'SIR' WILLIAM CROOKES

"SE NÃO EXISTISSEM ESPÍRITOS, NÃO EXISTIRIAM OS FENÔMENOS ESPÍRITAS"

AS PESQUISAS DOS FENÔMENOS DAS MATERIALIZAÇÕES. Quando se afirma que William Crookes, nascido em 17 de junho de 1832, em Londres, tendo assumido a cadeira de Química da Universidade de Chester com apenas 22 anos de idade, foi o maior químico da Inglaterra e um dos mais ilustres cientistas do século 19, deve-se acrescentar à sua gloriosa trajetória o fato de o seu nome ser frequentemente mencionado como um dos mais corajosos pesquisadores dos fenômenos supranormais, tendo em vista as relevantes e pioneiras experiências no campo da fenomenologia espírita.

Atraído desde cedo pelas ciências experimentais, descobriu novo elemento químico ao qual deu o nome de "Tálio", e um novo tratamento para o ouro. Inventando os "Tubos Crookes", determinou os "Raios Catódicos" (raios invisíveis que se propagam rapidamente e penetram os corpos). Estudando o espectro solar, descobriu a aparente ação repulsiva dos raios luminosos, o que o levou à construção do "Radiometro". Determinando o 4°. Estado da Matéria, apresentou ao mundo a "Teoria da matéria radiante", que se tornaria o conceito de "Fluidos". Estes trabalhos representam apenas uma pequena parte de sua grande pesquisa.

Em reconhecimento à sua valiosa participação no campo científico, William Crookes foi condecorado pelo governo inglês com a medalha de ouro da Sociedade Real; a medalha Davi e a medalha "Sir" J. Coprey. A rainha Vitória (1834-1901), soberana inglesa, concedeu-lhe o maior título governamental dado a civis, o de Cavaleiro "Sir", e ainda recebeu a Ordem do Mérito. O cientista pleiteou reiteradas vezes a presidência da Sociedade Real de Química do Instituto de Engenheiros Eletricistas da Sociedade Britânica e da Sociedade de Investigações Psíquicas.

Foi fundador dos órgãos "Chemical News" e "Quartely Journal of Science". Enquanto isso, uma nova luz brilhava nos horizontes mentais do mundo. Na França, o professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, que adotou o pseudônimo de Allan Kardec, estabelecia a origem dos fenômenos espirituais, provocando uma série de controvérsias. O lado científico que caracterizava a nova Doutrina chamou a atenção de renomados cientistas ingleses, que encetaram pesquisas no terreno da Fenomenologia Mediúnica, com resultados positivos.

Acrescentando que era dever dos cientistas efetuarem tal averiguação, William Crookes iniciou suas investigações, ocasião em que vários órgãos da imprensa, cientes da moral inatacável do pesquisador, proclamaram: "Se um homem como Crookes trata do assunto... breve saberemos em quem acreditar". No verão de 1869, William Crookes, com 38 anos de idade, adentrou o terreno das investigações com os conhecidos médiuns J. J Morse e sra Marshall.

A jovem Florence Cook, com apenas 15 anos de idade, de quem se diziam possuir enorme força psíquica, que tomava raras formas de materializações completas, se apresentou a Crookes, a fim de servir de medianeira para as pesquisas científicas que ele vinha realizando. A princípio, a preocupação primária do pesquisador era demonstrar o erro em que incidiam a médium e aqueles que acreditavam em sua mediunidade. Para todos aqueles que aguardavam uma resposta, Crookes publicou um relatório completo de seus métodos.

No dia 22 de abril de 1872, em sua casa, um pequeno gabinete se abriu para o laboratório, por uma porta com uma cortina. Florence Cook jazia em transe num divã do quarto interno; no quarto externo, com luz reduzida, ficava Crookes com pessoas convidadas. No fim de um período de 20 minutos a uma hora estava completa a figura com o ectoplasma da médium. Completada a operação, abria-se a cortina e entrava no laboratório uma figura feminina diferente da médium. Essa aparição que se movia, falava e agia, ficou conhecida pelo nome de ela própria adotou: Kate King.

Gradualmente, as famosas manifestações de Kate King foram proporcionando belíssimas sessões, tudo dentro da maior seriedade e nos moldes previstos pela Doutrina Espírita contando sempre com a colaboração de Nelly, sua dedicada esposa, Crookes tirou 44 fotografias do espírito construído com o ectoplasma de Florence Cook (algumas de braço com o pesquisador). Entretanto, enfrentou-se a questão: "Quem foi Kate King?" A isto só se pode dar a resposta que ela deu. Declarou-se filha de John King, que desde muito era conhecido entre os espíritas, como um Espírito que presidia as sessões de fenômenos materiais.

A natureza sensacional das materializações de Kate King abalaram o mundo científico da época, entretanto, foi impossível ao extraordinário pesquisador levar alguns dos eminentes homens de ciência a apoiá-lo, os quais, mesmo diante dos fatos mais conscientes, hesitaram em proclamar a verdade, com receio das consequências. William Crookes, à medida em que constatava que os casos era verídicos, insofismáveis, rendeu-se à evidência, curvando-se diante dos fatos.

William Crookes, cujo nome foi sempre sinônimo de respeito e confiança no campo científico por suas atitudes arrojadas e definidas, na sua trajetória não menos brilhante, como pesquisador de fenômenos supranormais, soube explorar como ninguém o lado científico que a Doutrina Espírita oferece. Consciente das responsabilidades que essas experiências poderiam determinar, não hesitou mesmo em expor toda a glória do seu nome consagrado. Assim, no dia 16 de junho de 1871, "sir" William Crookes entregou pessoalmente à rainha Vitória um relatório confirmando a veracidade dos fenômenos espirituais obtidos através da jovem médium Florence Cook.

Mencionado como um dos mais corajosos pesquisadores dos fenômenos espirituais, pouco antes de desencarnar, em 4 de abril de 1919, em Londres aos 87 anos de idade. Em resposta à pergunta que lhe foi feita: se a Doutrina Espírita não havia liquidado o velho materialismo dos cientistas, respondeu: "Penso que sim. Pelo menos convenceu a maioria das pessoas que conhece alguma coisa relativa à existência do outro mundo, sem ser aquele em que vivemos". A obra de Crookes: "FATOS ESPÍRITAS", repositório de verdades comprovadas, não encontrou opositores. Constituiu-se numa súmula, na qual expõe de modo convincente que o fenômeno das materializações de Entidades representam uma prova real da grandeza de Deus.

O ECTOPLASMA E AS MATERIALIZAÇÕES: Um dos fenômenos mais evidentes da existência do espírito é a materialização, que se dá apenas com médiuns de efeitos físicos, involuntários ou conscientes. As materializações podem ser inanimadas quando são transportados objetos; e animadas, quando o ectoplasma auxilia na produção das imagens. O ectoplasma se constitui numa substância viva de natureza fibrosa: "névoa aparente", que emana por todos os poros do médium, cuja luz lhes é destrutiva. Na epóca que William Crookes efetivou suas pesquisas, a existência dessa substância e o seu método de produção eram desconhecidos. Pesquisas posteriores lançaram luz sobre o assunto. Hoje, esses fenômenos são pouco observados.

Maria Aparecida Romano, O Semeador, setembro/04.