CASAMENTO SACRIFICIAL

É o casamento em que há sacrifício, renúncia, desprendimento de um dos cônjuges em favor do outro.

Caracteriza-se por um deles apresentar moral bastante elevada, enquanto o outro a apresenta bastante baixa. Um traz os seus sentimentos voltados para a luz e contempla as estrelas. O outro tem os sentimentos voltados para a sombra e atola-se no lodo das sensações grosseiras.

Um já está iluminado pelas provas redentoras. O outro precisa da luz para abandonar as trevas.

Para ilustrar o casamento sacrificial, nos recordamos de um episódio narrado pelo espírito Augusto Cezar, através da psicografia do incomparável médium Francisco Cândido Xavier (Fotos da vida).

(. .. ) Conta-se que Jesus, acompanhado por alguns discípulos, seguia, dos arredores de Jerusalém, demandando a cidade de Jericó. O Mestre alterara o plano da excursão, através de muitas veredas, a fim de visitar necessitados e doentes.

Em dado instante, o grupo não soube acertar com o verdadeiro caminho e apareceu acalorada troca de opiniões.

Nisso, salientou-se, ao longe, afigura de um viandante cuja presença pareceu providencial aos companheiros da Boa Nova.

Notando que o desconhecido se abeirava dos circunstantes, Simão Pedro barrou-lhe a frente e interpelou-o:

- Amigo, acaso poderá a sua bondade informar-nos quanto ao exato caminho para Jericó?

O desconhecido trancou a face que lhe evidenciava o descontentamento e replicou em seguida:

- Quem te falou que sou guia de vagabundos? Tenho mais que fazer. Não me arrisco ao contato com malfeitores e ladrões. Sigam para onde quiserem ...

Dito isso, afastou-se, estugando o passo e Pedro, desapontado, dirigiu-se a Jesus, comentando:

- Mestre, viu só que insolência? Não é justo suportar desaforos! Decerto que o Céu castigará esse brutamontes, impondo-lhe a punição que faz por merecer..

O Cristo ouviu, apreensivo, e ponderou:

- Pedro, não julgue ninguém sem o conhecimento preciso ... Quem será esse homem? Talvez, seja um doente ou um desesperado ...

A expectativa reapossava-se dos apóstolos, quando surgiu, à frente deles, bela jovem carregando um cântaro de água na cabeça.

Simão adiantou-se, interpelou-a, repetindo a petição que fizera ao viandante agressivo e exasperado.

- O melhor caminho para Jericó? - indagou a moça sorrindo.

De imediato, depôs no chão o vaso que trazia e passou a explicar com gentileza de que modo atingiriam a cidade, sem obstáculos maiores. Além disso, encorajou os apóstolos à caminhada, com expressões de encantador otimismo.

Terminado o diálogo, ei-la retomando o vaso transbordante de água límpida, seguindo estrada afora ...

Simão aconchegou-se a Jesus e lhe falou com intimidade:

- Mestre, notou a diferença? O bruto que nos desconsiderou e essa menina generosa se parecem a um animal e a uma flor ..

Ante o Senhor, que se fizera pensativo, Pedro insistiu:

- Senhor; qual será a recompensa que o Céu concederá a essa jovem que nos prestou um serviço tão grande?

Jesus sorriu e falou ao apóstolo em voz alta: - Sim. Pedro, essa jovem será recompensada; e o prêmio dela será casar-se com o homem brutalizado que passou por aqui, a fim de que consiga educá-lo para Deus e para a Vida.

Surpresa geral encerrou o assunto.

E Augusto Cezar finalizou:

(...) Se a mulher nos abandonar à próprio sorte, negando-se a cumprir a missão que o Céu lhe atribuiu, com certeza, nós todos, os homens vinculados ainda à Terra, estaremos perdidos...

Pedro A. Bonilha