5ª. AULA
INCONVENIENTES E PERIGOS

1 - Parte A - INCONVENIENTES E PERIGOS DA MEDIUNIDADE

Mediunidade: Crianças - Idosos - Doentes - Mulher Grávida - Analfabetos.

Kardec, no "O Livro dos Médiuns" (2ª Parte, cap. XVIII, itens 221 e 222), esclarece que "a faculdade mediúnica é por vezes um estado anômalo, mas não patológico. Há médiuns de saúde vigorosa; os doentes o são por outros motivos".

O exercício da faculdade mediúnica, como outro qualquer, quando não disciplinado ou bem orientado pode ocasionar perigos e inconvenientes; a mediunidade de efeitos físicos, por despender maior quantidade de fluidos, se trabalhada continuamente, pode levar o médium à fadiga. No entanto, essa fadiga, facilmente recuperável com o repouso, diz respeito aos seus órgãos corporais e não ao seu Espírito.

"Há casos em que é prudente, necessária mesmo, a abstenção, ou, pelo menos, o exercício moderado, tudo dependendo do estado físico e moral do médium."

"Há pessoas que devem evitar quaisquer causas de superexcitação, e a prática mediúnica seria uma delas."

"Os médiuns muito sensíveis devem procurar abster-se das comunicações com Espíritos violentos, devido ao cansaço resultante" (LM, 2.a Parte, cap. XVI, item 188).

"Os médiuns velozes, quando identificados com os Espíritos, escrevem com muita rapidez, o que não seria possível em seu estado normal, despendendo assim grande quantidade de fluido, do que também resulta fadiga" (LM, 2ª.Parte, cap. XVI, item 194).

O desconhecimento da Doutrina Espírita leva algumas pessoas a julgar que a prática da mediunidade pode conduzir o médium à loucura. No entanto, isto não acontecerá, se não houver já uma predisposição para isso. Quando este fato acontece, o que facilmente se identifica pelas condições psíquicas e mentais da pessoa, deve,se procurar ter os cuidados necessários, para evitar qualquer abalo que seria prejudicial.

Muitas vezes, essa predisposição existente tem como causa a fraqueza moral, que torna a criatura sem forças para suportar o desespero, a mágoa, o medo, etc.

Como toda criatura possui mediunidade, as crianças também estão nestas condições. Porém os Espíritos orientam (LM, 2ª.Parte, cap. XVIII, perg. 221, § 6°) "que é muito perigoso" o desenvolvimento da mediunidade na infância, "porque esses organismos frágeis, delicados, seriam muito abalados e sua imaginação infantil ficaria superexcitada".

Existem casos em que a vidência, os fenômenos de efeitos físicos, e mesmo a escrita são espontâneos, são naturais nas crianças; isto não é inconveniente, é natural. Porém elas não devem ser estimuladas. A prudência dos pais deverá afastá-las dessas idéias; no entanto, os pais orientarão quanto à moral trazida pelos ensinamentos dos Espíritos, preparando-as para a vida adulta, dentro do conhecimento doutrinário.

Não há idade precisa para a prática da mediunidade, que depende inteiramente do desenvolvimento físico, moral e, particularmente, do psíquico. O exercício da mediunidade na criança requer cuidados e conhecimentos, para que não haja enganos por parte de Espíritos mistificadores. Se os adultos são muitas vezes enganados por esses Espíritos, a infância e a juventude, pelas suas inexperiências, estarão muito mais sujeitas a eles.

O recolhimento e a seriedade são condições essenciais para se tratar com Espíritos. Como uma criança ainda não possui esses discernimentos é imperioso que a vigilância seja exercida sobre ela, para que não tome o fenômeno por um brinquedo.

A mediunidade deve ser evitada, por todos os meios possíveis, em criaturas que tiverem dado as menores demonstrações de excentricidade nas idéias ou enfraquecimento das faculdades mentais, preservando-se, assim, o Espiritismo dessa responsabilidade, como também a saúde mental da criatura.

Diz Edgard Armond, em "Mediunidade", cap. 20, que "Moléstias de toda ordem, que resistem aos mais acurados tratamentos; alterações físicas incompreensíveis de causas impalpáveis que desafiam a competência e a argúcia da Medicina; complicações as mais variadas, com reflexos na vida subjetiva" ... e, ainda "angústias, depressões, ou alterações, já do mundo mental, como temores, misantropia, alheamento à vida, manias, amnésias etc" enfim, todas estas perturbações, numa ampla proporção, existe sempre esse fator mediunidade, como causa determinante e, portanto, passível de regularização".

"Muita gente toma, assim, o efeito pela causa. Não é o exercício da mediunidade que traz inconvenientes ou perigos " saúde das pessoas, mas a sua abstenção é que gera os desequilíbrios. Cabe a cada um descobrir as causas de suas aflições, tornando-se médico de si mesmo, para tornar-se o arquiteto de seu próprio destino, porquanto o estudo constante, o trabalho, o devotamento ao bem e a vigilância auxiliam o homem e o previnem contra os desequilíbrios no exercício da mediunidade.

Diz Emmanuel (no livro "Roteiro", cap. 36) que "não há bom médium, sem homem bom. Não há manifestação de grandeza do Céu, no mundo, sem grandes almas encarnadas na Terra. Em razão disso, acreditamos que só existe verdadeiro e proveitoso desenvolvimento psíquico, se estamos aprendendo a estudar e servir".

Mulher Grávida: Participará das Reuniões apenas para receber energias positivas. Todos os fluidos magnéticos serão direcionados ao feto que irá renascer.

Analfabetos: Poderão trabalhar na mediunidade normalmente. Não sabem ler, mas o importante é a pureza de coração e sentimentos de amor e fraternidade; e a boa vontade e alegria de servirem aos Mentores espirituais.

Bibliografia:

LM. 2: Parte, Cap XVIII

MEDIUNlDADE, cap. 20 - Edgard Armond.

ROTEIRO, cap. 36 - Emmanuel.

LE, Introdução. XV - A Loucura e suas Causas

2 - Parte B - Os sãos NÃO PRECISAM DE MÉDICO (Mt 9: 12)

Jesus Cristo, durante o seu Messiado terreno, conviveu com os pobres e pecadores, pois a sua missão redentora reepresentava uma promessa viva, dirigida aos sofredores de todos os matizes, aos doentes do corpo e da alma.

Em todos os tempos, sempre houve criaturas necessitadas do lenitivo espiritual. Assim, quando o Mestre lhes falava, sentiam que suas necessidades espirituais eram aliviadas. Todos os doentes, os desalentados e os sofredores sentiam-se bem quando recebiam de Jesus aquele amor que os fortificava.

Os publicanos naquele tempo eram considerados pecadores e indignos. Eles tinham a função de arrecadar impostos, tanto na própria Roma como em outras partes do Império. Os Judeus não toleravam o pagamento de impostos, por isso alegavam não estarem eles previstos na Lei de Moisés, e tinham verdadeira aversão aos publicanos. Por várias vezes, fomentaram revoltas no sentido de evitar tal cobrança. Deste modo, os publicanos eram tidos na conta de gente de má vida e havia grande repulsa por eles e pelas pessoas que com eles mantivessem ligações de amizade. No entanto, dentre eles havia pessoas dignas, que, pelas suas funções, tornavam-se desprezíveis.

Certa vez, Jesus participou de uma refeição e no recinto estavam os apóstolos, alguns publicanos e outras pessoas consideradas pecadoras pelos Judeus.

Alguns Fariseus, vendo isto, chamaram os discípulos de Jesus e lhes disseram: "Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores?" Tomando conhecimento daquela indagação ardilosa, Jesus respondeu: "Os sãos não têm necessidade de médico, mas sim os enfermos" (Mt, cap. IX:lO-12).

É evidente que se trata de um ensinamento de relevante alcance, pois tem várias facetas. Aplica-se, também, aos adeptos do Espiritismo, que, muitas vezes, admiram, se de que pessoas indignas sejam portadoras de mediunidade, e por isso mesmo capazes de a empregarem mal. Eles participam da opinião de que essa faculdade tão preciosa deveria ser privilégio exclusivamente de pessoas de mérito. Se assim fosse, a rigor, a mediunidade jamais se manifestaria na face da Terra.

A mediunidade decorre de uma condição orgânica e é inerente a todo ser humano, como todas as demais faculdades, ver, ouvir, falar etc. Os homens podem fazer mau uso de todas elas em conseqüência de seu livre-arbítrio. Deus outorgou todas essas faculdades ao homem, dando, lhe a liberdade de utilizá-las como quiser; entretanto, aquele que delas abusa tem que responder por isso. "A mediunidade é dada sem distinção, a fim de que os Espíritos possam levar a luz a todas as camadas, a todas as classes da sociedade, ao pobre como ao rico; aos virtuosos, para os fortalecer na prática do bem; aos viciosos, para os corrigir."

Jesus, como o grande médico das almas, durante a sua curta estada na Terra, preocupou-se muito pouco com os orgulhosos, com aqueles que se julgavam os eleitos de Deus, mas procurou, antes, os pobres, os desajustados, os humildes de coração. Certa vez, ele foi procurado por algumas pessoas que lhe disseram: "Herodes quer vê-lo". O Mestre negou, se a ir até ao potentado e, pelo contrário, chamou-o de raposa, pois era um homem eivado de hipocrisia e de outros defeitos.

No entanto, pressentindo que em determinada cidade havia um publicano que desejava, ardentemente, conhecê-lo, o Mestre para lá se dirigiu.

Chegando à casa do publicano Zaqueu, este ficou tão jubiloso com a visita que, ajoelhando,se, disse: "Senhor, hoje mesmo vou dar metade de minha fortuna aos pobres, e, se porventura espoliei alguém, restituirei quatro vezes mais" (Lc, cap. XIX: 8).

Idêntico ensinamento de Jesus está no exemplo da ovelha perdida, com a qual deveria o pastor preocupar-se. Obviamente, os sãos não precisam de médicos, nem as ovelhas de redil, dos cuidados do pastor.

Simboliza isto que o Espírito equilibrado caminha por si mesmo, no pleno uso de seu livre-arbítrio, independentemennte de atenções especiais. Os que estão desequilibrados, qualquer que seja a forma em que se apresentam, as doenças físicas ou morais, devem, entretanto, ser socorridos, aliviados e reconduzidos ao caminho do bem, com a mesma alegria do pai que recebeu o retorno do filho pródigo ao lar, ou do pastor que reencontrou a ovelha perdida.

Bibliografia:

ESE, cap. XXIV, itens 11 e 12.

LIVRO DA ESPERANÇA, lição 79 - Emmanuel.

EVANGELHO DOS HUMILDES, cap. IX - Elizeu Rigonatti.

QUESTIONÁRIO

A) INCONVENIENTES E PERIGOS DA MEDIUNIDADE - CRIANÇAS DOENTES - MULHER GRÁVIDA - ANALFABETOS

1- O exercício da mediunidade quando não disciplinado ou orientado, pode ter que conseqüências?

2 - Quando a mediunidade de efeitos físicos pode levar o médium à fadiga? Explique sucintamente.

3 - Em que casos a prudência, no uso da mediunidade, se faz necessária?

4 - Quais os cuidados com os médiuns muito sensíveis, excêntricos, crianças etc.? Explique sucintamente.

5 - O desconhecimento da Doutrina pode levar pessoas a responsabilizar a prática mediúnica pela loucura de alguns médiuns? Explique sucintamente.

B) OS SÃOS NÃO PRECISAM DE MÉDICO

1- Explique esse ensinamento de Jesus: "Os sãos não precisam de médico".

2 - O que é mediunidade?

3 - Qual é a finalidade da mediunidade, neste estágio em que o homem se encontra?

4 - Comente a visita de Jesus à casa de Zaqueu. Qual a lição dessa passagem?

5 - Por que o pastor deve se preocupar com a ovelha que se perdeu, e não com a que está no redil?

3 - Parte C - D.P.M. - DESENVOLVIMENTO PRÁTICO MEDIÚNICO

PSICOFONIA DE AUXÍLIO A ESPÍRITOS NECESSITADOS

Nesta aula inicia-se o atendimento aos Espíritos necessitados.

Os médiuns recebem a mensagem do Espírito necessitado, segundo o acompanhamento do Plano Espiritual.

O monitor de cada grupo levará palavras de conforto ao Espírito comunicante, à luz dos princípios da Doutrina Espírita.

Poderá ocorrer atendimento de Espíritos familiares dos médiuns, trazidos pelo Plano Espiritual para auxílio e socorro junto aos médiuns. Como há forte emoção nos dois planos da vida, o monitor deverá estar vigilante para que haja disciplina e equilíbrio.

Após todo trabalho com necessitados sempre deve ocorrer uma "limpeza espiritual" no Grupo, a fim de evitar que miasmas ou fluidos pesados possam prejudicar os médiuns.