CASAMENTO EXPIATÓRIO

Caracteriza o tipo de casamento em que os cônjuges são espíritos devedores. Possuem dívidas que precisam ser quitadas, entre eles mesmos ou perante as Leis Divinas.

Normalmente, são casamentos difíceis de serem suportados, dada a dificuldade do reajuste. São marcados por "trovoadas e tempestades" que se sobrepõem aos raros momentos de bonança.

É de se perguntar como é que pessoas problemáticas e de convivência difícil, com dificuldades de relacionamento que de alguma maneira se refletem nos seus atos, passam pelo período do namoro sem serem observadas pelo outro, que, na maioria das vezes, tem perfil semelhante e também não é notado.

O espírito Emmanuel (Vida e Sexo) , através do médium Francisco Cândido Xavier, explica que no período do namoro, assim que uma pessoa começa a gravitar na órbita emocional da outra, fica sob um "suave encantamento" que, muitas vezes, a impede de ver claramente.

Se ela visse a realidade com clareza, provavelmente não iria contrair matrimônio com o seu par afetivo ... Mas é com ele que ela tem dívidas.

Uma vez casados, não demorará muito tempo para que a explosão das desarmonias conjugais e dos conflitos morais se tornem insuportáveis.

Esse relacionamento conturbado vai acumulando mágoas e agressões. Em muitos casos, acabam por provocar o pedido de divórcio que, não feito a tempo, poderá redundar em tragédia.

Allan Kardec (O Evangelho segundo o Espiritismo) ensina que na união dos sexos, ao lado da lei divina material, comum a todos os seres vivos, há outra lei divina, imutável como todas as leis de Deus, exclusivamente moral, que é a lei de amor !

Quando Jesus disse: "Não separareis o que Deus uniu ", estas palavras devem, ser entendidas com referência à união segundo a lei imutável de Deus e não segundo a lei mutável dos homens.

Ora, o divórcio é uma lei humana que tem por finalidade separar legalmente o que já estava separado de fato.

(. .. ) e se perguntará, um dia, se é mais humano, mais caridoso, mais moral unir indissoluvelmente um ao outro dois seres que não podem viver juntos ou dar-lhes a liberdade ... (O Evangelho Segundo o Espiritismo)

A Doutrina Espírita, ao contrário do que muitos possam interpretar, não faz apologia do divórcio, mas reconhece a necessidade do mesmo nas situações em que a continuidade da vida a dois poderá não só agravar os débitos já existentes, mas também colocar em risco a vida dos cônjuges.

Com o advento da Emenda Constitucional n°. 9, de 28 de junho de 1977, foi introduzido o divórcio no Brasil.

A partir de então, muitas pessoas passaram a se casar com a perspectiva de se divorciarem, caso a vida matrimonial não fosse o que dela se esperava.

É um grande erro! O casal deve se empenhar ao máximo para levar o relacionamento conjugal a bom termo. A convivência a dois é a oportunidade de aparar arestas, vencer-se a si mesmo, moldar um caráter sadio, eliminar defeitos e adquirir virtudes. Infelizmente, não é isso o que se vê ...

O divórcio resolve um problema imediato de relacionamento, mas não quita a dívida, quando ela existe; e os débitos morais não quitados na presente jornada terrena o serão em encarnações futuras.

Se a vida a dois foi insuportável e você teve que se divorciar, não se entristeça ante o exposto. Se há resgate em pendência, é bem verdade que você terá que voltar com seu ex-cônjuge em outra encarnação ...

Entretanto, se a dívida é a mesma, a situação a ser vivenciada poderá ser diferente. Quem sabe se o outro não poderá nascer em família que lhe proporcione melhor formação de caráter e lhe dê uma educação mais aprimorada?

Quanto a você, não pare no tempo!

É isto mesmo, não pare no tempo ...

Se você está vivendo uma vida a dois; se você não se casou e ainda pretende fazê-lo; se você já se divorciou e quer ficar só; se você se separou e quer construir um novo lar; se você nunca se casou e não tem tais pretensões; ou se você vivencia outra situação qualquer, veja no próximo capítulo, que os homens e a mulheres têm direitos iguais, mas funções diferentes!

Devido à confusão que se faz entre essas duas coisas é que surge boa parte das complicações matrimoniais.

Pedro A. Bonilha