CAPÍTULO V
ANIMISMO E ESPIRITISMO

ANIMISMO E ESPIRITISMO - AS MISTIFICAÇÕES

Desde a Antigüidade, existem relatos de acontecimentos extraordinários, que se passavam com certas pessoas. Tais fenômenos eram tomados como milagres ou como bruxarias, conforme as circunstâncias; milagres, se acontecessem nos meios religiosos, bruxarias, se fora da igreja. As pessoas que faziam adivinhações, profecias, (magos, adivinhos, pitonisas), muitas vezes eram bajuladas e endeusadas. Em outras ocasiões, principalmente as que produziam efeitos físicos, vozes diretas e materializações, acabavam sendo condenadas e levadas ao cadafalso ou às fogueiras.

Os povos antigos atribuíam tais manifestações a deuses, diabos, santos ou à alma dos mortos. Assim, em torno dos fenômenos, foram criados os rituais mais absurdos, que perduraram através dos séculos. As explicações, quando raramente tentadas, eram destituídas do menor critério cientifico. Os sacerdotes dos vários credos estimulavam o misticismo e o ritualísmo, porque, dessa forma, conseguiam maior domínio sobre as massas incultas e fanáticas.

Foi assim que se chegou à época da Codificação. Aqueles fenômenos que, no século passado, eram objeto de curiosidade e brincadeiras de salão, como as mesas girantes e a tiptologia (comunicação com os Espíritos através de pancadas na mesa) foram submetidos por Kardec a um estudo detalhado, a uma análise criteriosa. Kardec verificou que muitos desses fenômenos dependiam da atuação de um Espírito desencarnado e exigiam um instrumento, um intermediário entre o plano espiritual e o plano em que vivemos. Essa pessoa que servía de intermediária foi chamada de "médium".

Mediunidade é, pois, a capacidade de as pessoas funcionarem como intermediárias para que os Espíritos se comuniquem conosco. Portanto, sem a intervenção de Espíritos desencarnados, não se pode falar em mediunidade.

Entretanto, bem sabia Kardec que existem muitos fatos que se dão em circunstâncias especiais, onde não há intervenção dos Espíritos dos chamados "mortos". Por exemplo, o sonambulismo, a cujo respeito os Espíritos assim nos ensinam: "O sonambulismo é um estado de independência da alma, mais completo que o do sonho, e então as faculdades adquirem maior desenvolvimento. É o momento em que o Espírito pode deixar, temporariamente, o corpo, que se acha entregue ao repouso indispensável à matéria." (O Livro dos Espíritos - Livro 2" - Cap. VIII - pergunta 425).

Com relação à "dupla vista", hoje chamada "telestesia" (sensibilidade a distância), esclarecem os Espíritos que "nela o Espírito está ainda em maior liberdade, embora o corpo não esteja adormecido. A dupla vista é a visão da alma".

Kardec insistiu bastante, provando-nos que tais fenômenos não são mediúnicos. É preciso que estudemos bem o assunto, pois, ultimamente, muitos Espíritas estão tendendo a considerar todos os fenômenos citados como mediunidade. No "0 Livro dos Médiuns" (Cap. 19 - item 223), os Espíritos esclarecem detalhadamente, a possibilidade de a alma do médium dar, ela mesma, uma comunicação, neste caso exibindo um fenômeno anímico e não mediúnico, pois não há participação de desencarnados.

Depois de Kardec, muitos filósofos e cientistas se ocuparam dos fenômenos extraordinários, que estavam surgindo por toda a parte. Comissões de estudos foram criadas, cujas conclusões, geralmente apressadas ou dominadas por preconceitos, a nenhum progresso conduziram. Muitos cientistas estiveram prestes a reconhecer a intervenção dos Espíritos, mas se calaram ou tergiversaram, por temor à oposição de seus pares.

Charles Richet, grande fisiologista francês, auxiliado por Geley e outros pesquisadores, criou o Instituto Metapsíquico Internacional, visando esclarecer o problema. Todos os fenômenos, objeto de estudo, foram classificados como metapsíquicos. Estes se dividiam em subjetivos e objetivos. Os primeiros abrangiam a telepatia, a clarividência, a clariaudiência, a premonição, o "desdobramento astral", a xenoglossia etc. Os segundos abrangiam a telecinésia (raps, transportes de objetos), a levitação, a bilocação ou desdobramento, o "poltergeist" e as ectoplasmias.

Seguiu-se um período em que grandes cientistas e filósofos de vários países se entregaram aos estudos desses fenômenos, que foram chamados de "supranormais". Não é oportuno citarmos trechos dos numerosos livros que foram publicados a respeito, desses fatos, nem mesmo lembrarmos todos os nomes de grandes cientistas de vários países que estudaram os fenômenos supranormais. Alguns deles, como Wiliam Crookes, Wallace, Crawford (íngleses), Ernesto Bozzano (italiano) e Zoelner (alemão), se renderam à evidência Espírita. Entretanto, os que reconhecíam a veracidade dos fatos, mas não se haviam convencido totalmente, ou não tinham a coragem de se intitularem Espíritas, ficaram com o rótulo de "metapsiquistas".

Isto se repete hoje com muítas pessoas que nada conhecem de Parapsicologia e se intituiam parapsicólogos. Não queremos, com esta afirmação, negar valor à verdadeira Parapsicologia, que congrega cientistas honestos e dedicados. Ao lado destes, que apresentam os resultados de suas pesquisas com cautela e dignidade, encontramos artigos de revistas e até telenovelas, apresentando os médiuns como se fossem apenas portadores de faculdades paranormais. É uma forma cômoda e bastante interessante, na sociedade em que vivemos, de fugir à explicação Espírita do fenômeno. Mais ainda. Os interessados em demolir a explicação Espírita fazem verdadeiras acrobacias mentais com hipóteses, para defender, em cursos ou debates, uma explicação "parapsicológica" dos fatos. Chegam a promover exibições teatrais, como os saltimbancos do passado, nas feiras da Idade Média.

René Sudre, um dos "metapsiquistas" mais notáveis do começo deste século, criou a teoria da "prosopopese - metagnomia", para tentar explicar as incorporações mediúnicas. Tal teoria consiste em admitir a liberação dos excepcionais poderes de clarividência e telepatia, levando a uma personificação sonambúlica, por parte do médium. Esta capacidade do sensitivo, que personifica um morto, seria uma faculdade supranormal, por superar os poderes normais da mente do indivíduo, e do subconsciente, pois viria desse setor do psiquismo humano.

Somos obrigados a reconhecer que muitas aparentes comunicações mediúnicas podem ser assim explicadas, mas não todas. Há um enorme acervo de fenômenos, que não podem ser encaixados nessa teoria, nem com o auxílio dos costumeiros malabarismos explicativos.

O Congresso Espírita Internacional, reunido em Glascow (Escócia), em 1937, incumbiu Bozzano de apresentar tese sobre o controvertido assunto: "Animismo ou Espiritismo? Qual dos dois explica o conjunto dos fatos?" Atendendo à solicitação, publicou Bozzano, no mesmo ano, sua obra "Animismo ou Espiritismo?" No prefácio, diz ele: "Nem um nem outro logra, separadamente, explicar o conjunto dos fenômenos supranormais. Ambos são indispensáveis a tal fim e não podem separar-se, pois que são efeitos de uma causa única, e esta causa é o Espírito humano, que, quando se manifesta, em momentos fugazes, durante a encarnação, determina os fenômenos anímicos e, quando se manifesta mediunicamente, durante a existência desencarnada, determina os fenômenos espiríticos."

No Capítulo III, desse livro, acrescenta: "Segue-se que as duas classes de manifestações resultam de naturezas idênticas, com a diferença, puramente formal de que, quando elas se dão por obra de um vivo, entram na órbita dos fenômenos anímicos propriamente ditos, e de que, quando se verificam por obra de um defunto, entram na categoria, verdadeira e própria, dos fenômenos Espíritas."

Alexandre Aksakoff, "metapsiquista" russo, diz: "Por conseguinte, nós teríamos, nos fenômenos anímicos, manifestações da alma, como entidade substancial, o que explicaria o fato dessas manifestações poderem revestir, também, um caráter físico ou plástico, segundo o grau de desagregação do corpo fluídico ou do Perispírito." ("Animismo e Espiritismo" - A. Aksakoff).

André Luiz, em "Domínios da Mediunidade" (Cap. 22 "Emersão do Passado") narra uma reunião mediúnica, em que uma das senhoras enfermas dá uma comunicação atribuível a uma pessoa que teria sido assassinada na última encarnação. Interpelado por Hilário, Aulus assim esclareceu: "Isso quer dizer que nosssa irmã imobilizou grande coeficiente de forças do seu mundo emotivo, em torno da experiência a que nos referimos, a ponto de semelhante cristalização mental haver superado o choque biológico do nascimento no corpo físico, prosseguindo como que intacta. É então que se dá a conhecer como personalidade diferente, a referir-se à vida anterior. Mediunicamente falando, vemos aqui um processo de autêntico animismo. Nossa amiga supõe encarnar uma personalidade diferente, quando apenas exterioriza o mundo de si mesma."

Neste trecho, poderia parecer que André Luiz considerasse o animismo apenas como emersão do passado, mas ele mesmo, no livro "Mecanismos da Mediunidade" (Cap. XXIII) torna-se mais explícito: "O corpo espiritual pode efetivamente desdobrar-se e atuar, com os seus recursos e implementos característicos, como consciência pensante e organizadora, fora do carro físico."

Já é tempo de elaborarmos nossas considerações finais sobre o assunto. Chamamos de fenômenos anímicos todos aqueles produzidos pelo Espírito de um indivíduo vivo. Surgem em condições especiais de diminuição da atividade vital, correspondendo a um processo semelhante ao da desencarnação, como no sono natural ou no hipnótico, no sonambulismo ou no êxtase. Os portadores dessas capacidades foram chamados, pelos "metapsiquistas", de sensitivos, e as faculdades, de supranormais subconscientes. Mais recentemente, a Parapsicoiogía as rotula como fenômenos paranormais, querendo salientar que eles não estão acima da normalidade, mas ao lado dela. De qualquer forma, seja quando estudados corno fenômenos anímicos ou paranormais, estes são sempre exercidos pelo Espírito de um vivo. Portanto, não se trata de mediunidade. Basta dizer que são aceitos por pesquisadores materialistas ou agnósticos, que não admitem a existência do Espírito fora do corpo carnal e muito menos sua comunicação com os vivos.

Poderia a muitos parecer que esta distinção que fazemos fosse coisa de filigranas doutrinárias. Mas não é assim. Na prática mediúnica diuturna nos Centros e Associações Espíritas é de fundamental importância sabermos se estamos em presença de um Espírito desencarnado ou se as explanações são frutos de capacidades do próprio encarnado. Não confundir ainda animismo, que é autêntico e quase sempre independe da vontade do sensitivo, com fraude. O animismo pode ser benéfico, pois, como diz Bozzano, "o animismo prova o Espiritismo". No caso da fraude, há participação consciente do falso médium, que assume a individualidade de mortos, para enganar os assistentes e, às vezes, até tirar proveitos.

"Julgamos, pois, em principio, que se deve desconfiar de quem quer que faça desses fenômenos um espetáculo, ou objeto de curiosidade e de divertimento, e pretenda produzi-los à sua vontade e de maneira exigida, conforme já explicamos. Nunca será demais repetir que as inteligências ocultas que se manifestam têm suas suscetibilidades e fazem questão de nos provarem que também gozam de livre-arbitrio e não se submetem aos nossos caprichos." ("O Livro dos Médiuns" - Cap. XXVIII - item 318).

Completamos nós: a fraude deve ser decididamente combatida. O animismo, estudado com atenção. Liberemos o animismo da conotação vexatória que lhe é atribuída com tanta freqüência nos arraiais Espiritas.

1 - MISTIFICAÇÕES E FRAUDES

Este assunto é focalizado, com muitos exemplos e detalhes, no "0 Livro dos Médiuns", Caps. XXIV, XXVI e XXVIII, nos quais são estudadas, minuciosamente, as mistificações. Entretanto, não são definidas, com clareza e precisão, as diferenças entre mistificação e fraude. Por isso, a maioria dos Espíritas considera esses dois termos praticamente como sinônimos. Vamos, pois, procurar, antes de mais nada, dar os conceitos. Na mistificação há uma comunicação mediúnica real, mas o Espírito se apresenta como se fosse outro, mais famoso ou mais conhecido. Procura enganar os assistentes quanto à sua identidade ou quanto à posição espiritual. Na fraude não há Espírito se comunicando, e o médium, consciente ou inconscientemente, forja a comunicação.

Antes de prosseguirmos, repetimos que a mistificação e a fraude não devem ser confundidas com animismo. Entretanto, se alguém se defrontar com o exercício do animismo e disser isto ao dirigente da sessão, pode estar certo de que este reagirá violentamente, dizendo que o médium é de confiança e seria incapaz de enganar. Tal dirigente está confundindo, o que é quase habitual, animismo com mistificação.

Todos os que militam, intensamente, nas hastes Espíritas devem ter ouvido, muitas vezes, por esse Brasil afora, Bezerra de Menezes e outros luminares da Espiritualidade, apresentando-se com linguajar de semi-analfabetos, e todos os presentes aceitando, piamente, a autenticidade da comunicação. Essa aceitação comodista, sem análise, contraria, frontalmente, os ensinos e conselhos da Codificação.

Poder-se-ia perguntar: os mentores permitem essa tentativa de ludibriar a boa-fé? Vejamos o que responderam os Espíritos a Kardec: (pergunta 268 de "O Livro dos Médiuns", item 21):

- Por que Deus permite aos Espíritos o sacrilégio de usarem falsamente nomes veneráveis?

- Poderíeis também perguntar por que Deus permite aos homens mentir e blasfemar. Os Espíritos, como os homens, têm seu livre-arbítrio para o bem e para o mal, mas nem uns nem outros escaparão à justiça de Deus.

Item 23 - Certos Espíritos disseram possuir sinais gráficos inimitáveis, espécies de selos, pelos quais podem ser conhecidos e comprovarem a sua identidade. Isso é verdade?

- Os Espíritos superiores só possuem como sinais de sua identidade a elevação de suas idéias e de sua linguagem. Qualquer Espírito pode imitar um sinal material. Quanto aos Espíritos inferiores, esses se traem de tantas maneiras, que só um cego se deixa enganar por eles.

Resposta à pergunta 289 - item 11 - A Providência pôs limites às revelações que podem ser feitas aos homens. Os Espíritos sérios guardam silêncio sobre tudo o que lhes é vedado revelar. Quem insiste em obter uma resposta, se expõe às mistificações dos Espíritos inferiores, sempre prontos a se aproveitarem das oportunidades, para explorarem a vossa credulidade.

Pergunta 294 - item 28 - Os Espíritos podem dar orientação a pesquisas científicas e descobertas?

- A Ciência é obra do gênio; só deve ser adquirida através do trabalho, porque é somente pelo trabalho que o homem avança no seu caminho. Que mérito teria se lhe bastasse interrogar os Espíritos para tudo saber? Qualquer imbecil, a esse preço, poderia tornar-se sábio.

Acontece o mesmo no tocante às invenções e descobertas.

Cada coisa deve vir a seu tempo, quando as idéias gerais estarão maduras para a receber e compreender.

Item 29 - Não vos deixeis, pois, arrastar pela curiosidade ou pela ambição, por um caminho que não corresponda ao objetivo do Espiritismo, e resulte, para vós, nas mais ridículas mistificações.

Quanto às perguntas sobre os outros Mundos, os Espíritos nos esclarecem que, se os comunicantes são levianos, divertem-se ao nos dar descrições bizarras e fantásticas, item 32, "pois tiram da própria imaginação o relato de muitas coisas que nada têm de real". Se os Espíritas tomassem em consideração tais explicações, não estariam dando tanto valor aos livros, mediúnicos ou não, que tratam da vida no Planeta Marte ou similares.

Como poderemos evitar as mistificações? A resposta dos mentores à pergunta 303 esclarece a dúvida: "Sim, é claro, há para isso, um meio muito simples, que é o de não pedir ao Espiritismo nada mais do que ele pode e deve dar-vos. Seu objetivo é o aperfeiçoamento moral da Humanidade. Desde que não vos afasteis disso, jamais sereis mistificados. Se jamais lhes pedissem futilidades ou o que esteja além de suas atribuições, ninguém daria acesso aos Espíritos mistificadores. Do que se conclui que só é mistificado aquele que o merece. Se quereis ver nos Espíritos os substitutos dos adivinhos e dos feiticeiros, então sereis mistificados. Deus não vos envia os Espíritos, para vos aplainarem a rota da vida material, mas para vos prepararem a do futuro."

Ai estão, prezados leitores, conselhos maravilhosos que o Alto nos enviou, através de seus mensageiros. Quanta coisa útil para a nossa vida presente! Quantos ensinamentos para os dirigentes de sessões e seus freqüentadores! "O Livro dos Médiuns" deveria ser estudado, continuamente, em todas as sessões práticas Espíritas de nosso país, pois ele é sempre atual e útil. A FEESP, há longos anos, utiliza, amplamente, esse livro em todos os seus cursos.

Ainda correspondente à pergunta 268, Kardec diz: "Esses Espíritos semi-imperfeitos são mais de temer que os maus Espíritos; seus embustes entravam a marcha do Espiritismo e prejudicam a atividade dos médiuns, perturbando-lhes o discernimento necessário ao cumprimento de suas missões. Grande número de criaturas sofrem a desorientação proveniente das confusões semeadas no campo doutrinário e muitas chegam mesmo a perder as oportunidades de um encaminhamento ardentemente solicitado na vida espiritual. Dever dos Espíritas, portanto, é combater as mistificações e desmascarar os Espíritos embusteiros, assegurando o progresso normal da Doutrina, que eles empenham em ridicularizar com suas teorias absurdas. Esse é o bom combate de que falava o apóstolo Paulo, em que os inimigos não são os Espíritos nem as pessoas por eles fascinadas, todos dignos do nosso amor, mas os erros semeados entre as criaturas ingênuas."

Quanto ao maravilhoso e ao sobrenatural, no Cap. II de "O Livro dos Médiuns", item 11, encontramos que o "Espiritismo não é mais responsável pelas extravagâncias que se possam cometer em seu nome do que a verdadeira Ciência pelos abusos da ignorância ou a verdadeira Religião pelos excessos do fanatismo."

Item 13 diz: - "O Espiritismo não aceita todos os fatos considerados maravilhosos, ou sobrenaturais. Longe disso, demonstra a impossibilidade de muitos deles, e o ridículo de algumas crenças, que constituem, propriamente falando, a superstição".

É incrível, mas Kardec e os Espiritos que nos trouxeram a Terceira Revelação já tinham a certeza das deturpações que iriam tentar invadir o Espiritismo. Parece que já previam a revivescência da Astrologia, o tratamento pelos cristais e pelas pirâmides, pela Cromoterapia, pela Iridoterapia e quejandas fantasias.

FRAUDES - Um médium pode, conscientemente, forjar uma falsa comunicação, geralmente atribuída a um Espírito evoluído.

Depois de toda uma existência dedicada ao Espiritismo, podemos afirmar que este tipo de fraude é muito raro. Mais comuns são as fraudes sub-conscientes, em que o médium, em transe verdadeiro, personifica uma figura conhecida nos meios literários ou práticos. Esses casos, discutiremos no próximo capitulo.

Kardec assinala que, de todos os fenômenos Espíritas, os que mais se prestam à fraude são os de efeitos físicos (voz direta, transportes, materializações). Em primeiro lugar, eles "se dirigem mais aos olhos do que à inteligência e são os que o prestidigitador pode imitar. Em segundo, despertam maior curiosidade do que os outros e se prestam a atrair multidões, podendo levar a explorações financeiras". "Os espectadores, na maior parte, desconhecendo a Ciência, procuram antes uma distração do que uma instrução séria, e sabe-se que o divertimento é sempre mais bem pago do que a instrução."

- A PARANORMALlDADE NA UNIÃO SOVIÉTICA

Os fenômenos paranormais e o "poltergeist" (fenômenos impressionantes de combustão espontânea e outros) têm sido estudados na União Soviética (hoje Rússia) por vários grupos de cientistas. Alguns deles visam desenvolver formas de controle da mente humana, com objetivos militares.

William Waack, em artigo publicado no jornal "O Estado de S. Paulo", em 14-12-92, diz que é difícil traçar uma clara linha entre charlatanismo, sensacionalismo e genuíno interesse científico, mas, pelo menos, um grande esforço foi realizado na "psicotrônica". Esta expressão designa as técnicas de controle do cérebro, desenvolvidas na URSS por um Centro de Tecnologia chamado VENT. Foram elas apresentadas, em 1987, ao Conselho de Ministros da URSS, num trabalho intitulado "Métodos de Utilização da Bioenergética na Economia e Defesa". Abrangiam formas de exercer controle remoto dos estados físico e psíquico das pessoas.

Vítor Sedletski, cientista de Kiev, URSS, desenvolve, além da elaboração de um "radar psicotrônico", baseado em campos cerebrais, pesquisas no campo da Parapsicologia. Um outro autor, Andrei Chervetski, realizou importantes pesquisas para descobrir, no corpo humano, a natureza dos campos de radiações biológicas. Tais radiações, designadas como "eletrossensibilidade", abrangem a psicometria, a telepatia, a clarividência e o diagnóstico, sem contato. Lembra Andrei o caso das transmissões telepáticas feitas entre um agente e um receptor, este colocado dentro de um submarino.

Explicam os referidos soviéticos que a telepatia e os outros fenômenos citados se dão devido à existência de um "campo energético informativo" existente em torno da Terra e resultante da atuação dos seres vivos. Através desse campo energético, seria possível obter ligações entre pessoas, cujos organismos estivessem sintonizados adequadamente. Assim se explicariam, facilmente, os fatos maravilhosos não-explicáveis por outras teorias, como a Psicometria.

Como sabem os leitores, a Psicometria consiste em obter dados sobre uma determinada pessoa pelo simples contato com um objeto "lenço, livros, por exemplo" que tenha sido usado por ela. A explicação mais corrente é a de que o objeto captou vibrações especiais da pessoa, com a qual esteve em contato, vibrações essas que o objeto conservaria e poderiam ser captadas e interpretadas por um sensitivo especializado. Recomendamos, a quem estiver interessado no assunto, a leitura do excelente livro de Ernesto Bozzano - "Enigmas da Psicometria".

Muitas experiências foram, também, realizadas na URSS no campo da "Psicocinesia", ou seja, deslocamento de objetos, sem contato, pela força do pensamento. Pesquisadores de S. Petersburgo e Moscou relatam que grandes tensões emocionais podem chegar a movimentar objetos, incluindo, também, os casos de "poltergeist", tão bem estudados no Brasil pelo dr. Hernani G. Andrade. De acordo com os cientistas soviéticos, tais fenômenos são produzidos por perturbações psíquicas do paciente, mas não explicam o mecanismo íntimo deles. Criou-se até um grupo chamado de "exterminadores de paranormais", que estão sempre filmando as pessoas que produzem o "poltergeist". Dizem que seus filmes revelam que as próprias pessoas atiravam os copos nas paredes ou punham fogo nos móveis.

Sabemos que a imprensa soviética tem dedicado muita atenção a esses fenômenos, que surgem até em editoriais. Comenta-se que esse interesse é despertado pela situação econômica e política do país, que trouxe grande decepção para o povo. Os indivíduos perderam a confiança nos cientistas e doutores e, por isso, buscam a saída no campo dos fenômenos espalhafatosos e na fantasia, dizem os pesquisadores. Tais pessoas têm formação intelectual exclusivamente materialista e não podem entender, nem de leve, que, por trás de fenômenos de ordem física, existe uma causa espiritual. Não podem explicar, dentro das leis conhecidas, tais fenômenos, e apelam para os malabarismos da explicação e negação de tudo de positivo e comprovado que existe nesse campo.

Ary Lex