SIMÃO, O MAGO

"E Simão, vendo que pela imposição das mãos dos apóstolos era dado o Espírito, lhes ofereceu dinheiro." - (Atos, 8:18)

Simão, o mago, ofereceu dinheiro e propôs: "Dai-me, também, a mim, este poder para que aquele sobre quem eu colocar as mãos, receba o Espírito Santo."

No entanto, a repulsa de Pedro foi peremptória: "O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois cuidaste que o dom de Deus se alcança por dinheiro. Tu não tens parte nem sorte neste ministério, porque o teu coração não é reto diante de Deus" (Atos 8:17-21).

Tais foram os assombros que causou, na Samaria e nas regiões limítrofes, e até mesmo na própria Judéia, por seus prodígios, que Simão, o Mago, chegou a converter-se num ídolo, não só do povo mas também das classes mais abastadas da sociedade de sua época.

Dirigindo-se à Samaria, a fim de apregoar a Boa Nova, o apóstolo Pedro conseguiu granjear grande prestígio, que abalou a fama que Simão desfrutava. Isso causou-lhe grande contrariedade, pois lhe parecia ser o início do fim do seu período de glória terrena.

Tendo a oportunidade de presenciar a pregação e as obras desenvolvidas pelos apóstolos, Simão, o Mago, teve ímpeto de unir-se a eles, a fim de estudar os segredos que envolviam as suas práticas; assim, poderia vir a surpreendê-los. Isso agravou-se com a realidade que divisava diante de si, de, após ter sido considerado um semideus, ver eclipsar-se o seu poder.

Por isso deliberou tornar-se cristão, pelo menos na aparência, alimentando, porém, a intenção sub-reptícia de reaver aquilo que havia perdido.

Nesse afã, não hesitou em submeter-se à autoridade apostólica - velou, orou e também procurou fazer o que os apóstolos faziam, sem, contudo, obter um resultado prático.

Nem com isso sentiu voltar o seu antigo prestígio, ou seja, o poder supostamente supranormal de que se julgou estar investido; sua mediunidade entrou em franca decadência.

Vendo-se nesse labirinto, procurou Pedro e pediu-lhe que investisse do mesmo poder de que o Cristo o investira. Para isso prontificou-se a dar grossa quantia ao velho apóstolo. Esse fato, conforme depara nos "Atos dos Apóstolos", encontrou a mais veemente repulsa por parte de Pedro, e o fato passou a ser qualificado de SIMONIA, que é a tentativa de comprar os dons de Deus a peso de dinheiro.

A lição propiciada por Pedro é uma severa advertência àqueles que acreditam ou fazem acreditar que o Alto concede poderes a determinados homens a troco de dinheiro ou mediante o pagamento de qualquer quantia.

Foi bastante enfático o Mestre Jesus, quando preceituou -"Dai de graça o que de graça recebestes"; portanto, não é o sonido do ouro que faz abrir as portas dos Céus, e também nenhum valor tem aos olhos do Pai aquele que somente pratica as coisas espirituais mediante pagamento prefixado numa tabela.

O mesmo se pode aplicar às preces pagas. Elas podem ser recebidas por Deus, quando aquele que as solicitou, e pagou por elas, o fez inocentemente, com desconhecimento de causa. Porém, o gravame do Alto pesará sobre aquele que estabeleceu preço para elas.

Os ensinamentos dos Espíritos do Senhor são pródigos na afirmação de que para Deus não prevalecem as orações dispendiosas, cheias de formalismos exteriores, porque os que as encomendaram são homens de grandes posses terrenas.

O verdadeiro tesouro é aquele que o homem acumula nos Céus, onde o ladrão não rouba nem a traça corrói, e não o tesouro amealhado pelo homem aqui na Terra, o qual não lhe pertence, porque não poderá levá-lo para o além-túmulo, nem terá qualquer prerrogativa para fazer-se valer nos Planos Espirituais.

Paulo A. Godoy