HUMILDADE
BIBLIOGRAFIA
01- A agonia das religiões - pág. 70 02 - A educação S. o Espiritismo - pág. 73
03 - A prece S. o Evangelho - pág. 27 04 - A sombra do olmeiro - pág. 31
05 - Alerta - pág. 160 06 - Amizade - pág. 80, 120
07 - Caminho, verdade e vida - pág. 21, 25 08 - Cartas e crônicas - pág. 13
09 - Catecismo Espírita - pág. 65 31ª lição 10 - Ceifa de luz - pág. 73
11 - Chão de flores - pág. 139 12 - Chico e Emmanuel - pág. 34
13 - Contos desta e doutra vida - pág. 71 14 - Convites da vida - pág. 92
15 - Cristo espera por ti - pág. 99

16 - Dinheiro - pág. 77

17 - Do país da luz - vol. i pág. 207 18 - Escrínio de luz - pág. 121, 132
19 - Estude e viva - pág. 119 20 - Nas pegadas do Mestre - pág. 95
21 - O Espírito da verdade - pág. 151, 206 22 - O Evangelho S. o espiritismo - cap. vii, cap. xv
23 - O Livro dos Espíritos - introd. xi, q. 194, 216 24 - Pão nosso - pág. 97
25 - Religião dos Espíritos - pág. 47 26 - Sinal verde - pág. 63
27 - Síntese de o Novo Testamento - pág. 161, 255 28 - Vida e atos dos apóstolos - pág. 125
29 - Plantão da paz - pág.14 30 - Refúgio -pág. 34
31- Rumos doutrinários - pág. 48  

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HUMILDADE – COMPILAÇÃO

05 - Alerta - Joana de Ângelis - pág. 160

58. HUMILDADE SEMPRE
Alegra-te por fazeres parte da grandeza indescritível do Universo. Não te subestimes, a ponto de constituireste uma nota dissonante, nesta sinfonia de incomparável musicalidade. Busca sintonizar-te com a melodia que paira no ar, vibrante, afinando-te com a glória da vida. Engrandece-te na ação das coisas de menor monta; apequena-te, quando diante das expressivas realizações que promovem os pruridos da vaidade e desarticulam as peças da simplicidade.

No contexto das expressões do Universo tu és importante, traduzindo a glória da Criação e evoluindo sem cessar. A humildade exterioriza o valor e a conquista pessoais. Ignorando-se, irradia-se e fomenta a paz em toda parte. Jamais te deixes engolfar pela revolta, que traduz soberba e orgulho. Quando alguém se permite penetrar de humildade, enriquece-se de força renovadora que se não exaure. Contempla as estrelas, mas não te descuides dos pedregulhos sob os teus pés.

Sonha com os acumes esplendorosos das alturas, no entanto, não desconsideres as dificuldades-desafio da ascensão. O Sol, que mantém a corte de astros que o cercam, desgasta-se, lentamente. A Tecnologia, de tão salutares benefícios para a Humanidade, também responde pela tremenda poluição que ameaça a vida e a Natureza. O metal, que reluz, se consome no burilamento a que se entrega. Só a humildade brilha sem desgastar-se e eleva sem por em perigo.

Muitos falam, escrevem e traçam definições sobre a humildade de que se dizem possuidores ou que propõem para vivê-la os outros. Sê tu aquele que passa incompreendido, porém entendendo o próximo e as circunstâncias, sem tempo para justificativas ou colocações defensivas. Segue a programação a que te vinculas com o bem, não descurando o burilamento íntimo, o sacrifício pessoal. Se outros pensam em contrário à tua atividade— cala e prossegue.

Cada qual responde a si mesmo pelo que é e pelo que faz. A humildade difere da humilhação. Uma é luz, outra é treva; a primeira eleva, a segunda rebaixa. Investe-te da segurança, de que, na Terra, ainda não há lugar ou pelo menos compreensão, para a verdadeira humildade de que Jesus se fez o protótipo por excelência, e , olhos n'Ele postos, ignora o mal e os sequazes dos maus, não revidando nem magoando ninguém, embora ferido, em sofrimento intenso, na certeza da vitória plena e final, após a larga travessia pelo oceano das paixões humanas dilacerantes.

07 - Caminho, verdade e vida - Emmanuel - pág. 21, 25

3. EXAMINA-TE - "Nada faças por contenda ou por vanglória, mas por humildade." — Paulo. (FILIPENSES, 2:3.)
O serviço de Jesus é infinito. Na sua órbita, há lugar para todas as criaturas e para todas as idéias sadias em sua expressão substancial. Se, na ordem divina, cada árvore produz segundo a sua espécie, no trabalho cristão, cada discípulo contribuirá conforme sua posição evolutiva. A experiência humana não é uma estação de prazer. O homem permanece em função de aprendizado e, nessa tarefa, é razoável que saiba valorizar a oportunidade de aprender, facilitando o mesmo ensejo aos semelhantes.

O apóstolo Paulo compreendeu essa verdade, afirmando que nada deveremos fazer por espírito de contenda e vanglória, mas, sim, por ato de humildade Quando praticares alguma ação que ultrapasse o quadro das obrigações diárias, examina os móveis que a determinaram. Se resultou do desejo injusto de supremacia, se obedeceu somente à disputa desnecessária, cuida de teu coração para que o caminho te seja menos ingrato. Mas se atendeste ao dever, ainda que hajas sido interpretado como rigorista e exigente, incompreensivo e infiel, recebe as observações indébitas e passa adiante.

Continua trabalhando em teu ministério, recordando que, por servir aos outros, com humildade, sem contendas e vanglorias, Jesus foi tido por imprudente e rebelde, traidor da lei e inimigo do povo, recebendo com a cruz a coroa gloriosa.

5. BASES: "Disse-lhe Pedro: Nunca me lavarás os pés. Respondeu-lhe Jesus: Se eu não te lavar, não tens parte comigo." — (JOÃO, 13:8.)
É natural vejamos, antes de tudo, na resolução do Mestre, ao lavar os pés dos discípulos, uma demonstração sublime de humildade santificante. Primeiramente, é justo examinarmos a interpretação intelectual, adiantando, porém, a análise mais profunda de seus atos divinos. É que, pela mensagem permanente do Evangelho, o Cristo continua lavando os pés de todos os seguidores sinceros de sua doutrina de amor e perdão.

O homem costuma viver desinteressado de todas as suas obrigações superiores, muitas vezes aplaudindo o crime e a inconsciência. Todavia, ao contacto de Jesus e de seus ensinamentos sublimes, sente que pisará sobre novas bases, enquanto que suas apreciações fundamentais da existência são muito diversas.

Alguém proporciona leveza aos seus pés espirituais para que marche de modo diferente nas sendas evolutivas. Tudo se renova e a criatura compreende que não fora essa intervenção maravilhosa e não poderia participar do banquete da vida real.

Então, como o apóstolo de Cafarnaum, experimenta novas responsabilidades no caminho e, desejando corresponder à expectativa divina, roga a Jesus lhe lave, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça.


08 - Cartas e crônicas - Irmão X - pág. 13

2. As três orações
Instado pela assembléia de amigos a falar sobre a resposta do Criador às preces das criaturas, respondeu o velho Simão Abileno, instrutor cristão, considerado no Plano Espiritual por mestre do apólogo e da síntese:— Repetirei para vocês, a nosso modo, antiga lenda que corre mundo nos contos populares de numerosos países... Em grande bosque da Ásia Menor, três árvores ainda jovens pediram a Deus lhes concedesse destinos gloriosos e diferentes.

A primeira explicou que aspirava a ser empregada no trono do mais alto soberano da Terra; após ouvi-la, a segunda declarou que desejava ser utilizada na construção do carro que transportasse os tesouros desse rei poderoso, e a terceira, por último, disse então que almejava transformar-se numa torre, nos domínios desse potentado, para indicar o caminho do Céu. Depois das preces formuladas, um Mensageiro Angélico desceu à mata e avisou que o Todo-Misericordioso lhes recebera as rogativas e lhes atenderia às petições.

Decorrido muito tempo, lenhadores invadiram o horto selvagem e as árvores, com grande pesar de todas as plantas circunvizinhas, foram reduzidas a troncos, despidos por mãos cruéis. Arrastadas para fora do ambiente familiar, ainda mesmo com os braços decepados, elas confiaram nas promessas do Supremo Senhor e se deixaram conduzir com paciência e humildade.

Qual não lhes foi, porém, a aflitiva surpresa!... Depois de muitas viagens, a primeira caiu sob o poder de um criador de animais que, de imediato, mandou convertê-la num grande cocho destinado à alimentação de carneiros; a segunda foi adquirida por um velho praiano que construía barcos por encomenda; e a terceira foi comprada e recolhida para servir, em momento oportuno, numa cela de malfeitores.

As árvores amigas, conquanto separadas e sofredoras, não deixaram de acreditar na mensagem do Eterno e obedeceram sem queixas às ordens inesperadas que as leis da vida lhes impunham... No bosque, contudo, as outras plantas tinham perdido a fé no valor da oração, quando, transcorridos muitos anos, vieram a saber que as três árvores haviam obtido as concessões gloriosas solicitadas. ..

A primeira, forrada de panos singelos, recebera Jesus das mãos de Maria de Nazaré, servindo de berço ao Dirigente Mais Alto do Mundo; a segunda, trabalhando com pescadores, na forma de uma barca valente e pobre, fora o veículo de que Jesus se utilizou para transmitir sobre as águas muitos dos seus mais belos ensinamentos; e a terceira, convertida apressadamente numa cruz em Jerusalém, seguira com Ele, o Senhor, para o monte e, ali, ereta e valorosa, guardara-lhe o coração torturado, mas repleto de amor no extremo sacrifício, indicando o verdadeiro caminho do Reino Celestial...

Simão silenciou, comovido.E, depois de longa pausa, terminou, a entremostrar os olhos marejados de pranto:— Em verdade, meus amigos, todos nós podemos endereçar a Deus, em qualquer parte e em qualquer tempo, as mais variadas preces; no entanto, nós todos precisamos cultivar paciência e humildade, para esperar e compreender as respostas de Deus.

19 - Estude e viva -Emmanuel e André Luiz - pág. 119


O poder da migalha
Não desprezes o poder da migalha na obra do auxilio. O prato simples que partilhas com o irmão em penúria não resolve o problema da fome; entretanto, ele em si não é apenas favor providencial para quem o recebe, mas também mensagem de fraternidade expedida na direção de outras almas, que se inclinarão a repartir as alegrias da mesa.

A peça de roupa com que atendes ao viajor, estremunhado de frio, não extingue o flagelo da nudez; todavia, ela em si não constitui apenas valioso abrigo para quem a recolhe, mas também apelo silencioso aos amigos que esperam, unicamente, um sinal de amor para se entregarem aos júbilos do serviço. Acontece o mesmo com a moeda humilde que, ajustada à beneficência, faz pensar no valor da cooperação, e com o livro edificante que, funcionando no apoio a companheiros necessitados de esclarecimento e consolo, nos obriga a meditar no impositivo da cultura espiritual.

Em muitas circunstâncias, é um gesto só de tua compreensão que salvará alguém de calamidade iminente e, em muitos casos, uma só frase de tua parte representa a segurança de comunidades inteiras. Bem-aventurado todo aquele que estende milhões à supressão dos problemas de natureza material e bem aventurado todo aquele que cede algo de si próprio, a benefício dos outros, ainda que seja tão-somente uma palavra de bênção para o conforto de uma criança esquecida.

Não desprezes o poder da migalha na obra do auxílio. Por dádiva de sustentação e misericórdia para felizes e infelizes, sábios e ignorantes, justos e injustos, Deus entrega o Sol por atacado, mas por dom inefável, capaz de conduzir as criaturas com harmonia e discernimento, no rumo das perfeições divinas, Deus dá o tempo, trocado em miúdo, através das migalhas dos minutos, iguais para todos.

O coração humano é comparável a cofre repleto de riquezas incalculáveis, e ninguém o possui impenetrável ou inacessível... Habitualmente, resistirá a golpes de martelos, à ação de gazuas e até mesmo ao impacto de explosivos e provas de fogo; mas, quase sempre, é a tua migalha de humildade e paciência, bondade e cooperação que simboliza a chave capaz de abri-lo.

Coragem

Coragem também é caridade. Hesitação do conhecimento — poder à ignorância. Debilidade da retidão — apoio ao desequilíbrio. Decisão firme — leme seguro. Vontade frágil — barco à matroca. Irresolução dos bons — garantia dos maus.

Nada se realiza de útil e grande sem a coragem . Descobertas e inventos não se consolidariam nos fastos da civilização material, sem os sacrifícios daqueles que lhes hipotecaram a existência. Harvey torturou-se até a morte, a fim de provar a circulação do sangue.
Jesus não foi mais feliz, procurando revelar a verdade...

Em Doutrina Espírita, sabemos o que seja o bem, como fazer o bem, quando praticar o bem e quanto nos cabe atender ao bem, de vez que nos achamos informados de que o maior bem para nós nasce, invariável, da obrigação nobremente cumprida de formar o bem para os outros.

Não vale pedir alheia orientação, se a orientação desse modo se nos estampa, luminosa, na consciência. Esqueçamos os antigos chavões «não sei se vou» e «não sei se posso», ante os deveres que as circunstâncias nos traçam. Timidez não é humildade. Para que haja luz não bastará temer presença da sombra. Ê preciso acendê-la.

22 - O Evangelho S. o espiritismo - Allan Kardec - cap. vii, cap. xv

Capítulo VII - BEM-AVENTURADOS OS POBRES DE ESPIRITO

O QUE SE DEVE ENTENDER POR POBRES DE ESPIRITO
1. Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus. (Mateus, V: 3.)
2. A incredulidade se diverte com esta máxima: Bem-aventurados os pobres de espírito, como com muitas outras coisas que não compreende. Por pobres de espírito, entretanto, Jesus não entende os tolos, mas os humildes, e diz que o Reino dos Céus é destes e não dos orgulhosos. Os homens cultos e inteligentes, segundo o mundo, fazem geralmente tão elevada opinião de si mesmos e de sua própria superioridade, que consideram as coisas divinas como indignas de sua atenção. Preocupados somente com eles mesmos, não podem elevar o pensamento a Deus.

Essa tendência a se acreditarem superiores a tudo leva-os muito frequentemente a negar o que, sendo-lhes superior, pudesse rebaixá-los, e a negar até mesmo a Divindade. E, se concordam em admiti-la, contestam-lhe um dos seus mais belos atributos: a ação providencial sobre as coisas deste mundo, convencidos de que são suficientes para bem governá-lo. Tomando sua inteligência como medida da inteligência universal, e julgando-se aptos a tudo compreender, não podem admitir como possível aquilo que não compreendem. Quando se pronunciam sobre alguma coisa, seu julgamento é para eles inapelável.

Se não admitem o mundo invisível e um poder extra-humano, não é porque isso esteja fora do seu alcance, mas porque o seu orgulho se revolta à idéia de alguma coisa a que não possam sobrepor-se, e que os faria descer do seu pedestal. Eis porque só têm sorrisos de desdém por tudo o que não seja do mundo visível e tangível. Atribuem-se demasiada inteligência e muito conhecimento para acreditarem em coisas que, segundo pensam, são boas para os simples, considerando como pobres de espírito os que as levam a sério.

Entretanto, digam o que quiserem, terão de entrar, como os outros, nesse mundo invisível que tanto ironizam. Então seus olhos se abrirão, e reconhecerão o erro. Mas Deus, que é justo, não pode receber da mesma maneira aquele que desconheceu o seu poder e aquele que humildemente se submeteu às suas leis, nem aquinhoá-los por igual.

Ao dizer que o Reino dos Céus é para os simples, Jesus ensina que ninguém será nele admitido sem a simplicidade de coração e a humildade de espírito; que o ignorante que possui essas qualidades será preferido ao sábio que acreditar mais em si mesmo do que em Deus. Em todas as circunstâncias, ele coloca a humildade entre as virtudes que nos aproximam de Deus, e o orgulho entre os vícios que dele nos afastam. E isso por uma razão muito natural, pois a humildade é uma atitude de submissão a Deus, enquanto o orgulho é a revolta contra Ele. Mais vale, portanto, para a felicidade do homem, ser pobre de espírito, no sentido mundano, e rico de qualidades morais.

QUEM SE ELEVAR SERÁ REBAIXADO

3. Naquela hora, chegaram-se a Jesus os seus discípulos, dizendo: Quem é o maior no Reino dos Céus? E Jesus, chamando um menino, o pôs no meio deles, e disse: Na verdade vos digo que, se não vos fizerdes como meninos, não entrareis no Reino dos Céus. Todo aquele, pois, que se humilhar e se fizer pequeno como este menino, esse será o maior no Reino dos Céus. E o que receber em meu nome um menino como este, a mim é que recebe. (Mateus, XVIII: 1-5.)

4. Então se chegou a Ele a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, adorando-O e pedindo-lhe alguma coisa. Ele lhe disse: Que queres? Respondeu ela: Dize a estes meus dois filhos que se assentem no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda. E respondendo Jesus disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu hei de beber? Disseram-lhe eles: Podemos. Ele lhes disse: é verdade que haveis de beber o meu cálice; mas, pelo que toca a terdes assento à minha direita ou à minha esquerda, não me pertence a mim conceder-vos, mas isso é para aqueles a quem meu Pai o tem preparado. E quando os dez ouviram isto, indignaram-se contra os dois irmãos.

Mas Jesus os chamou a si e lhes disse: Sabeis que os príncipes das nações dominam os teus vassalos, e que os maiores exercitam sobre eles o seu poder. Não será assim entre vós; mas aquele que quiser ser o maior, esse seja o vosso servidor; e o que entre vós quiser ser o primeiro, seja o vosso escravo; assim como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em redenção de muitos. (Mateus, XX: 20-28.)

5. E aconteceu que, entrando Jesus num sábado em casa de um dos principais fariseus, a tomar a sua refeição, ainda eles o estavam ali observando. E notando como os convidados escolhiam os primeiros assentos à mesa, propôs-lhes esta parábola: Quando fores convidado a alguma boda, não te assentes no primeiro lugar, porque pode ser que esteja ali outra pessoa, mais autorizada que tu, convidada pelo dono da casa, e que, vindo este, que te convidou a ti e a ele, te diga: dá o teu lugar a este; e tu, envergonhado, vás buscar o último lugar. Mas, quando fores convidado, vai tomar o último lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: amigo, senta-te mais para cima.

Servir-te-á isto então de glória, na presença dos que estiverem juntamente sentados à mesa. Porque todo o que se exalta será humilhado; e todo o que se humilha lerá exaltado. (Lucas, XIV: l, 7-11.)

6. Estas máximas são consequências do princípio de humanidade, que Jesus põe incessantemente como condição essencial da felicidade prometida aos eleitos do Senhor, nas seguintes palavras: 'Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus." Ele toma um menino como exemplo da simplicidade de coração, e diz: "Todo aquele, pois, que se fizer pequeno como este menino, será o maior no Reino dos Céus"; ou seja, aquele que não ter pretensões à superioridade ou à infalibilidade.

O mesmo pensamento fundamental se encontra nesta outra máxima: "Aquele que quiser ser o maior, seja o que vos sirva", e ainda nesta: "Porque quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado." O Espiritismo vem confirmar a teoria pelo exemplo, ao mostrar i|uc os grandes no mundo dos Espíritos são os que foram pequenos na Terra, e que frequentemente são bem pequenos os que foram grandes e poderosos. É que os primeiros levaram consigo, ao morrer, aquilo que unicamente constitui a verdadeira grandeza no céu, e que nunca se perde: as virtudes; enquanto os outros tiveram de deixar aquilo que os fazia grandes na Terra, e que não se pode levar: a fortuna, os títulos, a glória, a linhagem. Não tendo nada mais, che-perderam, até as roupas.

Conservam apenas o orgulho, que torna ainda mais humilhante a sua nova posição, porque vêem acima deles, e resplandescentes de glória, aqueles que espezinharam na Terra. O Espiritismo nos mostra outra aplicação desse princípio nas encarnações sucessivas, onde aqueles que mais se elevaram, numa existência, são abaixados até o último lugar na existência seguinte, se se deixaram dominar pelo orgulho e pela ambição. Não procureis, pois, o primeiro lugar na Terra, nem queirais sobrepor-vos aos outros, se não quiserdes ser obrigados a descer. Procurai, pelo contrário, o mais humilde e o mais modesto, porque Deus saberá dar-vos um mais elevado no céu, se o merecerdes. i

MISTÉRIOS OCULTOS AOS SÁBIOS E PRUDENTES
7. Naquele tempo, respondendo, disse Jesus: Graças te dou a ti, Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e prudentes, e as revelaste aos simples e pequeninos. (Mateus, XI: 25.)

8. Pode parecer estranho que Jesus renda graças a Deus por haver revelado essas coisas aos simples e pequeninos, que são os pobres de espírito, ocultando-as aos sábios e prudentes, mais aptos, aparentemente, a compreendê-las. É que precisamos entender pelos primeiros os humildes, os que se humilham diante de Deus e não se consideram superiores aos outros; e, pelos segundos, os orgulhosos, envaidecidos com o seu saber mundano, que se julgam prudentes, pois que eles negam a Deus, tratando-o de igual para igual, quando não o rejeitam. Isso porque, na antiguidade, sábio era sinónimo de sabichão. Assim, Deus lhes deixa a busca dos segredos da Terra, e revela os do Céu aos humildes, que se inclinam perante Ele.

9. O mesmo acontece hoje com as grandes verdades reveladas pelo Espiritismo. Certos incrédulos se admiram de que os Espíritos se esforcem tão pouco para os convencer. É que eles se ocupam dos que buscam a luz com boa fé e humildade, de preferência aos que julgam possuir toda a luz e parecem pensar que Deus deveria ficar muito feliz de os conduzir a Ele, provando-lhes a sua existência. O poder de Deus se revela nas pequenas como nas grandes coisas. Ele não põe a luz sob o alqueire, mas a derrama por toda a parte; cegos são os que não a vêem. Deus não quer abrir-lhes os olhos à força, pois que eles gostam de os ter fechados.

Chegará a sua vez, mas antes é necessário que sintam as angústias das trevas, e reconheçam Deus, e não o acaso, na mão que lhes fere o orgulho. Para vencer a incredulidade, Deus emprega os meios que lhe convêm, segundo os indivíduos. Não é a incredulidade que lhe há de prescrever o que deva fazer, ou lhe vai dizer: Se quiseres gam ao outro mundo desprovidos de tudo, como náufragos que tudo me convencer, é necessário que faças isto ou aquilo, neste momento e não naquele, porque este é que me convém.

Não se admirem, pois, os incrédulos, se Deus e os Espíritos, que são os agentes da sua vontade, não se submetem às suas exigências. Perguntem o que diriam, se o último dos seus servos lhes quisessem fazer imposições. Deus impõe condições, não se submete a elas. Ouve com bondade os que o procuram humildemente, e não os que se julgam mais do que Ele.

10. Deus, dir-se-á, não poderia tocá-los pessoalmente por meio de prodígios evidentes, perante os quais o mais duro incrédulo teria que curvar-se? Sem dúvida que o poderia, mas, nesse caso, onde estaria o seu mérito; e ademais, de que serviria isso? Não os vemos diariamente recusar a evidência, e até mesmo dizer: Ainda que o visse, não acreditaria, pois sei que é impossível? Se eles se recusam a reconhecer a verdade, é porque o seu espírito ainda não está maduro para a compreender, nem o seu coração para a sentir.

O orgulho é a vftida que lhes tapa os olhos. Que adianta apresentar a luz a um o? Seria preciso, pois, curar primeiro a causa do mal; eis porque, no hábil médico, Ele castiga primeiramente o orgulho. Não aban-ia os filhos perdidos, pois sabe que, cedo ou tarde, seus olhos se irão; mas quer que o façam de vontade própria. E então, vencidos os tormentos da incredulidade, atirar-se-ão por si mesmos em seus braços, e como o filho pródigo lhe pedirão perdão.

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS - O ORGULHO E A HUMILDADE

LACORDAIRE
Constantina, 1863
11. Que a paz do Senhor esteja convosco, meus queridos amigos! Venho até vós para encorajar-vos a seguir o bom caminho. Aos pobres Espíritos que outrora viveram na Terra, Deus concede a missão de vir esclarecer-vos. Bendito seja pela graça que nos dá, de podermos ajudar o vosso adiantamento. Que o Espírito Santo me ilumine, me ajude a tornar compreensível a minha palavra, e me conceda a graça de pô-la ao alcance de todos. Todos vós, encarnados, que estais sob a pena e procurais a luz, que a vontade de Deus venha em minha ajuda, para fazê-la brilhar aos vossos olhos!

A humildade é uma virtude bem esquecida, entre vós. Os grandes exemplos que vos foram dados são tão pouco seguidos. E, no entanto, sem humildade, podeis ser caridosos para o vosso próximo? Oh! não, porque esse sentimento nivela os homens, mostra-lhes que são irmãos, que devem ajudar-se mutuamente, e os encaminha ao bem. Sem a humildade, enfeitai-vos de virtudes que não possuís, como se vestísseis um hábito para ocultar as deformidades do corpo. Lembrai-vos d'Aquele que nos salva; lembrai-vos da sua humildade,: que o fez tão grande e o elevou acima de todos os profetas,

O orgulho é o terrível adversário da humildade. Se o Cristo prometeu o Reino dos Céus aos mais pobres, foi porque os grandes da Terra imaginavam que os títulos e as riquezas eram a recompensa de seus méritos, e que a sua essência era mais pura que a do pobre. Acreditavam que essas coisas lhes eram devidas, e, por isso, quando Deus as retira, acusam-no de injustiça. Oh! irrisão e cegueira! Deus, acaso, estabeleceu entre vós alguma distinção pelos corpos? O invólucro do pobre não é o mesmo do rico? O Criador fez duas espécies de homens? Tudo quanto Deus fez é grande e sábio. Não lhe atribuais as idéias concebidas por vossos cérebros orgulhosos.

Oh rico! Enquanto dormes em teus aposentos suntuosos, ao abrigo do frio, não sabes quantos milhares de irmãos, iguais a ti, jazem na miséria? O desgraçado faminto não é teu igual? Bem sei que o teu orgulho se revolta com estas palavras. Concordarás em lhe dar uma esmola; nunca, porém, em lhe apertar fraternalmente a mão,! Que! exclamarás: Eu, nascido de sangue nobre, um dos grandes da Terra, ser igual a esse miserável estropiado? Vã utopia de pretensos filósofos! Se fôssemos iguais, por que Deus o teria colocado tão baixo-e a mim tão alto? É verdade que vossas roupas não são nada iguais, mas, se vos despirdes a ambos, qual a diferença que então haveifi entre vós?

A nobreza do sangue, dirás. Mas a química não encontrou diferenças entre o sangue do nobre e o do plebeu, entre o do senhor e o do escravo. Quem te diz que também não foste miserável como ele? Que não pediste esmolas? Que não a pedirás um dia a esse mesmo que hoje desprezas? As riquezas são por acaso eternas? Não acabam com o corpo, invólucro perecível do Espírito? Oh! debruça-te humildemente sobre ti mesmo! Lança, enfim, os olhos sobre a realidade das coisas desse mundo, sobre o que constitui a grandeza e a humilhação no outro; pensa que a morte não te poupará mais do que aos outros; que os teus títulos não te preservarão dela; que te pode ferir amanhã, hoje, dentro de uma hora; e se ainda te sepultas no teu orgulho, oh! então, eu te lamento, porque serás digno de piedade!

Orgulhosos! Que fostes, antes de serdes nobres e poderosos? Talvez mais humildes que o último de vossos servos. Curvai, portanto, vossas frontes altivas, que Deus as pode rebaixar, no momento mesmo em que as elevais mais alto. Todos os homens são iguais na balança divina; somente as virtudes os distinguem aos olhos de Deus. Todos os Espíritos são da mesma essência, e todos os corpos foram feitos da mesma massa. Vossos títulos e vossos nomes em nada os modificam; ficam no túmulo; não são eles que dão a felicidade prometida aos eleitos; a caridade e a humildade são os seus títulos de nobreza.

Pobre criatura! És mãe, e teus filhos sofrem. Estão com frio. fome. Vais, curvada ao peso da tua cruz, humilhar-te para conseguir um pedaço de pão. Oh! eu me inclino diante de ti! Como és nobre, santa e grande aos meus olhos! Espera e ora; a felicidade não é deste mundo. Aos pobres oprimidos, que nele confiam, Deus concede o Reino dos Céus. E tu, que és moça, pobre filha devotada ao trabalho, entregue privações, por que esses tristes pensamentos? Por que chorar? Que teus olhos se voltem, piedosos e serenos, para Deus: às aves do céu Ele dá o alimento. Confia nele, que não te abandonará. O ruído festas, dos prazeres mundanos, faz bater-te o coração.

Querias també m enfeitar de flores a fronte e misturar-te aos felizes da Terra. Dizes que poderias, como as mulheres que vês passar, estouvadas e alegres, ser rica também. Oh! cala-te, filha! Se soubesses quantas lágrimas e dores sem conta se ocultam sob esses vestidos bordados, Muitos suspiros se asfixiam sob o ruído dessa orquestra feliz, prefererias teu humilde retiro e tua pobreza. Conserva-te pura aos olhos de Deus, se não queres que o teu anjo da guarda volte para Ele, escondendo o rosto sob as asas brancas, e te deixe com os teus remorsos, sem guia, sem apoio, neste mundo em que estarias perdida, esperando a punição no outro.

E todos vós que sofreis as injustiças dos homens, sede indulgentes para as faltas dos vossos irmãos, lembrando que vós mesmos não estais sem manchas: isso é caridade, mas é também humildade. Se suportais calúnias, curvai a fronte diante da prova. Que vos importam as calúnias do mundo? Se vossa conduta é pura, Deus não pode vos recompensar? Suportar corajosamente as humilhações dos homens, é ser humilde e reconhecer que só Deus é grande e todo-poderoso.

Oh! meu Deus, será preciso que o Cristo volte novamente à Terra, para ensinar aos homens as tuas leis, que eles esquecem? Deverá Ele ainda expulsar os vendilhões do templo, que maculam tua casa, esse recinto de orações? E, quem sabe? Ó homens, se Deus vos concedesse essa graça agora, se não o renegaríeis, de novo, como outrora? Se não o acusaríeis de blasfemo, por vir abater o orgulho dos fariseus modernos? Talvez, mesmo, se não o faríeis seguir de novo o caminho do Gólgota?

Quando Moisés subiu ao Monte Sinai, para receber os mandamentos da Lei de Deus, o povo de Israel, entregue a si mesmo,; abandonou o verdadeiro Deus. Homens e mulheres entregaram suas jóias e seu ouro, para a fabricação de um ídolo que adoraram. Homens civilizados, fazeis, entretanto, como eles. O Cristo vos deixou a sua Doutrina, vos deu o exemplo de todas as virtudes, mas abandonastes exemplos e preceitos. Cada um de vós, carregando as suas paixões, fabricou um deus de acordo com a sua vontade: para uns, terrível e sanguinário; para outros, indiferente aos interesses do mundo. O deus que fizestes é ainda o bezerro de ouro, que cada qual apropria aos seus gostos e às suas ideias.

Despertai, meus irmãos, meus amigos! Que a voz dos Espíritos; vos toque o coração. Sede generosos e caridosos, sem ostentação. Quer dizer: fazei o bem com humildade. Que cada um vá demolindo aos poucos os altares elevados ao orgulho. Numa palavra: sede verdadeiros cristãos, e atingireis o reino da verdade. Não duvideis mais da bondade de Deus, agora que Ele vos envia tantas provas. Vimos preparar o caminho para o cumprimento das profecias.

Quando o Senhor vos der uma manifestação mais esplendente da sua clemência, que o enviado celeste vos encontre reunidos numa grande família; que os vossos corações, brandos e humildes, seja dignos de receber a palavra divina que Ele vos trará; que o eleito não encontre em seu caminho senão as palmas dispostas pelo vosso retorno ao bem, à caridade, à fraternidade; e então o vosso mundo se tornará um paraíso terreno.

Mas, se permanecerdes insensíveis a voz dos Espíritos, enviados para purificar e renovar a vossa sociedade civilizada, rica em conhecimentos e não obstante tão pobre de sentimentos, ah! nada mais nos restará do que chorar e gemer da vossa sorte. Mas, não, assim não acontecerá. Voltai-vos para Deus, vosso pai, e então nós todos, que trabalhamos para o cumprimento da sua vontade, entoaremos o cântico de agradecimento do Senhor, por sua inesgotável bondade, e para O glorificar por todos os séculos. Assim seja.

23 - O Livro dos Espíritos -Allan Kardec - introd. xi, questões: 194, 216

XI—GRANDES E PEQUENOS
É estranho, acrescentam, que só falem de Espíritos de personalidades conhecidas. E perguntam por que motivo só estes se manifestam. E um erro proveniente, como muitos outros, de observação superficial. Entre os Espíritos que se manifestam espontaneamente há maior número de desconhecidos do que de ilustres. Eles se designam por qualquer nome, muitas vezes, por nomes alegóricos ou característicos. Quanto aos evocados, desde que não se trate de parentes ou amigos, é muito natural que sejam de preferência os conhecidos. Os nomes de personagens ilustres chamam mais a atenção por serem mais destacados.
Acham ainda estranho que os Espíritos de homens eminentes atendam familiarmente ao nosso apelo, ocupando-se às vezes de coisas insignificantes, em comparação com as de que se ocupavam durante a vida. Isso nada tem de estranho para os que sabem que o poder ou consideração de que esses homens gozavam no mundo não lhes dão nenhuma supremacia no mundo espírita. Os Espíritos confirmam com isto as palavras do Evangelho: Os grandes serão humilhados e os pequenos serão exaltados, que devem ser entendidas em relação à categoria que cada um de nós ocupará entre eles. É assim que aquele que foi primeiro na Terra poderá encontrar-se entre os últimos; aquele que nos faz curvar a cabeça nesta vida pode voltar como o mais humilde artesão, porque ao deixar a vida perdeu toda a sua grandeza, e o mais poderoso monarca talvez lá se encontre abaixo do último dos seus soldados.

Perg. 194 - A alma de um homem de bem pode animar, noutra encarnação, o corpo de um celerado?
- Não, pois ela não pode degenerar
Perg. 194a - A alma de um homem perverso pode transformar-se na de um homem de bem?
- Sim, se ela se arrepender, e então será uma recompensa.

24 - Pão nosso - Emmanuel - pág. 97

43. BOAS MANEIRAS - "E assenta-te no último lugar" - Jesus (Lucas, 14:10)

O Mestre, nesta passagem, proporciona inolvidável ensinamento de boas maneiras. Certo, a sentença revela conteúdo altamente simbólico, relativamente ao banquete paternal da Bondade Divina; todavia, convém deslocarmos o conceito a fim de aplicá-lo igualmente ao mecanismo da vida comum.

A recomendação do Salvador presta-se a todas as situações em que nos vejamos convocados a examinar algo de novo, junto aos semelhantes. Alguém que penetre uma casa ou participe de uma reunião pela primeira vez, timbrando demonstrar que tudo sabe ou que é superior ao ambiente em que se encontra, torna-se intolerável aos circunstantes.

Ainda que se trate de agrupamento enganado em suas finalidades ou intenções, não é razoável que o homem esclarecido, aí ingressando pela vez primeira, se faça doutrinador austero e exigente, porquanto, para a tarefa de retificar ou reconduzir almas, é indispensável que o trabalhador fiel ao bem inicie o esforço, indo ao encontro dos corações pelos laços da fraternidade legítima. Somente assim, conseguirá alijar a imperfeição eficazmente, eliminando uma parcela de sombra, cada dia, através do serviço constante.

Sabemos que Jesus foi o grande reformador do mundo, entretanto, corrigindo e amando, asseverava que viera ao caminho dos homens para cumprir a Lei. Não assaltes os lugares de evidência por onde passares. E, quando te detiveres com os nossos irmãos em alguma parte, não os ofusques com a exposição do quanto já tenhas conquistado nos domínios do amor e da sabedoria. Se te encontras decidido a cooperar pelo bem dos outros, apaga-te, de algum modo, a fim de que o próximo te possa compreender. Impondo normas ou exibindo poder, nada conseguirás senão estabelecer mais fortes perturbações.


25 - Religião dos Espíritos - Emmanuel - pág. 47

Jesus e humildade
Reunião pública de 9-3-59 Questão n<? 937
Estudando a humildade, vejamos como se comportava Jesus no exercício da sublime virtude. Decerto, no tempo em que ao mundo deveria surgir a mensagem da Boa-Nova, poderia permanecer na glória celeste e fazer-se representar entre os homens pela pessoa de mensageiros angélicos, mas preferiu descer, Ele mesmo, ao chão da Terra, e experimentar-lhe as vicissitudes.

Indubitavelmente, contava com poder bastante para anular a sentença de Heródes que mandava decepar a cabeça dos recém-natos de sua condição, com o fim de impedir-lhe a presença; entretanto, afastou-se prudentemente para longínquo rincão, até que a descabida exigência fosse necessariamente proscrita. Dispunha de vastos recursos para se impor em Jerusalém, ao pé dos doutores que lhe negavam autoridade no ensino das novas revelações; contudo, retirou-se sem mágoa em demanda de remota província, a valer-se dos homens rudes que lhe acolhiam a palavra consoladora.

Possuía suficiente virtude para humilhar a filha de Magdala, dominada pela força das sombras; no entanto, silenciou a própria grandeza moral para chamá-la docemente ao reajuste da vida. Atento à própria dignidade, era justo mandasse os discípulos ao encontro dos sofredores para consolá-los na angústia e sarar-lhes a ulceração; todavia, não renunciou ao privilégio de seguir, Ele mesmo, em cada canto de estrada, a fim de ofertar-lhes alívio e esperança, fortaleza e renovação.

Certo, detinha elementos para desfazer-se de Judas, o aprendiz insensato; porém, apesar de tudo, conservou-o até o último dia da luta, entre aqueles que mais amava. Com uma simples palavra, poderia confundir os juizes que o rebaixavam perante Barrabás, autor de crimes confessos; contudo, abraçou a cruz da morte, rogando perdão para os próprios carrascos.

Por fim, poderia condenar Saulo de Tarso, o implacável perseguidor, a penas soezes, pela intransigência perversa com que aniquilava a plantação do Evangelho nascente; mas buscou-o, em pessoa, às portas de Damasco, visitando-lhe o coração, por sabê-lo enganado na direção em que se movia.

Com Jesus, percebemos que a humildade nem sempre surge da pobreza ou da enfermidade que tanta vez somente significam lições regeneradoras, e sim que o talento celeste é atitude da alma que olvida a própria luz para levantar os que se arrastam nas trevas e que procura sacrificar a si própria, nos carreiros empedrados do Mundo, para que os outros aprendam, sem constrangimento ou barulho, a encontrar o caminho para as bênçãos do Céu.

29 - PLANTÃO DA PAZ - EMMANUEL - PÁG. 14

HUMILDES DE ESPÍRITO

A humildade é o ingrediente oculto sem o qual o pão da vida amarga invariavelmente na boca. Amealharás amoedados a mancheias; entretanto, se não te dispões a usá-los, edificando o conforto e a alegria dos outros, na convicção de que todos os bens pertencem a Deus, em breve converter-te-ás em prisioneiro do ouro que amontoaste, erguido à feição de teu próprio cárcere.

Receberás precioso mandato de autoridade entre as criaturas terrestres, no entanto, se não procuras a inspiração do Senhor para distribuir os talentos da justa fraternidade, como quem está convencido de que todo o poder é de Deus, transformar-te-ás, pouco a pouco, no empreiteiro inconsciente da crueldade, por favoreceres a própria ilusão, buscando o incenso a ti mesmo na prática da injustiça.

Erguerás teu nome no pedestal da cultura, contudo, se não te inclinas à Sabedoria Divina, acendendo a luz em benefício de todos, como quem não ignora que toda inteligência é de Deus, depressa te arrojarás ao chavascal da mentira, angariando em teu prejuízo a embriaguez da vaidade e a introdução à loucura.

Lembra-te de que a Bondade Celeste colocou a humildade por base de todo os equilíbrio da natureza. O sábio que honraa ciência ou o direito não prescinde da semente que lhe garantea bênção da mesa. O campo mais belo não dispensa o fio d'água que lhe fecunda as entranhas em dádivas de verdura.

E o próprio Sol, com toda a pompa de seu magnificente esplendor, embora fulcro de criação, converteria o mundo em pavoroso deserto não fosse a chuva singela que lhe ambienta no solo a força criadora. Não desdenhes servir, aprendendo com o Mestre Divino, que realizou o seu apostolado de amor entre a manjedoura desconhecida e a cruz da flagelação, e serás contado entre aqueles para os quais Ele mesmo pronunciou as inesquecíveis palavras:

"Bem-aventurados os humildes de espírito, porque a eles mais facilmente se descerrão as portas do Céu".

30 - REFÚGIO - EMMANUEL- PÁG. 34

HUMILDADE DO CORAÇÃO

"Bem-aventurados os pobres de espírito" - proclamou o Senhor. Nesse passo, porém, não vemos Jesus contra os tesouros culturais da Humanidade, mas, sim, exaltando a humildade do coração. O Mestre recordava-nos, no capítulo das bem aventuranças, que é preciso trazer a mente descerrada à luz da vida para que a sabedoria e o amor encontrem seguro aconchego em nossa alma.

Hoje, como antigamente, somos defrontados em toda parte, pelas criaturas encarceradas nos museus acadêmicos, cristalizados nos preconceitos ruinosos, mumificadas em pontos de vista que lhe sombreiam a visão e algemadas a inutilidades do raciocínio ou do sentimento, engrossando as extensas fileiras da opressão.

Imprescindível clarear o pensamento, diante da natureza, e aceitar a extrema insignificância em que ainda nos agitamos, perante o Universo. Jesus induzia-nos a esquecer a paralisia mental, em que, muitas vezes, nos comprazemos, inclinando-nos à adoção da simplicidade por norma de ascensão espiritual.

Esvaziemos o coração de todos os débitos e de todos os fantasmas que experiências inferiores nos impuseram na peregrinação que nos trouxe ao presente. Cada dia é nova revelação do Senhor para a existência.

Cada companheiro da estrada é campo vivo que podemos arrojar as sementes abençoadas da renovação. Cada dor é uma bênção para os que prosseguem acordados no conhecimento edificante.

Cada hora na marcha pode converter-se em plantação de beleza e alegria, se caminhamos obedecendo aos imperativos do trabalho constante no Infinito Bem. Toda ciência do mundo, confrontada à sabedoria que nos espera, é menos que o ribeiro singelo ante o corpo ciclópico do oceano.

Toda a riqueza dos homens perante a herança de luz que o Pai Celestial nos reserva, é minúsculo grão de pó na química planetária. Sejamos simples e espontâneos, na senda em que a atualidade nos situa, aprendendo com a vida e doando à vida o melhor que pudermos, para que, em nos candidatando à láurea dos bem-aventurados, possamos ser realmente discípulos felizes daquele Amigo Eterno que nos recomendou: -"Aprendei de mim que sou humilde de coração".

31 - RUMOS DOUTRINÁRIOS - INDALÍCIO MENDES - O SENTIDO DA HUMILDADE - PÁG. 48

Devemos enaltecer a humildade? Sem dúvida alguma, porque ela exprime a simplicidade de coração. Ser simples de coração é ser bom. A bondade não justifica simulações porque, então, seria apenas hipocrisia. O homem humilde, segundo o conceito evangélico da humildade, tem de ser substancialmente bondoso. Um celerado nunca poderá ser verdadeiramente humilde, porque não há bondade em seu coraação. Pode parecer simples e terno, mas seus atos provarão logo tratar-se de um mistificador. Quando Jesus disse:

"Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus", não admitiu, por certo, que se pudesse confundir humildade com simulação.

Acreditamos nos bons frutos da humildade, porque é preciso possuir força espiritual para cultivar essa virtude extraordinariamente bela. Quando nos referimos à conveniência de ser humilde, não estamos pensando na humildade simulada, mas na humildade virtude, que é sincera e sendo sincera não pode casar-se senão com outra virtude. Cremos na humildade como atributo superior do espírito, e Jesus foi e é o símbolo dessa virtude magnífica, de que deu provas exuberantes em todo o decurso de sua passagem visível pela Terra.

Os humildes são limpos de coração e, conseqüentemente, bem-aventurados, "porque
eles verão a Deus". Que seríamos nós, perante o Mestre, se não procurássemos realizar cotidianas tentativas de progredir na humildade, nós que a achamos tão bela? Como, pois, devemos encarar o comentário injusto e amargo em torno do que pensamos sobre a condição de ser humilde, senão com serena humildade? Não ensinou o Mestre que devemos ser mansos de coração? "Bem-aventurados sois, quando vos injuriarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa. "

Jesus foi humilde perante o Sinédrio e diante de Pilatos, foi humilde sempre, mas dessa humildade dignificadora, porque construtiva e exemplar. Nem outra é a humildade a que nos temos referido. Ainda quando traído, o Nazareno, entre os guardas que o haviam prendido, não se exaltou, não esboçou nenhum protesto, mas se manteve em uma humildade que era força. A um guarda mais violento, ponderou com a voz tranqüila: "Viestes armados de espadas e varapaus, para me prender, como se eu fora salteador. Todos os dias eu estava convosco no Templo ensinando, e não me prendestes; mas isto é para se cumprir as Escrituras." E as Escrituras se cumpriram.

São várias as maneiras de cultivar a humildade. O homem que não se envaidece com o que faz ou com o que dele dizem, é um humilde. O homem que não procura notoriedade, preferindo realizar seu bom trabalho apenas com a preocupação de cumprir os deveres, é um humilde. O homem que exerce a tolerância, silenciando ante os agravos, reconhecenndo que acima da precária justiça humana se encontra a superior Justiça de Deus, é um humilde. O homem que domina seus impulsos inferiores, educando-se a todo instante, está, sem dúvida alguma, na trilha da humildade.

Finalmente, ser humilde é ser simples; ser simples, é ser bom, é estar realizando o programa evangélico. "Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus".