portanto, veio restaurar o Cristianismo e o fato espeta fundamentou a existência de Jesus, repetindo na atualidade as realizações do pretérito, enquanto despiu das fantasias do miraculoso e do sobrenatural os eventos e realizações normais, inusitadas quanto legítimas.

Ao tempo em que sondas e naves espaciais se adentram pelo Sistema Solar, tentando decifrar-lhe alguns enigmas e os observatórios radioastronômlcos escutam o pulsar das estrelas, buscando a linguagem da vida nelas existente; enquanto instrumentos sensíveis penetram nas partículas infinitesimais, estudando-as e compreendendo a sua constituição, os Espíritos retornam, proclamando a experiência imortalista além da sepultura e a vida inteligente precedente ao berço, em sublime epopéia de inigualável grandeza para o ser humano.

Nem extinção do ser nem sofrimento perene para o Espírito. Vida estuante, sim, meta-felicidade, vida total! Confirmando Jesus, Kardec consubstanciou o Paracleto. Afirmando Kardec, Jesus, pelos Espíritos, voltou à Terra, a ampliar-lhe infinitamente os horizontes na direção das galáxias. Jesus, o Excelso Rei Solar! Espiritismo, estrela fulgurante e sempre luminescente no Mundo!

ESTUDO E MEDITAÇÃO:

"Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo? -"Jesus."
(O Livro dos Espíritos, Aliam Kardec, questão 625.)
"Assim como o Cristo disse: "Não vim destruir a lei, porém cumpri-la", também o Espiritismo diz: "Não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe execução." Nada ensina em contrário ao que ensinou o Cristo; mas, desenvolve, completa e explica, em termos claros e para toda gente, o que foi dito apenas sob forma alegórica. Vem cumprir, nos tempos preditos, o que o Cristo anunciou e preparar a realização das coisas futuras. Ele é, pois, obra do Cristo, que preside, conforme igualmente.