IDEOPLASTIA
BIBLIOGRAFIA
01- A crise da morte - pág. 33, 79, 115 02 - A reencarnação - pág. 117
03 - Análise das coisas - pág. 54, 60 04 - Antologia do Perispírito - ref. 759
05 - Ciência e Espiritismo - pág. 147 06 - Da alma humana - pág. 175
07 - Depoimentos vivos - pág. 27 08 - Devassando o invisível - pág. 93
09 - Emmanuel - pág. 155 10 - Grilhões partidos - pág. 182
11 - Guia do Espiritismo - pág. 242 12 - Mecanismo da mediunidade - pág. 137
13 - Mediunidade - pág. 60,132 14 - Metapsíquica humana - pág. 146, 198
15 - No limiar do infinito - pág.29

16 - O ser e a serenidade - pág. 85

17 - Parapsicologia hoje e amanhã - pág. 151 18 - Pensamento e vontade- pág. 5
19 - Psi quântico - pág. 77, 251 20 - Resumo da Doutrina Espírita - pág. 178
21 - Saúde e Espiritismo - pág. 167 22 - Tambores de Angola - pág. 75
23 - Universo e vida- pág. 77 v-6 24 - Vida e obra de Bezerra de Menezes - pág. 151
25 - Vozes do Grande Além- pág. 87  

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

IDEOPLASTIA – COMPILAÇÃO

02 - A reencarnação - Gabriel Delanne - pág. 117

Aparição de animais em sessões experimentais
"Em uma sessão do mês de novembro de 1877, em casa do Comandante Devoluette, disse a médium Amélia que alguma coisa se apresentava na mesa, e precisamente numa grande folha ali posta para a escrita direta. Aí tem! Um animal, vejo patas! Ah! é um cãozinho sentado no papel, com o nariz curto, olhos grandes, redondos, orelhas compridas, cauda de longos pêlos, patas finas e compridas. Ouvimos logo um bater de patas e abalos na mesa, pondo-nos a médium ao corrente dos movimentos do animal. Ele salta, prende o papel entre os pés, arranha-o, torce-o, dilacera-o. Ai! que medo! Salta-me no ombro, passa para as costas da Sra. X... (esta senhora sente o choque), volta à primitiva posição.

Todos ouvimos pequenos latidos, e minha mulher sente nas mãos as patas do animal. Em seguida, ele lambe as mãos de Amélia, as da Sra. X... e desaparece. Acesa a luz, encontramos o papel torcido, dilacerado e distintamente denunciada a impressão de pequenas garras. Os latidos ouvidos pelos assistentes e os traços das unhas deixados no papel, parecem estabelecer a realidade do cão fantasma.

Materializações visíveis de formas de aninais

"As materializações de formas animais não são raras com Frank Kluski. Nos relatórios das sessões de estudos psíquicos de Varsóvia, temos a assinalar, especialmente, uma rapina, que apareceu várias vezes e foi fotografada; depois um ser bizarro, espécie de intermediário entre o macaco e o homem. Tem a estatura de um homem, uma face simiesca, desenvolvida e reta, o rosto e o corpo coberto de compridos, mãos fortes e longas. Parece sempre comovido, toma as mãos dos assistentes e as lambe como faria um cão.


Ora, esse ser, que denominamos "o Pitecantropo" manifestou-se muitas vezes durante nossas sessões. Um na sessão de 20 de novembro de 1920, sentiu sua grande cabeça aveludada apoiar-se-lhe pesadamente no ombro, junto ao rosto. Essa cabeça era guarnecida de cabelos bastos e rudes. Um odor de animal selvagem, de cão molhado, desprendia-se dele. Um dos presentes estendeu a mão; apanhou-a o Pitecantropo e lambeu-a longamente, por três vezes. Sua língua era grande macia."

Eis alguns pormenores, concernentes a esse ser bizarro; são extraídos dos relatórios das sessões de Varsóvia, em 1919:
"É um ser do tamanho de um homem adulto, muito peludo, com uma grande crina, e uma barba hirsuta. Estava como que revestido de uma pele crepitante; a aparência era a de um animal ou de um homem muito primitivo. Não falava, mas emitia, com os lábios, sons roucos, estalava a língua e rangia os dentes, procurando, em vão, fazer-se compreender. Quando o chamavam, aproximava-se; deixava que lhe acariciassem a pele veludosa, tocava as mãos dos assistentes, arranhava-as docemente, antes com garras, do que com unhas. Obede­cia à voz do médium e não fazia mal aos assistentes.

Era um progresso, porque, nas sessões anteriores, este ser manifestava grande violência e brutalidade. Tinha uma tendência visível e uma vontade tenaz de lamber a mão e o rosto dos assistentes, que se defendiam dessas carícias bem desagradáveis. Obedecia às ordens do médium, não só quando expressas pela palavra, senão quando expressas pelo pensamento. Outras vezes sentíamos, sob os joelhos, fricções como as de um cão." Ao correr do ano de 1922, o Dr. Geley foi a Varsóvia e sei que ele verificou, nas sessões com o médium Kluski, materializações de cães.

Os Noevi

A analogia que existe entre o princípio espiritual dos animais e o dos homens pode ainda ser demonstrada pela influência que a imaginação exerce sobre o corpo. Sabe-se que durante a gravidez muitas mulheres se tomam de desejos obsidentes, por vezes bizarros e mesmo extravagantes. É velha crença popular que, se esta vontade não é satisfeita, a criança trará sobre a pele, sob forma de mancha ou tumor, a impressão inapagável do objeto cobiçado pela mãe; morango, cereja, framboesa, vinho, café... Chamam-se noevi, ou vulgarmente antojos, essas marcas de nascimento.

Em um artigo que publiquei em 1904, reuni grande número de exemplos, dos quais resulta que, em consequência de emoções violentas, mulheres grávidas imprimem no corpo da criança as imagens que as impressionaram vivamente. As impressões fracas, quando persistem, produzem o mesmo resultado que as violentas e repentinas.

Conta Liébault que um vinhateiro assemelhava-se, de modo espantoso, à estátua do santo patrono da aldeia, que se achava na igreja. Durante a gravidez, sua mãe possuía a idéia fixa de que o filho se parecesse com aquele santo. Por sua parte, o Dr. Sermyn, no "Journal" de março 1914, escreve: "Conheci uma senhora que, depois de ter tido três filhos, cujos cabelos eram pretos e lisos, viu um dia numa loja uma litografia colorida, que representava uma menina de seus catorze anos, com os cabelos louros anelados. Ela, para logo, a comprou e colocou em seu quarto de dormir.

— Como seria feliz se Deus me concedesse a graça de ter um filho semelhante a essa litografia — dizia-me muitas vezes. Seu desejo realizou-se, com minha grande surpresa. Teve, não uma só filha, mas duas consecutivamente. Na idade de 14 anos, as duas meninas eram a reprodução do quadro que a mãe tinha comprado. Tomaram-nas por gêmeas, tanto se pareciam uma com outra. A litografia dir-se-lhes-ia o retrato." Aqui, a atenção da mãe, continuamente dirigida à imagem da moça, acabou por impô-la às duas filhas.

Eis outro caso citado pela "Revue Métapsychique", de janeiro-fevereiro de 1922, sob o título — "Um caso presumível de ideoplastia".
Trata-se de uma gata, que tinha dado à luz um gatinho, em casa do Sr. Davico, padeiro em Nice; o gato tinha no peito a marca do milésimo 1921. O fato foi devidamente verificado. Tiraram-se muitas fotografias que mostraram nitidamente o milésimo, tendo em cima três pequenas manchas brancas. Interrogada, narra a Sra. Davico:

"Durante sua gestação, a gata perseguia um ratinho, que se refugiou num saco cheio de farinha. A boa rateira ia dar um salto naquela direção, quando a Sra. Davico, temendo um acidente, que já se produzira, lançou, sobre o saco cheio, um vazio, que tinha na mão, a fim de que o primeiro não fosse dilacerado pelas unhas do animal, e a farinha não se derramasse.

Perturbada em sua caça, a gata não a abandonou, e, durante horas, ficou de espreita, encolhida numa cadeira, perto do saco, com os olhos fixos nele, onde se encontrava precisamente o milésimo, tendo acima três estrelas. Parece, pois, que a imagem do milésimo, sobre o qual a gata tinha os olhos fixos durante longas horas, reproduziu-se no animalzinho em formação, ou, mais exatamente, no seu perispírito, pois que só se tornou visível quando os pelos surgiram. (...)

09 - Emmanuel - Emmanuel - pág. 155

A IDEOPLASTIC1DADE DO PENSAMENTO
Ignorais, na Terra, a maravilhosa de do pensamento. Conhecendo a plenitude de suas faculdades, após haver triunfado em muitas experiências que lhes asseguraram elevada posição espiritual, senhores de portentosos dons psíquicos, conquistados com a fé e com a virtude incorruptíveis, os Espiritos superiores possuem uma vontade criadora de todas as formas da beleza apresentam-se ao vidente grandiosas cenas da história do planeta, multidões luminosas, legiões de almas, quadros esses que, na maioria das vezes constituem os pensamentos materializados das mentes evolvidas que os arquitetam, e que atuam sobre os centros visuais dos sensitivos, objetivando o progresso geral.

É assim que se estabelece a união dos dois mundos, o físico e o espiritual, através de fatores inacessíveis às vossas medidas e instrumentos materiais.

O tempo reserva muitas surpresas ao homem, dentro da proporção da sua evolução moral, concretizando o edifício imortal de todas as idéias altruísticas, nobres e generosas, sendo totalmente inútil que alguns deles se arvorem em supremas autoridades nos variados ramos da vida, porque, dentro da sua pretensiosa indigência, se perderão fatalmente no labirinto discursivo dos seus argumentos mateotécnicos.

12 - Mecanismo da mediunidade -André Luiz - pág. 137

19 - Ideoplastia
No sono provocado - Para maior compreensão de qualquer fenômeno da transmissão mediúnica, não nos será lícito esquecer a ideoplastia, pela qual o pensamento pode materializar-se, criando formas que muitas vezes se revestem de longa duração, conforme a persistência da onda em que se expressam. Entendendo-se que os poderes mentais são inerentes tanto às criaturas desencarnadas quanto às encarnadas, é natural que os elementos plásticos e organizadores da idéia se exteriorizem dos médiuns, como também dos companheiros que lhes comungam tarefas e experiências, estabelecendo--se problemas espontâneos, cuja solução reclama discernimento.

Para clarear o assunto, recordemos o circuito de forças existente entre magnetizador e magnetizado, no sono provocado. Se o primeiro sugere ao segundo a existência de determinada imagem, em certo local, de imediato a mente do "sujet", governada pelo toque positivo que a orienta, concentrará os próprios raios mentais no ponto indicado, aí plasmando o quadro sugerido, segundo o princípio da reflexão, pelo qual, como no cinematógrafo, a projeção de cenas repetidas mantêm a estabilidade transitória da imagem, com o movimento e som respectivos.

O hipnotizado contemplará, então, o desenho estabelecido, nas menores particularidades de tessitura, e se o hipnotizador, sem preveni-lo, lhe coloca um espelho à frente, o sensitivo para logo demonstra insopitável assombro, ao fitar a gravura em dupla exibição, porquanto a imagem refletida parecer-lhe-á tão real quanto a outra. Emprega-se comumente a palavra "alucinação" para designar tal fenômeno; contudo, a definição não é praticamente segura, de vez que na ocorrência não entra em jogo o devaneio ou a ilusão.

Qual acontece nos espetáculos da televisão, em que a cena transmitida é essencialmente real, através da conjugação de ondas, o quadro entretecido pela mente do magnetizado, ao influxo do magnetizador, é fundamentalmente verdadeiro, segundo análogo princípio, porque, fazendo convergir, em certa região, as oscilações do próprio Espírito, o hipnotizado cria a gravura sugerida, imprimindo-lhe vitalidade correspondente, à força da percussão sutil, pela qual a tela se estrutura. O acontecimento, corriqueiro aliás, dá noções exatas da ideoplastia em todas as atividades mediúnicas comandadas por investigadores em que a exigência alcança as raias da presunção.

Multiplicando instâncias, além da fiscalização compreensível e justa, não se precatam de que se transformam em hipnotizadores incômodos, ao invés de estudiosos equilibrados, interferindo no circuito de energias mantido entre o benfeitor desencarnado e o servidor encarnado, obstando, assim, a realização de programas do Plano Superior, com vistas à identificação e revelação da Espiritualidade Maior. Nos fenômenos físicos - Nas sessões de efeitos físicos, ante as energias ectoplasmáticas exteriorizadas no curso das tarefas em vias de efetivação pelo instrutor espiritual, se o experimentador humano formula essa ou aquela reclamação, eis que a mente mediúnica, qual ocorre ao "sujet" na hipnose artificial, se deixa empolgar pela ordem recebida, emitindo a própria onda mental, não mais no sentido de atender ao amigo desencarnado que dirige a ação em foco, mas sim para satisfazer ao pesquisador no campo físico.

Daí porque, apreendendo, com mais segurança, as necessidades do médium e respeitando-as com o elevado critério de quem percebe a complexidade do serviço em desenvolvimento, as entidades indulgentes e sábias se retraem na experiência, mantendo-se em guarda para proteger o conjunto, ã maneira de professores que, dentro das suas possibilidades, se colocam na posição de sentinelas quando os alunos abandonam os objetivos enobrecedores da lição, a pervagarem no terreno de caprichos inconsequentes.

Interferências ideoplásticas
- Mentalizemos o orientador desencarnado, numa sessão de ectoplasmia regularmente controlada, quando esteja constituindo a forma de um braço com os recursos exteriorizados do médium, a planejar maior desdobramento do trabalho em curso. Se, no mesmo instante, o experimentador terrestre, tocando a forma tangível, solicita, por exemplo: - "uma pulseira, quero uma pulseira no braço" -, de imediato a mente do médium recolhe o impacto da determinação e, em vez de prosseguir sob o controle benevolente do operador desencarnado, passa a obedecer ao investigador humano, centralizando, de modo inconveniente, a própria onda mental induzida sobre o braço já parcialmente materializado, aí plasmando a pulseira, nas condições reclamadas.

Surgida a interferência, o serviço da Esfera Espiritual sofre enorme dificuldade de ação, diminuindo-se o proveito da assembléia encarnada. E, na mesma pauta, requerimentos fúteis e pedidos desordenados dos circunstantes provocam ocorrências ideoplásticas de manifesta incongruência, baixando o teor das manifestações, por viciarem a mente mediúnica, ligando-a à influência de agentes inferiores que, não raro, passam a atuar com manifesto desprestígio dos projetos de sublimação, a princípio acalentados pelo conjunto de pessoas irmanadas para o intercâmbio.

Mediunidade e responsabilidade

Decerto não invocamos o relaxamento para o governo das reuniões de ectoplasmia, nem endossamos a irresponsabilidade. Recordamos simplesmente que a bancarrota de muitos círculos organizados para o trato dos efeitos físicos e, notadamente, da materialização, se deve à própria incúria ou impertinência daqueles que os constituem, na maioria das vezes indagadores e pedinchões inveterados que descambam, imperceptivelmente, para a leviandade, comprometendo a obra ideada para o bem, porquanto interpõem os mais estranhos recursos na edificação programada, provocando enganos ou fraudes inconscientes e intervenções menos desejáveis em resposta à irresponsabilidade deles mesmos.

Em outros fenômenos

Idênticos fenômenos com a ideoplastia por base são comuns na fotografia transcendente, em seus vários tipos, porque, se o instrumento mediúnico e acompanhantes não demonstram mais alta compreensão dos atributos que lhes cabem na mediação entre os dois planos, preponderando com a força de suas próprias oscilações mentais sobre as energias exteriorizadas, perde-se, como é natural, o ascendente da Esfera Superior, que sulcaria a experiência com o selo de sua presença iluminativa, impondo-se-lhe tão-so-mente a marca dos encarnados inquietos, ainda incapazes de formar o campo indispensável à receptividade dos agentes de ordem mais elevada.

Na mediunidade de efeitos intelectuais, a ideoplastia assume papel extremamente importante, porque certa classe de pensamentos, constantemente repetidos sobre a mente mediúnica menos experimentada, pode constrangê-la a tomar certas imagens, mantidas pela onda mental persistente, como situações e personalidades reais, tal qual uma criança que acreditasse estar contemplando essa paisagem ou aquela pessoa, tão-só por ver-lhes o retrato animado num filme.

Na mediunidade aviltada

Onde os agentes ideoplásticos assumem caráter dos mais significativos, desde épocas imemoriais no mundo, é justamente nos círculos do magismo, dentro dos quais a mediunidade rebaixada a processos inferiores de manifestação se deixa aprisionar por seres de posição primitiva ou por Inteligências degradadas que cunham idéias escravizantes para quantos se permitem vampirizar.

Aceitando sugestões deprimentes, quantos se entregam ao culto da magia aviltante arremessam de si próprios as imagens menos dignas a que se vinculam, engendrando tabus dos quais dificilmente se desvencilham, à face do terror que lhes insti­la o demorado cativeiro às forças da ignorância.

Submetida a mente a idolatria desse jaez, passa a manter, por sua própria conta, os agentes com que se tortura, tanto mais intensamente quanto mais extensa se lhe revele a sensibilidade receptiva, porque, com mais alevantado poder de plasmagem mental, a criatura mais facilmente gera, para si mesma, tanto o bem que a tonifica quanto o mal que a perturba.

E não se diga que o assunto vige preso a mero entrechoque de aparências, de vez que a sugestão é poder inconteste, ligando a alma, de maneira inequívoca, às criações que lhes são inerentes no mundo íntimo, obrigando-a a recolher as resultantes da treva ou da luz a que se afeiçoe.

23 - Universo e vida - Hernani T. San'Anna - Pelo Espírito Áureo - pág. 77 v-6

6. IDÉIAS E EMOÇÕES
O homem terrestre um dia aprenderá que uma onda eletro-magnética não se constitui apenas de eletricidade e magnetismo, mas igualmente de forças que, à falta de melhor terminologia, chamaremos de transcendentais. São essas forças que lhe qualificam a natureza e, independentemente da frequência vibratória, definem-Ihe o teor. Aprenderá, ainda mais, que as ondas eletromagnéticas são, na verdade, veículos dessas forças transcendentais; e, mais ainda, que não existem ondas eletromagnéticas que não estejam carregadas dessas forças.

Para efeito didático, podemos considerar essas forças transcendentais como sendo de duas ordens distintas: as ideais, ou neutras, e as emocionais, que podem ser, tanto umas como outras, positivas ou negativas, isto é, integradoras ou desintegradoras. As ideais estão sempre presentes em qualquer onda eletromagnética, qualquer que seja a sua natureza. Naturalmente não mencionamos as forças divinas, ou plasma divino, que é a própria fonte da vida e o fluido sustentador dos Universos, porque nossos humílimos conhecimentos nada podem conceber, por enquanto, sobre o que alguns imaginam ser o pensamento de Deus.

Quanto às forças ideais, expressam-se no pensamento, que é onda eletromagnética emitida pela mente, de modo direto nos seres incorpóreos; ou através do cérebro, quando se trata de seres humanos, encarnados ou desencarnados. Cremos desnecessário esclarecer que as forças ideais, quando carregadas de emoção, tornam-se ideo-emotivas, traduzindo cargas de emoção dotadas de ativo poder.

Quando, por conseguinte, se fala da força do amor, ou da força do ódio, não se está falando de ficções, e sim de ativíssimas realidades. Sentimento é força que se irradia; força viva, cujo poder, maior ou menor, depende do comprimento da onda mental que a conduz. Enganam-se, portanto, os que supõem que o poder da ação se reduz aos atos físicos visíveis.

Pensar é agir, falar é movimentar forças vivas, de consequências por vezes inimagináveis. Compor um artigo, uma carta, um poema ou uma música, produzir um som ou simplesmente divagar idéias, tudo isso é atuar, agir, fazer, emitir e captar forças, agregar e desagregar formas mentais, participar da economia da vida, seja para o bem ou seja para o mal.

Nem tudo o que fazemos num plano repercute visivelmente, de imediato, noutro plano, mas ninguém se engane quanto à natureza das forças vivas que alguém move quando anseia, deseja ou quer seja o que for, porque a vida, através dos mecanismos automáticos de sua justiça, jamais deixará de entregar-nos o resultado de nossas ações, ainda que sejam ações apenas mentais, pois a mente é que comanda a vida.

Cumpre, além disso, nos lembremos de que a responsabilidade é sempre rigorosamente proporcional à capacidade de cada um. A mente frágil que pensa o mal produz estragos de pequenas proporções, porque seu poder de ação é reduzido; a mente evolvida e poderosa que pensa o mal produz uma soma muito maior de destruição.

Pessoas existem cujos pensamentos repercutem, de imediato ou a longo prazo, sobre um número imenso de outras mentes, numa semeadura de sugestões de imprevisíveis resultados, no tempo e no espaço. Ninguém há, no entanto, que se possa considerar fora do grande comércio das trocas vitais, porque ninguém pensa, fala, escreve ou age em vão.

Pensamento é sempre luz. Uma mente poderosamente intelectualizada, que pensa em ondas de alta frequência vibratória, produz radiações que podem, por exemplo, ser verdes ou azuis; mas o verde pode ser encantador ou tétrico, e o azul pode ser tenebroso ou sublime.

Quando os Gênios da Espiritualidade Superior insistem em que a maior necessidade humana, a mais urgente e a mais decisiva, é a da aquisição de amor e das virtudes morais, não o fazem por pieguismo desarrazoado e inconsequente. Desenvolvimento mental sem correspondência equilibradora na bondade é quase sempre caminho aberto a terríveis precipícios, onde infelizmente não poucos se projetam, por tempo indeterminado, impelidos pelas forças monstruosas do orgulho cego e da impiedade arrasadora, no remoinho de alucinantes paixões.

Por isso, o Mestre Inesquecível nos deixou a poderosa advertência daquelas palavras graves: "Se a luz que há em ti são trevas, quão grandes serão tais trevas!" E também por isso Ele nos disse, no seu emulador e sublimal carinho: "Brilhe a vossa luz!"

25 - VOZES DO GRANDE ALÉM - ESPÍRITOS DIVERSOS - PÁG. 87

A IDÉIA

A idéia é um elemento vivo de curta ou longa duração que exteriorizamos de nossa alma e que, exprimindo criação nossa, forma acontecimentos e realizações, atitudes e circunstâncias que nos ajudam ou desajudam, conforme a natureza que lhe venhamos a imprimir.

Força atuante - opera em nosso caminho, enquanto lhe asseguramos o movimento.

Raio criador - estabelece atos e fatos, em nosso campo de ação, enquanto lhe garantimos o impulso.

Expressa flor ou espinho, pão ou pedra, asa ou algema, que arremessamos na mente alheia e que retornarão, inevitavelmente, até nós, trazendo-nos perfume ou chaga, suplício ou alimento, cadeia ou liberdade.

O crime é uma idéia-flagelação que não encontrou resistência. A guerra de ofensiva é um conjunto de idéias-perversidade, senhoreando milhares de consciências.

O bem é uma idéia-luz, descerrando à vida caminhos de elevação. A paz coletiva é uma coleção de idéias-entendimento, promovendo o progresso geral.

Ê por essa razão que o Evangelho representa uma glorificada equipe de idéias de amor puro e fé transformadora, que Jesus trouxe à esfera dos homens, erguendo-os para o Reino Divino. Na manjedoura, implanta o Mestre a idéia da humildade.

Na carpintaria nazarena, traça a idéia do trabalho. Nas bodas de Caná, anuncia a idéia do auxílio desinteressado à felicidade do próximo. No socorro aos doentes, cria a idéia da solidariedade.

No sermão das bem-aventuranças, plasma a idéia de exaltação dos valores imperecíveis do espírito sobre a exaltação passageira da carne. No Tabor, revela a idéia da sublimação. No Jardim das Oliveiras, insculpe a idéia da suprema lealdade a Deus.

Na cruz da renunciação e da morte, irradia a idéia do sacrifício pessoal pelo bem dos outros, como bênção de ressurreição para a imortalidade vitoriosa. Nos mínimos lances do apostolado de Jesus, vemo-lo associando verbo e ação no lançamento das idéias renovadoras com que veio redimir o mundo.

E é por isso que, em nossas tarefas habituais, precisamos selecionar em nossas manifestações as idéias que nos possam garantir saúde e tranquilidade, melhoria e ascensão.

Não nos esqueçamos de que nossos exemplos, nossas maneiras, nossos gestos e o tipo de palavras que cunhamos para uso de nossa boca, geram idéias, que, à maneira de ondas criadoras, vão e vêm, partindo de nós para os outros e voltando dos outros para nós, com a qualidade de sentimento e pensamento que lhes infundimos, levantando-nos para o triunfo, ou impulsionando-nos para a derrota.

Evitemos o calão, a irritação, o apontamento insensato, a gíria deprimente e a frase pejorativa, não apenas em nosso santuário de preces, mas em nosso intercâmbio vulgar, porque toda expressão conduz à inspiração e pagaremos alto preço pela autoria indireta do mal.

Somos hoje responsáveis pela idéia do Senhor no círculo de luta em que nos situamos. E é indispensável viver à procura do Cristo, para que a idéia do Cristo viva em nós. Emmanuel

LEMBRETES:

1° - Nesse estudo (da telecinesia) os espíritas põem em ação os métodos de análise comparada, aproximando e ligando os ditos fenômenos aos da IDEOPLASTIA propriamente dita, a matéria somática do organismo do médium, exteriorizada sob forma fluídica ou semifluídica, se concretiza em um membro, em uma cabeça, em uma forma organizada, com o auxílio da vontade subconsciente do médium, compreendendo nesta série todas as manifestações anímicas de uma mesma ordem, que não diferem uma da outra senão pela gradação evolutiva (...) Ernesto Bozzano

2° - (...) a matéria viva exteriorizada é plasmada pela idéia. Ernesto Bozzano

3° - Faculdade que tem o pensamento de exercer uma ação direta sobre a matéria. Manuel Quintão

Edivaldo