PNEUMATOFONIA

Se fossem contemporâneos, por certo que, entre eles, haveria a seguinte troca de experiências:

- Louis Charles Alfred de MUSSET: '"Há muitos anos tenho visões e ouço vozes. Como poderia eu pôr isto em dúvida, quando todos os sentidos mo afirmam?'''

- Charles François GOUND: -"Quando contava quase 50 anos de idade, principiei a ópera Romeu e Julieta. A música fluia com uma espontaneidade que me causava surpresa. Sentia-me como se novamente tivesse 20 anos e via e ouvia minhas personagens como se estivessem vivas de verdade".

A maioria dos grandes compositores, os chamados gênios da música, escutavam as maravilhosas harmonias do mundo espiritual. Sabe-se que todos experimentavam grande angústia quando o fato se dava, pois o número de vibrações da onda sonora musical, perceptível pelo ouvido, encontra-se dentro de limites definidos.

Sylvio Brito Soares nos explica que "a extensão extrema dessa onda, cobre aproximadamente as sete oitavas do piano, cujas notas variam desde o LÀ, mais baixo, de 27 vibrações, até o LA/6 de 3.520 vibrações".

Max Mueller, por sua vez, acrescenta que "as notas mais baixas são simples zumbidos, e as notas mais altas são simples toques de campainha."

O certo, porém, é que esses luminares estavam, sem o saber, exercendo faculdade mediúnica denominada PNEUMATOFONIA que se acha inclusa no rol dos fenômenos de efeitos físicos e, mais particularmente, cadastrada nos anais científicos do Espiritismo como fenômeno da "Voz Direta",

No caso em questão a voz independe do médium, que conversa, ri, ou pode ser amordaçado, enquanto que os espíritos, se tornam audíveis. Caracteriza-se a voz direta quando os espíritos comunicantes, ao invés de falarem incorporados em um médium psicofonial ou usando de processos telepáticos fazem-no diretamente. As vezes, através de um aparelho vocal improvisado nos laboratórios do mundo invisível, os espíritos também se fazem ouvidos. As entidades desencarnadas se manifestam ainda pelo canto, assobio, etc" Tais manifestações são sempre espontâneas. Raramente ocorrem quando provocadas.

Na segunda hipótese há que se acautelar quanto a possíveis embutes. Razão porque se exige acurado exame científico para não se cair em esparrela ou não se quedar deslumbrado movido por um sentimento de fé irracional.

Conhecemos muita gente de fino trato e digna de confiança que já ouviu sons musicais, recados familiares, gritos, barulhos diversos, etc .. em locais absolutamente ermos e desertos. Pessoas outras, da mesma idoneidade, que escutaram "avisos de morte" (comprovados posteriormente) são inúmeras, num testemunho eloqüente de que, em certas circunstâncias, os espíritos se dirigem verbalmente com os encarnados.

Há que se esclarecer que a mediunidade não é privilégio dos espíritas. Considerando o fato como percepção espiritual, concluiremos que todos somos médiuns. Resta-nos incentivar a faculdade mediúnica em nós mesmos, estudando seus "mistérios". Todavia, é bom que se diga, não nos basta exercer tal ou qual sensibilidade. Imprescindível, porém, santificá-la convertendo-a no ministério do bem. A mediunidade em seus vários aspectos deve ser encarada com muita seriedade já que estamos nos aproximando da Era do Espírito, sob a luz da Religião Cósmica do Amor e da Sabedoria, o terceiro milênio nos mostrará que o serviço mediúnico pertencerá indistintamente a todas as criaturas, porque somos Espíritos imortais. Estamos certos de que, no futuro, descerão dos Céus à Terra, mensagens reveladoras. Pela ponte luminosa da mediunidade séria e edificante o homem consegue modificar o sentimento religioso dos povos, possiblitando um porvir de paz, fartura, saúde e felicidade.

É prudente preservar-nos de tomar por vozes ocultas todos os sons e, não tenham causa conhecida vão se pode, como já dissemos, descarte possibilidade de fraude, infelizmente. A evolução eletrônica, por exemplo fornece, sobremaneira, o engodo. Outrossim, lembramos que acha enraizado à crença popular que quando o ouvido nos zune é que nalguma parte estão falando de nós ou alguém pretende nos falar. Tais zunidos, porém, são quase sempre de origem fisiológica, ao passo que os sons pneumatofônicos exprimem pensamentos. "E nisso está o que nos faz reconhecer que são devidos a uma causa inteligente e não acidental."

É princípio indiscutível para os espíritas que "os efeitos notoriamente inteligentes são os únicos capazes de atestar a intervenção dos Espíritos." Os fatos similares, na maioria das vezes, são oriundos de causas fortuitas. Bastante freqüente ouvir-se, de modo distinto, quando se encontra em vigília ou meio adormecido, palavras, nomes e frases inteiras, ditas com tal intensidade que assustam ou causam espanto. Nesse caso é bem possível a manifestação espiritual: todavia, não se pode generalizar o raciocínio. Muitas vezes pode estar ocorrendo apenas princípio de alucinação.

Embora a incidência do fenômeno ser pouco comum a História registra alguns fatos extraordinários.

Quem estuda teologia não ignora que São João Crisóstomo, interpretando as cartas paulinas, ouvia o ditado de uma Entidade Angélica, que alguns creêm tenha sido o excelente Apóstolo dos gentios.

Descartes, acreditava-se inspirado pelo "Espírito da Verdade", com quem confabulava em sonho.

Massenet, o tão famoso compositor de "Thais", relata uma interessante experiência vivida por ocasião da elaboração do seu não menos famoso poema sinfônico "Visões". Diz ele achar-se instalado em um pequeno hotel quando na primeira manhã, enquanto estava sentado, sozinho, em meio ao majestoso silêncio das montanhas, escutei uma voz. Que cantava ela? Não sei. Mas sempre essa voz espiritual, estranha, me ressoava nos ouvidos, e eu fiquei absorto num sonho, nascido da VOZ e da solidão da montanha".

Musset, poeta e dramaturgo francês, considerado um dos maiores reepresentantes do romantismo, tinha visões e ouvia vozes. Uma noite, sob as janelas de' Louvre, ele escreveu estas palavras: "Assassinaram-me na Rua de Chabanais". Correu para lá e deparou-se-lhe um cadáver.

O fenômeno da pneumafonia fica mais evidente quando se está acordado. Pode-se, no caso, dialogar com o comunicante. Os profetas judeus ouviam vozes e alguns deles conversavam com Deus, no entender deles. Na Igreja Católica, há muitos fatos que ilustram o fenômeno aqui tratado. Eis uns poucos exemplos extraídos do nosso livro "As Aguas Sagradas de Todos os Tempos".

Em 1947, a dez quilômetros ao sul de Bréscia, Itália, na localidade de Montichiari, Pierina Gilli jovem enfermeira, viu na capela do hospital uma linda senhorita vestida de violeta que PEDIA "oração, sacrifício, penitência". O fato se repetiu por algumas vezes até que a senhora se identificou:

"Eu sou a mãe de Jesus e a mãe de todos" e fez um PEDIDO: "Desejo que, anualmente, no dia 13 de Julho, seja celebrada a Rosa Mística".

Na aldeia de Bannaux, situada a leste de Liege, Bélgica, na região das ardenas, uma menina de 12 anos, chamada Mariette Beco, no dia 15 de janeiro de 1933, foi surpreendida com a aparição de "uma moça formosíssima, com as mãos juntadas em prece. O Espírito apresentou-se como Nossa Senhora conversou com Mariette e lhe fez vários PEDIDOS".

Para não se estender mais em exemplos, resta-nos registrar que a jovem pastora Bernadette, de 14 anos, CONVERSOU com Nossa Senhora por DEZOITO VEZES recebendo dela pedidos e mensagens. "Em 8 de dezembro de 1933, o Papa Pio XI santificou Bernadette."

O fenômeno da pneumatofonia ficava assim reconhecido e sacramentado. Os fatos pululam em nosso derredor e os espíritas nos preocupamos com eles.

Assim como a ciência estuda os fenômenos do mundo material, o Espiritismo tem por objeto o estudo dos fenômenos que se passam no mundo dos espíritos e na interrelação entre os dois aspectos de uma realidade única, já dizia o Mestre lionês Léon Hipolite Denizar Rivail.

Aloysio A. Silva