FATALIDADE
BIBLIOGRAFIA
01- A constituição divina - pág. 123 02 - Allan Kardec - vol. 2 pág. 160
03 - Ciência e espiritismo - pág. 82 04 - Deus na natureza - pág. 298, 355
05 - Do país da luz - vol. 1 pág. 191 06 - Enigmas da psicometria - pág. 77, 112
07 - Expiação - pág. 90 08 - Guardiães da verdade - pág. 39
09 - Hipnotismo e mediunidade - pág. 371 10 - Ide e pregai - pág. 33
11 - Memórias de um suicida - pág. 318 12 - Na sombra e na luz - pág.35
13 - Nascer e renascer - pág. 31 14 - O Livro dos Espíritos - q. 298, 851, 872, 959,988
15 - O martírio dos suicidas - pág. 172

16 - O matuto - pág. 270 cap. xiv

17 - O mestre na educação - pág. 38 18 - O que é a morte - pág. 13
19 - O que é o espiritismo - pág. 200 20 - Parnaso além túmulo - pág. 73
21 - Recordações da mediunidade - pág. 155 22 - Sexo e destino - pág. 276
23 - Indulgência - pág. 50 24 - As leis morais - pág. 157

LEMBRETE: O NÚMERO DA PÁGINA PODE VARIAR DE ACORDO COM A EDIÇÃO DA OBRA CITADA.

FATALIDADE – COMPILAÇÃO

13 - NASCER E RENASCER - EMMANUEL - PÁG. 31

FATALIDADE E LIVRE-ARBÍTRIO: Antes do regresso à experiência no Plano Físico, nossa alma em prece roga ao Senhor a concessão da luta para o trabalho de nosso próprio reajustamento. Solicitamos a reaproximação de antigos desafetos. Imploramos o retorno ao círculo de obstáculos que nos presenciou a derrota em romagem mal vividas...

Suplicamos a presença de verdugos com quem cultiváramos o ódio, para tentar a cultura santificante do amor... Pedimos seja levado de novo aos nossos lábios o cálice das provas em que fracassamos, esperando exercitar a fé e a resignação, a paciência e o valor... E com a intercessão de variados amigos que se transformam em confiantes avalistas de nossas promessas, obtemos a bênção da volta.

Efetivamente em tais circunstâncias, o esquema de ação surge traçado. Somos herdeiros do nosso pretérito e, nessa condição, arquitetamos nossos próprios destinos. Entretanto, imanizados temporariamente ao veículo terrestre, acariciamos nossas antigas tendências de fuga ao dever nobilitante.

Instintivamente, tornamos, despreocupados, à caça de vantagens físicas, de caprichos perniciosos, de mentiroso domínio e de nefasto prazer. O egoísmo e a vaidade costumam retomar o leme de nosso destino e abominamos o sofrimento e o trabalho, quais se nos fossem duros algozes, quando somente com o auxílio deles conseguimos soerguer o coração para a vitória espiritual a que somos endereçados.

É, por isso, que fatalidade e livre-arbítrio coexistem nos mínimos ângulos de nossa jornada planetária. Geramos causas de dor ou alegria, de saúde ou enfermidade em variados momentos de nossa vida.

O mapa de regeneração volta conosco ao mundo, consoante as responsabilidades por nós mesmos assumidas no pretérito remoto e próximo; contudo, o modo pelo qual nos desvencilhamos dos efeitos de nossas próprias obras facilita ou dificulta a nossa marcha redentora na estrada que o mundo nos oferece.

Aceitemos os problemas e as inquietações que a Terra nos impõe agora, atendendo aos nossos próprios desejos, na planificação que ontem organizaçõs, fora do corpo denso, e tenhamos cautela com o modo de nossa movimentação no campo das próprias tarefas, porque, conforme as nossas diretrizes de hoje, na preparação do futuro, a vida nos oferecerá amanhã paz ou luta, felicidade ou provação, luz ou treva, bem ou mal.

14 - O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - questões: 298, 851, 872, 959,988

Perg. 298 - As almas que devem unir-se estão predesdinadas a essa união, desde a sua origem, e cada um de nós tem em alguma parte do Universo "a sua metade", à qual um dia se unirá fatalmente?"
- Não; não existe união particular e fatal entre duas almas. A união existe entre todos os Espíritos, mas em graus diferentes, segundo a ordem que ocupam, a perfeição que adquiriram: quanto mais perfeitos, tanto mais unidos. Da discórdia nascem todos os males humanos, da concórdia resulta a felicidade completa.

Perg. 851 - Há uma fatalidade nos acontecimentos da vida, segundo o sentido ligado a esta palavra? Quer dizer, todos os acontecimentos são predeterminados e, nesse caso, em que se torna o livre-arbítrio?
_A fatalidade não existe senão para a escolha feita pelo Espírito, ao encarnar-se, de sofrer esta ou aquela prova; ao escolhê-la, ele traça para si mesmo uma espécie de destino, que é a própria consequência da posição em que se encontra. Falo das provas de natureza física, porque, no tocando às provas morais e às tentações, o Espírito, conservando o seu livre-arbítrio, sobre o bem e o mal, ´se sempre senhor de ceder ou resistir. Um bom Espírito, ao vê-lo fraquejar, pode correr em seu auxílio, mas não pode influir sobre a ponto de subjugar-lhe a vontade. Um Espírito mau, ou seja, inferior, ao lhe mostrar ou exagerar um perigo físico pode abalá-lo e assustá-lo, mas a vontade do Espírito encarnado não fica por isso menos livre de qualquer entrave.

Perg. 852 - Há pessoas que parecem perseguida por uma fatalidade, independentemente de sua maneira de agir, a desgraça está no seu destino?
- São, talvez provas que devem sofrer e que elas mesmas escolheram. Ainda uma vez levas à conta do destino o que é, quase sempre, consequência de vossa própria falta. Em meio dos males que te afligem, cuida que a tua consciência esteja pura e te sentirás mais ou menos consolado.
As idéias justas ou falsas que fazemos das coisas nos levam a vencer ou fracassar, segundo o nosso caráter e a nossa posição social. Achamos mais simples e menos humilhante para o nosso amor-próprio atribuir os nossos fracassos à sorte ou ao destino, do que a nós mesmos. Se a nfluência dos Espíritos contribui algumas vezes para isso, podemos sempre nos subtrair a ela, repelindo as idéias más que nos forem sugeridas.

853. Certas pessoas escapam a um perigo mortal para cair em outro; parece que não podem escapar à morte. Não há nisso fatalidade?
— Fatal, no verdadeiro sentido da palavra, só o instante da morte. Chegado esse momento, de uma forma ou de outra, a ele não podeis furtar-vos.
853-a. Assim, qualquer que seja o perigo que nos ameace, não morreremos e a nossa hora não chegou?
— Não, não morrerás, e tens disso milhares de exemplos. Mas quando chegar a tua hora de partir, nada te livrará. Deus sabe com antecedência qual o gênero de morte por que partirás daqui, e frequentemente teu Espírito também o sabe, pois isso lhe foi revelado quando fez a escolha desta ou daquela existência.

854. Da infalibilidade da hora da morte segue-se que as precauções que se tomam para evitá-la são inúteis?
— Não, porque as precauções que tomais vos são sugeridas com o fím de evitar a morte que vos ameaça; são um dos meios para que ela não se verifique.
855. Qual o fito da Providência, ao fazer-nos correr perigos que não devem ter consequências ?
— Quando tua vida se encontra em perigo é essa uma advertência que tu mesmo desejaste, a fim de te desviares do mal e te tornares melhor. Quando escapas a esse perigo, ainda sob a influência do risco por que passaste, pensas com maior ou menor intensidade, sob a ação mais ou menos forte dos bons Espíritos, em te tornares melhor. O mau Espírito retornando (digo mau, subentendendo o mal que ainda nele existe), pensas que escaparás da mesma maneira a outros perigos e deixas que as tuas paixões se desencadeiem de novo. Pelos perigos que correis, Deus vos recorda a vossa fraqueza e a fragilidade de vossa existência. Se examinarmos a causa e a natureza do perigo, veremos que, na maioria das vezes, as consequências foram a punição de uma falta cometida ou de um dever negligenciado. Deus vos adverte para refletirdes sobre vós mesmos e vos emendardes. (1)

856. O Espírito sabe, por antecipação, qual o gênero de morte que deve sofrer?
— Sabe que o gênero de vida por ele escolhido o expõe a morrer mais de uma maneira que de outra. Mas sabe também quais as lutas que terá de sustentar para o evitar, e que, se Deus o permitir, não sucumbirá.
857. Há homens que enfrentam os perigos dos combates com uma certa convicção de que a sua hora não chegou; há algum fundamento nessa confiança?
— Com muita frequência o homem tem o pressentimento do seu fim, como o pode ter o de que ainda não morrerá. Esse pressentimento lhe é dado pelos seus Espíritos protetores, que desejam adverti-lo para que esteja pronto a partir, ou reerguem a sua coragem nos momentos em que se faz mais necessário. Também lhe pode vir da intuição da existência por ele escolhida, ou da missão que aceitou e sabe que deve cumprir.

858. Os que pressentem a morte geralmente a temem menos do que os outros, por quê?
— E o homem que teme a morte, não o Espírito. Aquele que a pressente pensa mais como Espírito do que como homem: compreende a sua libertação e a espera.

(1) Temos nesta resposta, de maneira clara e precisa, uma exposição sucinta do que podemos chamar a dinâmica espírita do aperfeiçoamento humano. Através das quedas e advertências, dos riscos e auxílio dos bons Espíritos, o homem de boa vontade irá vencendo os seus maus pendores e se preparando, já nesta existência, para uma vida melhor no futuro. Longe de nos desanimar, nossas quedas devem ser transformadas em degraus de escada do nosso melhoramento espiritual. Como se vê, a "auto-salvação" de que alguns religiosos nos acusam não é mais do que o desenvolvimento da vontade e da razão da criatura, sob a dispensação da graça de Deus, por meio de seus mensageiros, os bons Espíritos. (N. do T.)

859. Se a morte não pode ser evitada quando chega a sua hora, acontece o mesmo com todos os acidentes no curso da nossa vida?
—— São, em geral, coisas demasiado pequenas, das quais podemos prevenir-vos, dirigindo o vosso pensamento no sentido de as evitardes, porque não gostamos do sofrimento material. Mas isso é de pouca importância para o curso da vida que escolhestes. A fatalidade só consiste nestas duas horas: aquelas em que deveis aparecer e desaparecer deste mundo.
859-a. Há fatos, que devem ocorrer forçosamente e que a vontade dos Espíritos não pode conjurar?
— Sim, mas que tu, quando no estado de Espírito, viste e pressentiste, ao fazer a tua escolha. Não acredites, porém, que tudo o que acontece esteja escrito, como se diz. Um acontecimento é quase sempre a consequência de uma coisa que fizeste por um ato de tua livre vontade, de tal maneira que, se não tivesses praticado aquele ato, o acontecimento não se verificaria. Se queimas o dedo, isso é apenas a consequência de tua imprudência e da condição da matéria. Somente as grandes dores, os acontecimentos importantes e capazes de influir na tua evolução moral são previstos por Deus, porque são úteis à tua purificação e à tua instrução.

860. Pode o homem, por sua vontade e pelas seus atas, evitar acontecimentos que deviam realizar-se e vice-versa?
— Pode, desde que esse desvio aparente possa caber na ordem geral da vida que ele escolheu. Além disso, para fazer o bem, como é do seu dever e único objetivo da vida, ele pode impedir o mal, sobretudo aquele que possa contribuir para um mal ainda maior.
861.0 homem que comete um assassinato sabe, ao escolher a sua existência, que se tomará assassino?
— Não. Sabe apenas que, ao escolher uma vida de lutas, terá a probabilidade de matar um de seus semelhantes, mas ignora se o fará ou não, porque depende quase sempre dele tomar a deliberação de cometer o crime. Ora, aquele que delibera sobre uma coisa é sempre livre de o fazer ou não. Se o Espírito soubesse com antecedência que, como homem, deveria cometer um assassínio, estaria predestinado a isso. Sabei, então, que não há ninguém predestinado ao crime e que todo crime, como todo e qualquer ato, é sempre o resultado da vontade e do arbítrio.

De resto, sempre confundis duas coisas bastante distintas: os acontecimentos materiais da existência e os atos da vida moral. Se há fatalidade, às vezes, é apenas no tocante aos acontecimentos materiais, cuja causa está fora de vós e que são independentes da vossa vontade. Quanto aos atos da vida moral, emanam sempre do próprio homem, que tem sempre, por conseguinte, a liberdade de escolha: para estes atos não existe jamais a fatalidade.
862. Há pessoas que nunca conseguem êxito na vida e que um mau gênio parece perseguir em todos os seus empreendimentos. Não é isso que podemos chamar fatalidade ?

— Pode ser fatalidade, se assim o quiserdes, mas decorrente da escolha do gênero de existência, porque essas pessoas quiseram ser experimentadas por uma vida de decepções, a fim de exercitarem a sua paciência e a sua resignação. Não creias, entretanto, que seja isso o que fatalmente acontece; muitas vezes é apenas o resultado de haverem elas tomado um caminho errado, que não está de acordo com a sua inteligência e as suas aptidões. Aquele que quer atravessar um rio a nado, sem saber nadar, tem grande probabilidade de morrer afogado. Assim acontece na maioria das ocorrências da vida. Se o homem não empreendesse mais do -que aquilo que está de acordo com as suas faculdades, triunfaria quase sempre; o que o perde é o seu amor-próprio e a sua ambição, que o desviam do caminho para tomar por vocação o simples desejo de satisfazer certas paixões. Então fracassa e a culpa é sua, mas em vez de reconhecer o erro prefere acusar a sua estrela. Há o que teria sido um bom operário, ganhando honradamente a vida, mas se fez mau poeta e morre de fome. Haveria lugar para todos, se cada um soubesse ocupar o seu lugar.

863. Os costumes sociais não obrigam muitas vezes o homem a seguir um caminho errado? E não está ele submetido à influência das opiniões na escolha de suas ocupações? Isso a que chamamos respeito humano não é um obstáculo ao exercício do livre-arbítrio?
— São os homens que fazem os costumes sociais e não Deus; se a eles se submetem, é que lhes convém. Isso também é um ato de livre-arbítrio, pois se quisessem poderiam rejeitá-los. Então, por que se lamentam.7 Não são os costumes sociais que eles devem acusar, mas o seu tolo amor-próprio, que os leva a preferir morrer de fome a infringi-los. Ninguém lhes toma conta desse sacrifício à opinião geral, enquanto Deus lhes pedirá conta do sacrifício feito à própria vaidade. Isso não quer dizer que se deva afrontar a opinião sem necessidade, como certas pessoas que têm mais de originalidade do que de verdadeira filosofia. Tanto é desarrazoado exibir-se como um animal curioso, quanto é sensato descer voluntariamente e sem reclamações, se não se pode permanecer no alto da escala.

864- Se há pessoas para as quais a sorte é contrária, outras parecem favorecidas por ela, pois tudo lhes sai bem; a que se deve isso?
— Em geral, porque sabem orientar-se melhor. Mas isso pode ser, também, um gênero de prova: o sucesso as embriaga, elas se fiam no seu destino e frequentemente vão pagar mais tarde esse sucesso com reveses cruéis, que poderiam ter evitado com um pouco de prudência.
865. Como explicar a sorte que favorece certas pessoas em circunstâncias que não dependem da vontade nem da inteligência, como no jogo, por exemplo?
— Certos Espíritos escolheram antecipadamente determinadas espécies de prazer, e a sorte que os favorece é uma tentação. Aquele que ganha como homem, perde como Espírito; é uma prova para o seu orgulho e a sua cupidez.

866. Então, a fatalidade que parece presidir os destinos do homem na vida material seria também resultado do nosso livre-arbítrio?
—Tu mesmo escolheste a tua prova; quanto mais rude ela for, se melhor a suportas, mais te elevas. Os que passam a vida na abundância e no bem-estar são Espíritos covardes, que permanecem estacionários. Assim, o número de infortunados ultrapassa de muito o dos felizes do mundo, visto que os Espiritos procuram, na sua maioria, as provas que lhes sejam mais frutuosas, Eles vêem muito bem a futilidade das vossas grandezas e dos vossos prazeres. Miils, a vida mais feliz é sempre agitada, sempre perturbada; não é somente a dor que produz contrariedades.
867. De onde procede a expressão: Nascido sob uma boa estrela?
— Velha superstição, segundo a qual as estrelas estariam ligadas ao de cada homem; alegoria que certas pessoas fazem a tolice de tomar ao pé da letra.

19 - O que é o espiritismo - Allan Kardec - pág. 200

Perg. 128 - Tem o homem o livre-arbítrio ou está sujeito à fatalidade?
- Se a conduta do homem fosse sujeita à fatalidade não haveria para ele nem responsabilidade do mal, nem mérito do bem que pratica. Toda punição seria uma injustiça, toda recompensa um contra-senso. O livre-arbítrio do homem é uma consequência da justiça de Deus, é o atributo que a divindade imprime àquele e o eleva acima de todas as outras criaturas. É isto tão real que a estima dos homens, uns pelos outros, baseia-se na admissão desse livre-arbítrio; quem, por uma enfermidade, loucura, embriaguez ou idiotismo, perde acidentalmente essa faculdade, é lastimado ou desprezado. O materialista que faz todas as faculdades morais e intelectuais dependerem do organismo, reduz o homem ao estado de máquinas, sem livre-arbítrio e, por consequência, sem responsabilidade do mal e sem mérito do bem que pratica.

23 - INDULGÊNCIA - EMMANUEL - PÁG. 50

A fatalidade do mal é sempre uma criação devida a nós mesmos gerando, em nosso prejuízo, a provação expiatória, em torno da qual passamos compulsoriamente a gravitar. Semelhante afirmativa dispensa qualquer discussão filosófica, pela simplicidade com que será justo averiguar-lhe o acerto, nas mais comezinhas atividades da vida comum.

Uma conta esposada naturalmente é um laço moral tecido pelo devedor à frente do credor, impondo-lhe a obrigação do resgate. Um templo doméstico entregue ao lixo sistemático transformar-se-á com certeza num depósito de micróbios e detritos, determinando a multiplicação de núcleos infecciosos de enfermidades e morte.

Um campo, confiado ao império da erva daninha converter-se-á, sem dúvida, na moradia de vermes insaciáveis, compelindo o lavrador a maior sacrifício na recuperação oportuna. Assim ocorre em nosso esforço cotidiano. Não precisamos remontar a existências passadas para sondar a nossa cultura de desequilíbrio e sofrimento.

Auscultemos a nossa peregrinação de cada dia. Em cada passo, quando marchamos no mundo ao sabor do egoísmo e da invigilância, geramos nos companheiros de experiências as mais difíceis posições morais contra nós.

Aqui, é a nossa preguiça, atraindo em nosso desfavor a indiferença dos missionários do trabalho, ali é a nossa palavra agressiva ou impensada, coagulando a aversão e o terror, ao redor de nossa presença. Acolá, é o gesto de incompreensão provocando a tristeza e o desânimo nos corações interessados em nosso progresso, e, mais além, é a própria inconstância no bem, sintonizando-nos com os agentes do mal...

Lembremo-nos de que os efeitos se expressarão segundo as causas e alteremos o jogo das circunstâncias, em nossa luta evolutiva, desenvolvendo, conosco e em torno de nós, mais elevada plantação de amor e serviço, devotamento e boa vontade. "Acharás o que procuras" - disse-nos o Senhor.

E, em cada instante de nossa vida, estamos recolhendo o que semeamos, dependendo da nossa sementeira de hoje a colheita melhor de amanhã.

"Moléstias do corpo e impedimentos do sangue, mutilações e defeitos, inquietações e deformidades, fobias complexas e deficiências inúmeras constituem pontos de corrigenda do nosso passado que hoj nos restauram à frente do futuro".

24 - AS LEIS MORAIS - RODOLFO CALLIGARIS- PÁG. 157

Fatalidade e destino são dois termos que se empregam, amiúde, para expressar a força determinante e irrevogável dos acontecimentos da vida, bem assim o arrastamento irresistível do homem para tais sucessos, independentemente de sua vontade. Estaríamos nós, realmente, à mercê dessa força e desse arrastamento? Raciocinemos :

Se todas as coisas estivessem previamente determinadas e nada se pudesse fazer para impedi-las ou modificar-lhes o curso, a criatura humana se reduziria a simples máquina, destituída de liberdade e, pois, inteiramente irresponsável . Subsequentemente, os conceitos de Bem e Mal ficariam sem base, tornando nulo todo e qualquer princípio ditado pela Moral.

Ora, é evidente que, quase sempre, nossas decepções, fracassos e tristezas decorrem, não de nossa "má estrela", como acreditam os supersticiosos, mas pura e simplesmente de nossa maneira errônea de proceder, de nossa falta de aptidão para conseguir o que ambicionamos,
ou por uma expectativa exageradamente otimista sobre o que este mundo nos possa oferecer.

Importa reconhecermos, entretanto, que, embora grande parte daquilo que nos acontece sejam consequências naturais de atos consciente ou inconscientemente praticados por nós, ou por outrem, com ou sem a intenção de atingir-nos, vicissitudes, desgostos e aflições há que nos alcançam sem que possamos atribuir-lhes uma causa cognoscível, dentro dos quadros de nossa existência atual.

Sirvam-nos de exemplo certos acidentes pessoais, determinadas doenças e aleijões, desastres financeiros absolutamente imprevisíveis, que nenhuma providência nossa ou de quem quer que seja teria podido evitar, ou o caso de pessoas duramente feridas em suas afeições ou cujos reveses cruéis não dependeram de sua inteligência, nem de seus esforços .

As doutrinas que negam a pluralidade das existências, impossibilitadas de apresentar uma explicação satisfatória para essa importante questão, limitam-se a dizer que os desígnios de Deus são imperscrutáveis, ou a recomendar paciência e resignação aos desgraçados, como se isso fosse suficiente para saciar a sede das mentes perquiridoras e tranquilizar os corações dilacerados pela dor.

A Doutrina Espírita, ao contrário, com a chave da reencarnação, faz-nos compreender claramente o porquê de todos os problemas relacionados com a nossa suposta "má sorte". Os acontecimentos que nos ferem e magoam, no corpo ou na alma, sem causa imediata nem remota nesta vida, longe de se constituírem azares da fatalidade ou caprichos de um destino cego, são efeitos da Lei de Retorno, pela qual cada um recebe de volta aquilo que tem dado.

Em anterior (es) existência (s), tivemos a faculdade de escolher entre o amor e o ódio, entre a virtude e o vício, entre a justiça e a iniquidade; agora, porém, temos que sofrer, inexoravelmente, o resultado de nossas decisões, porque "a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória".

Quando assim não seja, as dificuldades e os sofrimentos por que passamos fazem parte das provas por nós mesmos escolhidas, antes de reencarnarmos, com o objetivo de desenvolver esta ou aquela boa qualidade de que ainda nos ressentimos, ativando, destarte, nosso aperfeiçoamento, a fim de merecermos acesso a planos mais felizes onde a paz e a harmonia reinam soberanamente.

Em suma, algumas circunstâncias graves, capazes de ensejai nosso progresso espiritual, podem, sim, ser fatais; mas já vimos que somos nós próprios, no exercício do livre arbítrio, que lhes geramos as causas determinantes. Nosso presente nada mais é, portanto, que o resultado de nosso passado, assim como nosso futuro está sendo construído agora, pelos pensamentos, palavras e ações de cada momento.

Tratemos, então de dignificar nossa presença à face da Terra, agindo sempre em conformidade com as leis divinas, para que nossas agruras de hoje se transformem, amanhã, somente em bênçãos e alegrias, bem-estar e tranquilidade. (Cap. X, q. 851)

LEMBRETES:

1° - Os fatalistas acreditam que todos os acontecimentos estão previamente fixados por uma causa sobrenatura, cabendo ao homem apenaso regozijar-se se favorecido com uma boa sorte, ou resignar-se, se o destino lhe for adverso. Rodolfo Caligaris

2° - (...) Doutrina pela qual o homem é um ser passivo que aguarda os acontecimentos que são inevitáveis. (...) Nogueira de Faria

3° - (...) é a doutrina dos sonolentos, os fatalistas aguardam os acontecimentos, o que eles supõem que há de produzir-se, apesar de tudo. Camille Flammarion

Todas estas três observações são absurdas.( Os autores somente as descrevem). Ora, nós trabalhamos e cooperamos na marcha dos acontecimentos. Somos ativos e não passivos e nós mesmos construímos o edifício do futuro. Não se deve confundir DETERMINISMO com FATALISMO. Este representa a inércia, o primeiro representa a ação.

4° - A FATALIDADE NÃO EXISTE SENÃO PARA A ESCOLHA FEITA PELO ESPIRITO, AO ENCARNAR-SE DE SOFRER ESTA OU AQUELA PROVA; AO ESCOLHER, ELE TRAÇA PARA SI MESMO UMA ESPÉCIE DE DESTINO, QUE É A PRÓPRIA CONSEQUÊNCIA DA POSIÇÃO EM QUE SE ENCONTRA.
O homem nunca é, portanto, fatalmente conduzido ao mal; os atos que pratica não estavam escritos nem os crimes são decretos do destino; o homem será sempre livre para agir como quiser. As situações nas quais encarna foram escolhidas por ele mesmo, embora quando encarnado não possa mudá-las. No entanto, no que se refere às provasde natureza moral, às tentações, o homem é sempre livre de ceder ou resistir.

5° - Segundo Léon Denis, não há acaso nem fatalidade, mas sim forças e leis. Utilizar, governar umas, observar outras, eis o segredo de toda a elevação (...) livre e responsável, a alma traz em si a lei de seus destinos. No entanto, geralmente acha-se mais simples e menos humilhante para o amor-próprio atribuir ao destino ou à sorte, do que a nós mesmos. A vida atual é a consequência, a herança de vidas precedentes e a condição das que lhe devam seguir.

6° - Ao examinar a causa e a natureza das situações consideradas difíceis, ver-se-á, na maioria das vezes são consequências de uma falta cometidaou de um dever negligenciado. Nossas ações recaem sempre sobre nós mesmos, não somente por nossas faltas, mas também pelo bem que deixarmos de fazer.

7° - Se há fatalidade às vezes, é apenas no tocante aos acontecimentos materiais, cuja causa está fora de nós e que são independentes de nossa vontade. Quanto aos atos da vida moral, emanam sempre do próprio homem, que tem sempre, por conseguinte, a liberdade de escolha: para estes atos não existe jamais a FATALIDADE. Desta forma, não se pode intervir sobre a realidade material na qual estamos inseridos, mas pode-se modificar e traçar os momentos pelos quais irá passar.

8° - A FATALIDADE, o DESTINO e o DETERMINISMO, contra os quais tanto os homens se insurgem, decorrem basicamente de três circunstâncias fundamentais:

a - A possibilidade da escolha feita pelo Espírito, antes da encarnação, na qual o homem tem a possibilidade de ceder ou resistir aos arrastamentos;

b - De um acontecimentoque é quase sempre a consequência de um ato praticado de livre vontade;

c - De constrangimentos impostos pela força das circunstâncias tais como:determinismo da influência material sobre a espiritual nas primeiras encarnações, ação dos flagelos destruidores, períodos cíclicos da evolução, etc...

Tais circunstâncias "fatais", como vulgarmente entendidas, são sempre um meio que permite ao homem, passando pelas provas, desenvolver sua inteligência, seu senso moral, aumentando-lhe a responsabilidade e ao mesmo tempo seus méritos.

Edivaldo