PORQUE JESUS FALAVA POR PARÁBOLAS

No O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 24: A candeia debaixo do alqueire, subtítulo "porque fala Jesus por Parábolas", Allan Kardec menciona Mateus, 13:10-15: "E chegando-se a ele os discípulos lhe disseram: porque razão Ihes fala tu por parábolas? Ele, respondendo lhe disse: Porque a vós outros é dado saber os mistérios do reino dos Céus, mas a eles não lhe é concebido.( ... ) falo em parábolas, porque eles vendo não vêm, e ouvindo não ouvem, nem entendem".

Na explicitação desse versículo, Allan Kardec ensina que Jesus de Nazaré afirma aos apóstolos que fala por parábolas porque não estavam em condições de compreender certas coisas. Diz textualmente Allan Kardec:

"Pergunta-se que proveito, o povo poderia tirar dessa infinidade de parábolas. Deve notar-se que Jesus só exprimiu em parábolas sobre as questões, de alguma maneira abstratas da sua doutrina.( ... ) Assim devia ser, porque se tratava de regras de conduta, regras que todos deveriam compreender, para poderem observar. Era isso o essencial para a multidão ignorante, sobre outras questões só desenvolvia o seu pensamento para os discípulos. Estando eles mais adiantados, moral e intelectualmente, Jesus podia iniciá-los nos princípios mais abstratos".

Contextualização - Emmanuel, na psicografia de Chico Xavier, pondera sobre a utilização de parábolas por Jesus de Nazaré, explicando inicialmente que "se quisermos preservar a Doutrina Espírita é necessário compreender as suas finalidades. Allan Kardec completa "O Espiritismo, vem atualmente, lançar a luz sobre uma porção de pontos obscuros". Estas considerações nos leva a compreender a função das parábolas (os homens não estão em condições de entender as afirmações). Como sabemos, Jesus de Nazaré falava por meio de parábolas, que eram narrações de forma alegórica, procurando ensinar aos que não compreendem, grandes verdades que diziam respeito ao comportamento moral dos homens e das conseqüências desse comportamento nesta e após a vida física. Desta maneira, Jesus de Nazaré lançou sua sabedoria para todos os lugares e através dos tempos. As narrativas contidas no Evangelho, datadas de há mais de 2000 anos, justamente por serem dirigida, ao homem de todas as épocas e lugares, somente poderia ser expressa através de alegorias. Portanto, utilizando uma linguagem simbólica direta somente os homens de sua época poderiam entendê-las. Portanto, as parábolas consistem na narração alegórica, na qual o conjunto de elementos na parábola evoca, por comparação, outras realidades de ordem superior, parecendo, desta maneira, efetuar uma curva lançada para o alto, tal como uma curva geométrica.

Não obstante, as parábolas narradas por Jesus de Nazaré, na atualidade, necessitam serem interpretadas sob a visão da realidade atual. De outro lado, muitas delas, se fossem interpretadas literalmente, tal como estão escritas no texto bíblico, tornam-se inelegíveis e absurdas.

Conclusão - Na obra O Evangelho Segundo o Espiritismo, terceira obra de Allan Kardec, de 1864 contém justamente "a explicação das máxima do Cristo, sua concordância com o Espiritismo e sua aplicação às diversas situações da vida". Daí Allan Kardec estuda e interpreta o Evangelho sempre com o auxilio dos Espíritos superiores e sob a luz dos conhecimentos científicos, filosóficos e, notadamente, religiosas.

E, a partir daí, poder-se á efetuar uma releitura contemporânea do texto básico de Allan Kardec, considerando as inúmeras facetas que suscitam os ensinos de Jesus de Nazaré. Argumentamos que em pleno século 21, em que vivemos, temos num texto evangélico: a transcrição dos evangelistas ou seja, a parábola de Jesus de Nazaré; a explicitação de Allan Kardec sob um texto evangélico e a contextualização, inserida na atualidade deste século 2.

Reflexionamos: Não teria o Mestre tido a intenção de fazer com que os homens, em diversas épocas, puderam pensar? Alem dos ensinamentos contidos no Evangelho? Não teria o Mestre orientado os próprios homens, sob a vida e o mundo? E, daí, elaborar e decidir, utilizando o livre arbítrio, os caminhos a seguir nesta vida material? E ainda mais: Não queria o Mestre, ao falar por meio de parábolas, evitar oferecer receitas prontas, em textos literais, que, infelizmente ocorre em diversas manifestações religiosas? Foi por isto que Allan Kardec, na explicitação das parábolas, disse: "Estando eles (os discípulos do passado, e ousamos acrescentar os novos discípulos) mais adiantados, moral e intelectualmente poderia iniciá-los nos princípios mais abstratos". E foi por isso que Emmanuel, neste sentido de parábola, sinalizou:

"Se quisermos preservar a Doutrina Espírita é necessário compreender-lhes as finalidades de escola", queiram ou não os novos discípulos do Evangelho.

Bibliografia:

A Bíblia Sagrada - Trad. De J.F. de Almeida, soc. Bibl. Do Brasil, Rio de Janeiro, 216 pág 1962
Kardec, Allan O Evangelho Segundo o Espiritismo, Edit, FEB, Rio de Janeiro

Coleção O Reformador, órgão da federação Espírita brasileira;

Coleção dos jornais O Semeador e Jornal Espírita, órgão da federação espírita do Estado de são Paulo (FEESP)
Coleção Dirigente Espírita, órgão Da união das sociedades espíritas do estado de São Paulo (USE-SP)

Dulcídio Dibo - Jornal O Semeador FEESP