A Divina Comédia
e o Espiritismo

Dante Alighierí nasceu em Florença em 30 de maio de 1265 e desencarnou em 14 de setembro de 1321 na cidade de Ravena, ambas da Itália. Sua obra máxima foi A Comedia, escrita no final dos seus últimos dez anos. Foi Giovanni Boccaccio, (1313-1375) florentino como Dante, que mais assimilou sua influência. Foi ele que no século XIV acrescentou ao título da obra a palavra Divina, passando a partir daí a ser conhecida mundialmente como A Divina Comédia.

Para mim, o texto mais importante e interessante sobre o inferno, o purgatório e o céu, tomando como fontes os Evangelhos, a teologia católica e a obra Eneida, do poeta latino Virgílio, (Pupliuos Vergilius Maro - Mântua 70 a.C -Brindisi 19 a.C), ou seja vivido seus 51 anos antes de Jesus Cristo. O livro que serve como fonte para este artigo é a tradução em prosa da A Divina Comédia, de Fábio M. Alberti. Em prosa para facilitar o entendimento do leitor, tendo em vista a dificuldade para entender a original em "verso". Os dados históricos foram extraídos da Grande Enciclopedia Larousse.

Foi Virgilio, o "Guia Espiritual" de Dante - estando desencarnado - que o levou a conhecer os três locais extraterrenos de castigos e recompensas, bem como as pessoas que lá estavam. Beatriz, igualmente desencarnada, o grande amor de sua vida, foi a sua outra Guia no Mundo dos Espíritos. Dante foi igualmente um político crítico e de ação em sua terra natal, sendo perseguido pelos seus inimigos a ponto de não poder voltar mais a Florença.

Ressaltamos da obra de Dante, buscando as referências históricas, que ele viveu a partir de 39 anos da morte de São Francisco de Assis (Assis, Itália, 1182-1226), certamente inspirando-se nele para produzir o texto de A Divina Comédia, com sua problemática do inferno, do purgatório e do céu. Tendo Francisco de Assis realizado uma revolução ético-histórica no seio do catolicismo romano, vencendo todos os embates ao fundar a Ordem dos Franciscanos, a monumental obra literária de Dante representa um dos grandes marcos da evolução moral e espiritual da Humanidade, a partir do advento da Doutrina do Mestre Jesus Cristo, implicando considerar os atos humanos face a Lei e a Justiça Divinas.

Para nós, espíritas, os caminhos da nossa evolução não se limitam apenas a esse episódio. Vai muito mais além. Poderíamos, colocando-se apenas dentro do percurso da Humanidade encarnada no Planeta Terra, mencionar os Textos Veda, com seus códigos morais ou divinos, o Código do Rei Hamurabi (1700 a/C); a legislação de Moisés no seu Pentateuco (1300 a/C) e, de um modo geral, o Antigo Testamento que deu origem a legislação judaica, segundo o Tora, o Talmude e a Cabala; a muçulmana, segundo o Alcorão; O Livro dos Mortos, da cultura religiosa egípcia (1200 a/C ?); os conceitos e provérbios do Rei Salomão (970-931 a.C) na Bíblia.

Salientamos a Lei Áurea de Jesus Cristo, sintetizada nos dois mandamentos, "amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo", isto é, em espírito e verdade, o grande portal para o conhecimento cósmico; a Reforma Protestante segundo os textos de Martinho Lutero; e por fim a Parte Terceira do O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, As Leis Morais, considerada a espinha dorsal da Doutrina Espírita e o que nos leva a considerar Kardec o principal pedagogo social de todos os tempos, depois de Jesus Cristo.

A obra-prima de Dante Alighieri, A Divina Comédia, faz dele um Espirito que assumiu e realizou uma tarefa importante junto a conjuntura evolutiva do Espírito em sua fase humana, a nossa experiência como espíritos encarnados. O grande tema da obra é a relação entre personagens desencarnadas com o próprio Dante Alighieri, amparado e protegido por Virgílio e Beatriz seus Guias Espirituais.

Faz-se notória para o observador lúcido, perspicaz e sobretudo honesto em sua avaliação, a validade dos ensinamentos de Jesus Cristo nos diversos textos escritos por vários autores, inclusive aqueles que com ele, conviveram como o Evangelista João. As previsões do Mestre Galileu sobre o futuro da

Humanidade e seu projeto evolutivo, dentro do grande projeto Divino.
Cabe a todo espírita fazer a sua parte, passagem que nos leva a sentir pelo menos em alguns momentos usufruindo das delícias do Céu ou do Paraíso, no universo interior de cada um ainda pouco conhecido de nos mesmos. E a soma das tarefas de cada espírita pode ser considerada relevante, tendo por local adequado a célula Centro Espírita, além da atuação pessoal em todas as circunstâncias e em todos os espaços da vida em sociedade.

Trechos de
A Divina Comédia
* Os espíritos eram lançados de um lado para o outro
* Inclinando a cabeça, pus-me a meditar amargamente nas terríveis aflições daquelas pobres almas
* O amor aceso em nome da virtude, uma vez altpada a sua chama, sempre alteia outro amor
Elfacy Luiz Appollo- Jornal Espírita - agosto/05